jesus, joey!

Há algum tempo atrás falei sobre a boa leva de adaptações de HQs que andavam chegando aos cinemas ultimamente. Pois nesta quarta-feira saí do cinema com a nítida sensação de ter assistido à melhor de que tenho notícia.
Marcas da Violência é provavelmente a produção mais coesa que David Cronenberg já filmou. Não há aqui nenhum toque de surrealismo, nenhuma premissa fantástica para suscitar a trama. Um pacato pai de família em uma idílica cidade interiorana dos EUA reage a um assalto à sua lanchonete, uma noite, e acaba transformado em herói nacional pela mídia. Logo surgem alguns mafiosos dizendo terem contas para acertar com o homem, que por sua vez diz nunca tê-los visto mais gordos.
Não li a graphic novel de onde esta história foi retirada, mas a julgar por descrições de terceiros, esta premissa é usada para desencadear um exagerado banho de sangue como só HQs (e o Robert Rodriguez) sabem fazer. Em sua encarnação cinematográfica, no entanto, o que temos é um estudo de caráter e um típico thriller psicológico, onde pouco importa a violência física, mas sim a violência que é levada para as relações de uma família até então perfeita.
Inclusive, é em mostrar o quanto a família Stall é perfeita que Cronenberg perde um pouco a mão. Verdade que há algum tempo não via o sexo tratado de maneira tão agradável e sem frescuras como neste filme, mas o tempo gasto em seu início para mostrar o cotidiano ordinário desta família absolutamente funcional é maior que o necessário. Mas quando se pensa em olhar o relógio, Ed Harris e seus capangas entram na lanchonete de Tom (que segundo eles se chama Joey), e o filme entra nos trilhos.
É difícil não ficar nervoso ou apreensivo enquanto se vê o efeito devastador do súbito choque de violência sobre esta família. E é impossível não ficar espantado com a qualidade das performances de todos os atores envolvidos, notadamente Viggo Mortensen, Ed Harris e William Hurt. Este, em especial, aparece por uns cinco minutos apenas, mas é tudo que precisa para se tornar o personagem mais memorável da história.
E mais fantástico é assistir a tudo isso e se lembrar que foi baseado em uma HQ preocupada com sangue e guerras entre mafiosos. Ainda bem que John Olson resolveu fazer um roteiro pouquíssimo fiel à fonte original, e que Cronenberg só ficou sabendo da existência da graphic novel depois de iniciar a produção, e ao lê-la só se convenceu de que não era nada daquilo que queria filmar.
- cinema | Time: 4:44 am

jesus, richie!
Acabo de perder um post grande no meu blog. O primeiro em muito tempo falando de cinema. Mas é isso aí, fora a afirmação “o tempo gasto em seu início para mostrar o cotidiano ordinário desta família absolutamente funcional é maior que o nece…
Trackback by Cafeína — November 10, 2005 @ 5:46 am