August 24, 2006

tabula rasa

Cansei de ficar escrevendo o mesmo post duas vezes. Como a casa por lá já está minimamente organizada, peço a todos os leitores que, a partir de agora, direcionem seus browsers para o endereço www.solonbro.com, onde espero manter este blog até o fim de seus dias.

Por enquanto, ainda estou apanhando para aprender a mexer em PHP e nas entranhas do K2, então o template ainda deve passar por várias reformulações. Também não tive a oportunidade de testar todas as funcionalidades do blog, então não posso garantir que não haja bugs, e espero que as pessoas avisem se encontrá-los.

Ademais, o blog passa por uma certa mudança editorial que já deve ter sido notada por aqui nos últimos dias: posts tendem a se resumir a questões de tecnologia ou ciência, com eventuais comentários relacionados a jornalismo. Razão pela qual os arquivos daqui, dos tempos do blogspot ou do Insanus não serão transferidos para lá.

Adendo: acho que ninguém por lá entende português, mas acho bom deixar registrada minha gratidão ao pessoal do Blogsome, que permanece oferecendo um serviço de primeiríssima qualidade, gratuito, e ainda com excelente suporte quando alguma coisa não dá certo. De fato, a despedida não é completa, já que continuo escrevendo no PAlegre e no Replay.

August 23, 2006

se você é pedófilo, disque 1

Enquanto notícias da briga do Ministério Público de São Paulo com o escritório brasileiro da Google chegam ao Slashdot, o blog da empresa faz questão de lembrar de seu compromisso em combater a pedofilia. Já a Microsoft, anuncia uma inovação no MSN Messenger: um botão para denunciar pedófilos ou pessoas com atitudes suspeitas no programa de chat.

Acho a medida louvável, claro, mas não consigo deixar de imaginar o quanto crianças e jovens - que pelo menos no Brasil são importante parcela de usuários do programa - não vão usar método para sacanear algum amigo. No Orkut, não são poucas as histórias que já ouvi falar de pessoas indicando o perfil de amigos como sendo bogus apenas pela sacanagem.

Pelo que entendi, por trás do botão do MSN estará toda uma equipe de pessoas, inclusive policiais, especializada no combate à pedofilia. Talvez a possibilidade de ter um policial batendo à sua porta com uma gorda multa pelo trote possa servir para diminuir o ímpeto engraçadinho dos jovens. Mas, ainda assim, tenho minhas dúvidas sobre a eficiência do método.

links [23/08/06]

  • O site de Kevin Mitnick, talvez o mais famoso hacker do mundo e hoje consultor de segurança, foi hackeada;
  • ‘Weird Al’ Yankovic lançou o possível hino desta geração: Don’t Download this Song;
  • Bob Dylan diz que, nos últimos 20 anos, música é tudo uma merda;
  • Depois de recusar prêmio de US$ 1 milhão de dólares, matemático que demonstrou a conjectura de Poincaré também recusa a Fields Medal;
  • Tribunal Regional da Paraíba multa radialista por ter opinião;
  • Ministério Público de São Paulo agora quer multar Google Brasil em R$ 130 milhões.

ministro do trabalho das comunicações

O grande projeto de vida do ministro Hélio Costa é a definição da Lei Geral da Comunicação de Massa, que unificaria a legislação que trata de telefonia, Internet, televisão e rádio. Aparentemente, o assunto lhe preocupa tanto que ele está disposto a simplesmente impedir qualquer novo avanço tecnológico no país até que isto esteja resolvido, sempre evitando decisões puramente técnicas e garantindo o lado social do desenvolvimento.

Primeiro, demonstrou profunda preocupação sobre a hipótese de o governo começar a utilizar software livre em seus sistemas, dizendo que, devido a algumas preocupações, precisava de mais tempo para ponderar o assunto. Depois foi a TV Digital, que também precisa ser discutida em intermináveis painéis públicos, para que ninguém se esqueça da inclusão digital, ou use a tecnologia para enriquecer.

Mais recentemente, Costa se mostrou profundamente incomodado com a decisão da Anatel de fazer leilão para a exploração de Internet em banda larga através de redes sem fio de 3,5 GHz e 10,5 GHz (vulgo WiMax).

A agência, criada exatamente para que este tipo de coisa não ficasse à mercê dos interesses duvidosos de ministros e congressistas completamente ignorantes, manteve a decisão de fazer o leilão. Alegando, como sempre, a necessidade de discutir melhor o assunto, o ministro ameaça impedir o dito cujo através de uma portaria.

Hmm, tem mais alguma tecnologia nova na área de telecomunicações que ainda não foi implementada no Brasil? Ah, claro, redes de celular de terceira geração, ou apenas 3G. Não se preocupem, nosso sempre atento e preocupado ministro já está pronto para defender a sociedade, e garante que qualquer decisão sobre o assunto “não será apenas técnica“.

August 22, 2006

não assino embaixo

Dave Winer é uma figura um pouco controversa no mundo da tecnologia. Por um lado, é respeitadíssimo como programador, seu nome indissociável de coisas como o MS Office e o padrão RSS. Por outro lado, é tido por arrogante e pronto para chamar de ignorante qualquer pessoa que não concorde com suas opiniões. Um pouco como o Mark Cuban, é um cara que todos gostam de odiar.

Seu trabalho atual é com o uso de OPML para criar blogs como o dele, onde ao invés de um post atrás do outro temos uma série de pequenas notas, organizadas da maneira que o autor bem entender. Confesso que nunca entendi quais as grandes maravilhas que isso possibilita, mas a maneira com que Winer defende o formato demonstra que ele acredita se tratar de algo possivelmente tão importante quanto o RSS. Sendo ele quem é, eu não duvido.

Como todo bom programador, no entanto, ele gosta de achar outras coisas para fazer em seu tempo livre. Especialmente, ele gosta de criar programas para fazer algo que ele precisa e ninguém ainda pensou em fazer. O que tem me incomodado, é que suas duas últimas grandes batalhas envolvem duas tecnologias que eu não consigo achar que merecem muita atenção.

Primeiro foi a ressurreição de um diretório de podcasts, obviamente utilizando OPML. Eu sei que muita gente baixa podcasts, e que há até quem os ouça. Mas para algo que deveria ser revolucionário, que deveria ameaçar o rádio da maneira com que os blogs ainda metem medo em grandes jornais, eu não consigo ver muita gente adotando o formato e/ou fazendo coisas particularmente importantes com ele.

A outra coisa é o tal River of News, a idéia de um agregador que, ao invés de separar posts em grupos e ítens - como se fossem mensagens de e-mail - coloca tudo em seqüência, conforme a data, em uma só janela que o usuário vai lendo conforme bem entende.

O agregador que eu uso e recomendo para todo mundo até mostra posts agrupados em uma só página, como se fosse um jornal, ao invés de transformá-los em ítens. Mas, sinceramente, como alguém que assina 145 feeds que rendem uns 3000 posts por dia, eu jamais conseguiria lidar com um agregador puramente no estilo River of News. Inclusive, esta foi uma das razões para eu parar de usar o Bloglines.

Ultimamente, Winer tem se preocupado em tornar mais fácil a vida de quem quer ler notícias em aparelhos como o Blackberry. Sua solução? Claro, mostrar os sites em uma versão River of News. Por enquanto, já fez isso com o NY Times e a BBC. O próprio Dave Winer e outros já estão dizendo que este é um turning point na utilização de celulares e quetais para a leitura de notícias.

Agora, sinceramente, pra que ler notícias em um Blackberry, um Treo, um Motorola Q ou o que quer que seja? Que tal utilizar um PDA com uma tela decente ou, melhor ainda, um notebook? Verdade que nunca usei um destes smartphones - se a Tim quiser me dar um para resenhar, estou à disposição -, mas realmente não consigo ver graça nenhuma em usar um aparelho desses para surfar na web, ler blogs e sites de notícia. Mandar e receber e-mails já me parece um pouco absurdo.

Considerando o currículo de Winer, não me sinto capaz de dizer que ele está apenas puxando a sardinha para o seu lado. Mas, ainda assim, não sou capaz de dar a suas últimas cruzadas a mesma importância que ele costuma propagandear.

browser talks

Uma mensagem em um fórum de desenvolvedores da Mozilla deixou a comunidade de tecnologia em polvorosa hoje: trata-se de um convite oficial da Microsoft para que o pessoal da Mozilla participe de seus laboratórios a fim de melhor integrar Firefox e Thunderbird à nova versão do Windows. Não são poucos achando que o convite é um reconhecimento oficial do pessoal de Redmond em relação à qualidade do browser de seus competidores.

Curiosamente, hoje mesmo encontrei no Digg uma excelente comparação entre o Internet Explorer 7.0 e o Mozilla Firefox 2.0, que conclui que com todos os avanços no browser da Microsoft, dificilmente alguém que ainda não o fez irá se sentir tentando a experimentar o produto da Mozilla. Conclusão que me parece bem razoável, e que me deixa tão feliz quanto os autores em saber que o usuário padrão do Windows terá um programa muito melhor e mais seguro em suas mãos.

Tudo isso para dizer que, de maneira alguma, imagino que a idéia de pessoas como o Charles seja plausível. O desenvolvimento do Internet Explorer pode ser caro e não trazer grandes dividendos à Microsoft. Mas se fosse para se unir a outra empresa, a fim de “terceirizar” a produção de seu browser, já teriam feito isso nos tempos do Netscape. E se fossem fazer agora, tenho certeza que mais provável seria comprar o Opera.

Acho, sim, que este é só mais um passo na recente mudança de filosofia a acontecer em Redmond, que já rendeu a adoção do ícone padrão do RSS no Vista, a implementação de um formato de documento aberto no próximo Office, e a preocupação de dar suporte correto aos standards da W3C nas novas versões do IE. A Microsoft não chegou onde está hoje por ser incapaz de reconhecer as vontades de seus usuários.

De minha parte, mesmo positivamente impressionado pelos avanços do Internet Explorer, devo continuar a usar o Firefox por algum tempo. Estou acostumado demais com a maravilha das extensões criadas por seus usuários para me imaginar usando outro browser - e se o fizesse, provavelmente seria com o Opera, o mais adequado de todos aos padrões W3C. Mas também espero que a “reação” da Microsoft leve o pessoal da Mozilla a não se jogar nas cordas, e continuar fazendo o possível para melhorar seu produto.

links [22/08/06]

haja paciência

Depois de não sei quantos anos de discussões absolutamente infrutíferas, o governo brasileiro decidiu, este ano, adotar o já famoso “padrão japonês” para a TV digital a ser implantada no país. Assim, teremos uma espera de até 10 anos para finalmente termos acesso às vantagens que o sistema já leva para moradores de lugares como Japão, Inglaterra e Estados Unidos.

Ou não. Primeiro, há notícias pouco encorajadoras sobre a capacidade do mercado de alcançar o nível de produção previsto por lei. Além disso, todo mundo quer um pedaço do bolo e vive a reclamar que quer mais espaço na discussão da implantação do sistema no Brasil.

Mas pode ser que toda esta gritaria, no fim das contas, não sirva para nada. Afinal de contas, agora o Ministério Público - sempre ele - está querendo anular a escolha do padrão japonês, por uma série absurdamente grande de razões. Obviamente, a sanha regulatória de nossos três digníssimos poderes vai acabar é fazendo com que, quando a discussão tiver um fim, a tal “TV digital” já será algo do passado.

Poucos assuntos me deixam mais irritados com a incompetência e a ânsia de poder de nossos governantes e legisladores como este da TV digital. Cada vez que ouço falar em “transmissões de alta definição”, “interatividade” ou coisa que o valha, minha vontade é de fazer as malas e ir virar hamburguer em algum lugar minimamente civilizado, onde governantes estão mais preocupados em evitar que se leve pasta de dente em aviões.

August 21, 2006

Glauber Rocha do silício

Conheço várias pessoas que acham que têm idéias geniais sobre algum produto ou programa de computador, que lhes renderia uma fortuna se eles apenas soubessem como torná-los reais. Pois para quem acha que tem uma idéia original e genial para um software, Phillip Ryu está pronto para tornar seus sonhos realidade.

Resumindo, My Dream App é um concurso para eleger a melhor e mais original idéia de software que qualquer pessoa no mundo puder criar. Em uma primeira fase, três reconhecidos desenvolvedores de programas para Mac irão escolher as 24 idéias que acharem mais dignas de verem a luz do dia. Daí em diante, cabe aos participantes fazer o que acharem necessário para convencer os leitores do site de que sua idéia deve ser levada a cabo.

No fim, quem ganhar verá um grupo de desenvolvedores trabalhar para transformar sua idéia em um shareware para o Mac, e receberá uma participação nos eventuais lucros que ele gerar. Uma idéia na cabeça e um computador na mão, e você pode estar ao lado de Steve Jobs na próxima WWDC.

perpétuo embuste

Bom, a história já saiu no Guardian e no Yahoo! News, e em três blogs bastante respeitáveis - Slashdot, Boing Boing e Futurismic. Assim, nada mais justo do que eu passar a informação adiante: uma empresa irlandesa afirma ter descoberto o moto-perpétuo, uma máquina capaz de produzir mais energia do que gasta.

Obviamente, se fosse verdade, estaríamos diante de um evento mais importante do que a revolução industrial e não seria exagero falar em uma nova era. O único inconveniente, claro, é o fato de que o moto-perpétuo é uma impossibilidade física, que muitos já tentaram provar errada e falharam miseravelmente.

E, sinceramente, ter um site que parece o projeto de um formando de publicidade, cuja única informação “científica” é uma animação com três imãs e um círculo, não me parece a maneira correta de tentar provar à comunidade científica que você provou que uma das mais importante leis da física é uma bobagem.

segunda vida alheia

Há pouco mais de um ano, resolvi experimentar um pouco da vida em um mundo virtual, a fim de escrever uma matéria sobre o assunto para uma revista da faculdade. Queria algo que fosse gratuito, e que não envolvesse alcançar objetivos, o que acabou me levando a experimentar There e o então pouco conhecido Second Life.

Foram duas semanas de brincadeira, até que expirasse o tempo de teste (que hoje não existe mais para nenhum dos jogos, que eu saiba). Tempo suficiente para me enturmar um pouco, especialmente em There, que é muito mais voltado para a interação social e está cheio de “moradores” antigos prontos para ajudarem os novatos.

Desde então, tenho mantido algum interesse por este tipo de jogos multiplayer, acompanhando blogs e estudos dedicados ao assunto. Por algumas vezes, pensei em voltar a eles para ver o que acharia dos mundos, com o novo conhecimento sobre o assunto. Mas a verdade é que, além da depressão nerd de que já falei, sempre me pego pensando que aproveito muito mais ao ler posts e comentários de quem participa destes jogos, do que se eu mesmo voltasse a fazer parte deles.

Wagner James Au, por exemplo, é um respeitável jornalista de games, com anos de trabalho para a Wired, que há alguns anos entrou em Second Life para blogar sobre o que lá encontrava, com nítida influência do new journalism. Recentemente, ele esteve presente a uma conferência dedicada a este mundo virtual, e está contando sua história no Kotaku, já que o seu blog é dedicado apenas a coisas que acontecem in world.

Então, até mesmo a parte dos encontros em carne e osso está bem coberta, não deixando nenhuma necessidade de efetivamente gastar horas produtivas em um jogo que acaba sendo nada mais que uma enorme e complexa sala de chat. Se alguém mais aí já pensou em participar de algum desses jogos, recomendo que leiam, além do blog de Au, o Terra Nova e o SLOG.

blogando o fim do mundo

Mark Frauenfelder indica e eu assino embaixo. Signs of Witness é um blog dedicado aos inúmeros sinais do fim do mundo, conforme interpretados por crentes nas mais variadas religiões do mundo.

Alguns são, obviamente, bobagem, mas há outros difíceis de negar, como o voto de celibato de Paris Hilton. Só espero que, antes do fim dos dias, o autor do dito blog encontre alguém que possa dar uma melhorada em seu horrorendo template.

links [21/08/06]

  • Japoneses dançam a polka do Pokémon. Melhor país, já diria o Mojo;
  • Adam Sandler vai doar 400 playstations para crianças israelenses que sofreram com bombardeios durante a recente guerra com o Hezbollah;
  • Especialistas dizem que uma versão Linux do MS Office é “inevitável“. Duvido e faço pouco;
  • Parece que acharam o matemático que demonstrou a conjectura de Poincaré, pobre e morando com a mãe em um subúrbio de São Petersburgo. Sua humildade, no entanto, o impede de aceitar o prêmio milionário pela conquista;
  • Por falar em achar, um produtor australiano encontrou um rolo de filme do pouso da Apollo 11 na Lua, que a Nasa anda procurando desesperadamente, entre seu gigantesco acervo pessoal.

fala sério

Da Folha Online:

O governo chinês acusa a internet de provocar aumento no número de casos de assédio sexual no país.

Faltou completar com um “até o fechamento desta edição, a Internet não foi encontrada para responder às acusações”.

o fim do jornalismo

Quando trabalhava como redator no Terra, um de meus trabalhos quase que diários era fazer matérias sobre a lentidão do trânsito em São Paulo ao final da tarde. A função se resumia a conferir o mapa de fluidez da CET a cada meia hora, e fazer um update na matéria com os novos dados, a partir de um template já consagrado.

Não poucas vezes, eu reclamava à Larissa que isso era trabalho para macaco, ou que poderia ser substituído por algum script que gerasse os dados automaticamente. Obviamente, esta não era a única de minhas funções que podia ser entregue a um robô, e nem sou eu o único jornalista a já ter passado por situação semelhante.

Pois o pessoal da Thomson Financial, um grupo especializado em informações de negócios, se deu conta de que estava desperdiçando o talento de seus repórteres na criação de matérias contendo apenas dados básicos a partir de relatórios públicos de grandes empresas. Solução? Criaram um programa de computador capaz de escrever as mesmas matérias menos de um segundo depois de os relatórios serem publicados.

Fico imaginando o tipo de gritaria que isso causaria no sindicato dos jornalistas se alguém aplicasse o método aqui no Brasil. Eu, como sou sempre “do contra”, achei a idéia genial e espero, do fundo do meu coração, que a moda pegue mundo afora e este tipo de tecnologia se torne barato e popular entre grupos de comunicação.

August 20, 2006

a fazenda de buracos negros

grid wars

Sempre tive uma certa curiosidade em relação a Geometry Wars, para entender como um shmup com um visual retrô poderia ser o grande sucesso do sistema de distribuição de jogos via Internet do XBox 360. Especialmente porque vendo as telas do jogo, nunca consegui entender direito o que estava acontecendo no meio de tanta coisa.

Minha curiosidade foi renovada quando ouvi falar em Grid Wars, um clone que Marco Incitti havia feito para PC e Mac, usando um engine em Basic chamado Blitz. Mas com o envelhecimento cada vez mais agudo do meu computador, e a crescente falta de espaço em seus HDs, tenho sofrido de uma certa depressão nerd que se manifesta na falta de vontade em instalar novos jogos.

Enfim, a curiosidade acabou vencendo a depressão quando pulularam pela Internet notícias de que a Bizarre, criadora do Geometry Wars (originalmente um joguinho extra escondido dentro de Project Gotham Racing 3), tinha resolvido processar quem fizesse clones de seu jogo, a começar por Incitti. O autor tirou o download do jogo de sua página, mas outros blogueiros já haviam espalhado os arquivos e não tive grandes problemas em encontrá-lo.

Pois o jogo é tão bom que nem mesmo é preciso instalá-lo, basta descompactar o arquivo .ZIP em uma pasta, clicar no executável e sair jogando. E por “sair jogando”, entenda-se isso mesmo, porque o bichinho é tão intuitivo quando poderia-se querer de um jogo. Agora, três dias depois, posso afirmar que estou absolutamente viciado nesse simpático shmup.

Se alguém se interessar em jogá-lo, saiba que é possível usar uma combinação de teclado e mouse como controles, mas que como foi desenvolvido para ser usado com um gamepad com dois controles analógicos, este se torna quase obrigatório para apreciar melhor a jogabilidade. E quem achar que está fazendo muito poucos pontos, pode aumentar um pouco o campo de jogo (eu uso 1280x960) e deve ler o post do World of Stuart que eu linkei dois parágrafos acima, que dá algumas boas dicas de estratégia.

De qualquer jeito, fica a dica: quem gosta de um jogo que não precisa mais que cinco segundos para aprender a jogar, que não tem uma longa história ou intermináveis quebra-cabeças a serem desvendados, ou é um fã de shmups, deve experimentar este jogo muitíssimo bem pensado. Garanto que ficarão viciados como eu.

August 18, 2006

Orkut, o comedor de criancinhas

Não é incomum ouvir ou ler alguém, aqui no Brasil, fazendo pouco do puritanismo do povo norte-americano, ainda mais considerando o presidente e o grupo de homofóbicos fundamentalistas cristãos a ocupar a Casa Branca atualmente. Quando o mesmo tipo de irracionalidade e provincianismo acontece por aqui, no entanto, é muito improvável que o assunto renda um editorial em jornal de prestígio, ou uma coluna de opinião que seja.

A edição desta sexta-feira do Jornal Hoje noticiou, com algum atraso, um destes casos que ainda está a se desenrolar em salas e tribunais do Legislativo e Judiciário brasileiros: a briga do Ministério Público e da patrulha anti-pedofilia contra a Google por causa do uso do Orkut para a prática de crimes.

Como em todos os casos do tipo, a preocupação dos bastiões da moral e dos bons costumes começou assim que a rede de relacionamentos se tornou quase que unanimidade no Brasil. Em maio de 2005 a Folha de S. Paulonoticiava a ação da polícia de São Paulo contra o fundador de uma comunidade racista no Orkut.

Este ano, como se podia esperar, a coisa passou da esfera de processar e prender estes criminosos, para cobrar explicações do escritório brasileiro da empresa sobre como pode deixar pessoas cometerem este tipo de crimes. A Google Brasil explicou - e continua a explicar, cada vez que o assunto volta a ser levantado - que os servidores com as informações que a polícia e o MP querem ficam nos EUA e que, para acessá-los, deveriam encaminhar as ordens à Google Inc.

Bom, mas aí a coisa complica, porque trataria de processar uma empresa norte-americana, em país onde existe aquela inconveniente Primeira Emenda que protege até mesmo discursos racistas. Não, o procurador regional dos Direitos do Cidadão no Estado de São Paulo, Sérgio Gardenghi Suiama, arranjou uma saída melhor: utilizar o “modelo chinês”, isto é, transferir os servidores e os dados relacionados ao Orkut para o Brasil, para que possam ser facilmente acessados cada vez que o judiciário brasileiro assim julgar conveniente.

Sim, um procurador de “direitos do cidadão” sugeriu a implantação de um acordo com a Google que se pareça com aquele feito na China, aquela ditadura comunista que obriga o serviço de busca a não listar nenhum site relacionado ao Tibete, por exemplo. Isso para não entrarmos na questão de quanto dinheiro estaria envolvido neste tipo de operação.

Agora, segundo a matéria do Jornal Hoje, o Ministério Público está cogitando solicitar o fechamento do escritório da Google Brasil, por não cooperar com a Justiça. Claro, porque nada melhor para conseguir sua ajuda e boa vontade do que chutá-los para fora do país - mesmo depois de eles explicarem algumas centenas de vezes que os pedidos devem ser encaminhados para os EUA - e garantir que tudo relacionado ao Orkut continue em Mountain View, bem protegido pelas leis norte-americanas.

Antes de alguém dizer que estou fazendo uma tempestade em copo d’água, que o Ministério Público está correto e legalmente amparado em ir atrás de racistas e pedófilos, pensem no que aconteceria se fosse o sr. Alberto Gonzáles a pressionar a empresa para que divulgasse IPs de usuários de seus serviços. Algo me diz que o caso receberia um pouquinho mais de atenção.

links [18/08/06]

play it again, sam

Quase todo mundo que eu conheço que já ouviu falar no TiVo, gostaria que existisse coisa parecida no Brasil. Muita gente não sabe, mas existe: Sky +. Tem todos os recursos de gravação, pular comerciais ou pausar programas ao vivo que todo mundo quer, e ainda com som Dolby Digital 5.1 e algumas transmissões em widescreen.

A razão pela qual pouca gente conhece o serviço, creio eu, é o fato de que, ainda que a mensalidade seja quase a mesma do serviço comum da Sky, o equipamento necessário custa R$ 1.299, contra R$ 399 da versão normal.

Outra coisa que muita gente, por aqui, parece não saber é que o TiVo é um equipamento independente do serviço de TV por assinatura. A grosso modo, é um vídeo-cassete digital que fica no meio do caminho entre a televisão e o decodificador da Net ou coisa que o valha. O segredo todo está no software do bicho, e no fato de ter acesso a um banco de dados com as programações atualizadas de todas as operadoras de TV por assinatura.

E é este último quesito que me deixa puto da cara, porque é ele que torna inútil, aqui no Brasil, algo como esses media centers que usam MythTV para fazer as vezes de personal video recorder. Obviamente, a Sky não teria interesse nenhum em cooperar neste sentido, porque correria o risco de estar perdendo clientes de seu serviço premium. E a Net, sua única competidora, parece estar meio atrasada demais para se preocupar com esse tipo de coisa.

No fim das contas, espera-se, é tudo questão de tempo até que este serviço da Sky+ fique mais barato, ou que algo semelhante ao TiVo apareça por aqui. Ou não, já que em 2003 o Terra noticiava que “TiVo e Replay TV estão chegando ao Brasil“.

August 17, 2006

links [17/08/06]