November 7, 2005

pelo menos não é o moto-perpétuo

Randell Mills, a Harvard University medic who also studied electrical engineering at Massachusetts Institute of Technology, claims to have built a prototype power source that generates up to 1,000 times more heat than conventional fuel. (…) The problem is that according to the rules of quantum mechanics, the physics that governs the behaviour of atoms, the idea is theoretically impossible.

O jornal britânico The Guardian mantém uma coluna semanal chamada “Bad Science”, dedicada a demonstrar como se faz bobagem nesse mundo em nome da ciência. Há cerca de dois meses, a coluna fez um excelente apanhado de como a péssima cobertura de ciência em jornais e agências de notícias ajuda a proliferar essas bobagens.

Infelizmente, a matéria de onde tirei a citação acima foi publicada pelo mesmo Guardian na última sexta-feira, mas não na coluna “Bad Science”. Acabaram eles próprios dando um exemplo de tudo aquilo que haviam criticado em outros jornais e publicações.

Reza a lenda que Einstein nunca conseguiu aceitar completamente a teoria quântica, embora tenha se dobrado às evidências de um interminável corpo de experimentações que a comprovavam e, ainda hoje, comprovam. O que não quer dizer que não possa haver falhas na mesma, obviamente. Mas que tenha previsto com rara eficiência inúmeros fenômenos físicos, e que tenha sido utilizada na criação dos mais variados produtos, é boa indicação de que ela não é teoricamente impossível.

Além disso, a teoria desenvolvida pelo dr. Mills é notícia antiga. Tem sido desconsiderada desde então, por um número considerável de pessoas com todo conhecimento possível na área, como sofrendo de várias falhas em suas considerações matemáticas. O que não me espantaria, considerando o quão complicada dizem ser a matemática envolvida em física quântica. Nada disso, no entanto, quer dizer que seu protótipo não exista conforme anunciado.

Hoje em dia, a física newtoniana é tida como uma simplificação adequada para fenômenos ocorridos em nosso mundo macroscópico. Ainda assim, continua sendo utilizada para coisas razoavelmente complicadas, como calcular trajetórias de lançamento de naves espaciais ou satélites.

Em 1997, o dr. Mills dizia que sua tecnologia estava a alguns anos de poder ser posta em uso. Oito anos depois, ele diz que faltam pelo menos mais quatro anos para que isso aconteça. Parece que a NASA testou a tecnologia no início da década de 90, e os resultados “não foram conclusivos“. Ainda assim, já que ele e tantos outros parecem convencidos da viabilidade do projeto, resta-nos esperar pelo produto final.

Assim como a física newtoniana eventualmente deixou de ser capaz de explicar ou prever determinados fenômenos, o mesmo pode acontecer com a física quântica. Seria o caso, na eventualidade do dr. Mills ter um produto que funcione conforme previu. No entanto, não significaria de maneira alguma a negação de décadas de estudos e experimentações no campo, mas apenas a necessidade de rever teorias frente a novos fenômenos.

10 Comments »

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  1. solon, por que tu não faz um post explicando um pouquinho mais pros ananás aqui essa história da física de newton ‘ter caído’. quer dizer, muita gente diz isso, sabe?, que a mecânica já era. e nós sabemos que não é bem assim. só que, bem, eu não sei explicar porquê. acho que tu sabe. hein hein?

    Comment by maria madureira — November 7, 2005 @ 3:29 pm

  2. não precisa um post, nem precisa explicações mirabolantes. acontece que o estudo da física chegou em determinado ponto em que a física newtoniana não era mais capaz de prever ou explicar determinados fenômenos observados por estudiosos.

    no campo da astronomia, do estudo de grandes corpos celestes, estrelas, buracos negros e quetais, trabalha-se com a física relativista. para o estudo de interações em níveis atômicos, utiliza-se aquela coisa esquisitíssima que é a física quântica.

    a mecânica newtoniana, no entanto, continua sendo perfeita para lidar com o nosso mundo do dia-a-dia. como eu disse, ela continua sendo utilizada para coisas como o lançamento de naves e satélites ao espaço, sistemas de navegação de aviões e assim por diante.

    o “problema” dela é que lida com muitas idealizações e simplificações. tudo sempre é tratado em termos de sistemas fechados, simples, em condições ideais. lembra das tuas aulas de física no colégio? tudo sempre envolvia duas ou três forças apenas, sempre era no vácuo absoluto ou em uma situação sem atrito, enfim, sempre em condições “ideais” que não acontecem no mundo real.

    mas para coisas “banais” como recriar um acidente de carro a partir de marcas de pneu no asfalto e a posição final dos carros, ela continua sendo perfeita. não indo aos extremos em que precisamos utilizar a relatividade ou a mecânica quântica, o trabalho do Newton continua extremamente útil.

    não é por nada que qualquer pessoa séria, se perguntada sobre quem foi o maior cientista de todos os tempos, responderá que foi sir Isaac Newton.

    Comment by Solon — November 7, 2005 @ 3:48 pm

  3. e o lance de que não existe matéria?

    Comment by maria madureira — November 7, 2005 @ 5:29 pm

  4. hein? não sei do que estás falando.

    Comment by Solon — November 7, 2005 @ 5:32 pm

  5. então matéria existe?

    Comment by maria madureira — November 7, 2005 @ 5:42 pm

  6. tu não tá confundido filosofia com física, não? que eu saiba, negar a existência da matéria é coisa de idealistas filosóficos. mas até onde eu entendo, negar a existência da matéria seria negar a física como ciência.

    Comment by Solon — November 7, 2005 @ 5:51 pm

  7. já ouvi que é tudo energia. nada a ver com filosofia, acho que me falaram que tinha a ver com física quântica. enfim, eu sou uma ananá nessas coisas. só queria me esclarecer.

    Comment by maria madureira — November 7, 2005 @ 6:05 pm

  8. Negar a existência da matéria é coisa de Fritoj Capra e adeptos dos Estudos Culturais. Quando o Sokal revelou que seu artigo era uma farsa, os editores da Social Text chegaram a escrever um editorial para um grande jornal diário americano se defendendo e dizendo, entre outras coisas, que acreditavam sim na existência de um mundo exterior.

    Comment by Cisco — November 7, 2005 @ 6:10 pm

  9. Maria: seria melhor perguntar isso pr’alguém com conhecimento formal na área, o que obviamente não é o meu caso. Mas até onde eu entendo, tu pode estar falando de alguma de duas interpretações errôneas costumeiras, uma relacionada à física quântica e outra à relativista.

    Uma das fundações da física quântica, e uma de suas maiores revoluções, foi dizer que a matéria pode se comportar como partículas e energia ao mesmo tempo. Há quem derive daí, erroneamente, que partículas e energia são a mesma coisa. Não é o caso.

    Na física relativista, a idéia vem de uma interpretação errada do famoso E=mc^2. Há quem diga que, assim, basta acelerar um objeto com massa à velocidade da luz que esse objeto se transformará em energia. E que, portanto, ambos são a mesma coisa.

    Não é nada disso. Afinal, uma das premissas básicas da relatividade é que nenhum objeto com massa pode ser acelerado à velocidade da luz. A equação serve para ditar a transformação de massa em energia (através de colisões entre matéria e anti-matéria, por exemplo), e vice-versa. Mas elas não são, de maneira alguma, a mesma coisa.

    Lembro que eu sou um absoluto leigo no assunto, e que tanto a física relativista quanto, ainda mais, a física quântica, é recheada de idéias complicadas e que resultam em inúmeros entendimentos equivocados. E, mais ainda, são campos da física que estão em pleno desenvolvimento, e têm avanços e adaptações todo dia. Portanto, é bem possível que o que eu disse esteja defasado ou até errado.

    Mas, de qualquer jeito, não só desconheço interpretações “qualificadas” de qualquer teoria atual da física que considere a matéria como inexistente, ou mesmo como apenas uma forma de energia, como entendo que a idéia negaria a física enquanto corpo de estudo científico.

    Comment by Solon — November 7, 2005 @ 7:02 pm

  10. Quando um estudante de budista começou a dizer ao seu mestre que a matéria não existe, o mestre tirou a sandália de madeira do pé e deu na cara dele. Melhor resposta.

    Comment by Parada — November 7, 2005 @ 10:03 pm

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