um pingüim muito louco

Quando assisti a La Marche de l’Empereur, pensei em escrever uma resenha por aqui. “Só um louco verá, por uma hora e meia, o absurdo ritual de acasalamento e reprodução dos pingüins imperadores e sairá (do filme) ainda acreditando em intelligent design“, diria o início do lead. Pois imaginem a minha surpresa ao ler isso:
At a conference for young Republicans, the editor of National Review urged participants to see the movie because it promoted monogamy. A widely circulated Christian magazine said it made “a strong case for intelligent design.”
Como é? Parece que, realmente, as pessoas usam o que está a seu alcance como forma de confirmar suas idéias pré-concebidas. Não que eu pense que este belo filme seja prova evidente da evolução “acidental” das espécies, mas imaginar que algo tão absurdo e ilógico quanto a reprodução destas aves é prova da existência de um Ente maior é muita boa vontade.
Mas, independente de crenças pessoais sobre o surgimento da vida na Terra, a Marcha é altamente recomendável. Narrado como se pelos próprios pingüins, é mais um episódio na aproximação dos documentários da linguagem do cinema de ficção. A fotografia é belíssima, e o texto capaz de nos fazer acreditar que aquelas aves de minúsculos cérebros realmente estivessem nos contando sua história.
Os mais emotivos, ou que se derretem por animais fofinhos, vão chorar e torcer enquanto os pingüins encaram meses de jejum, longas marchas pelo gelo interminável da Antártida e o absurdo malabarismo de manter um ovo entre as pernas e as penas para protegê-lo do tenebroso frio. Os menos emotivos irão ficar impressionados em como um documentário pode ser, também, uma excelente história de vida e morte.
Os conservadores irão lamentar que ainda não bateu a marca de Fahrenheit 9/11 como documentário de maior bilheteria da história. Marxistas irão reclamar da falta de menção ao impacto do aquecimento global sobre a reprodução e população dos imperadores. E chatos irão comentar sobre a falta de maiores informações sobre os mistérios que envolvem o comportamento dos simpáticos pingüins. Mas dificilmente alguém achará que não valeu o ingresso.
