energia daltônica
Ontem, a Folha Online publicava a seguinte informação:
O Brasil deve encarar o esgotamento de fontes hidrelétricas e também de petróleo como oportunidade para desenvolver seu potencial na área de agroenergia. A avaliação foi feita pelo secretário de Planejamento e Desenvolvimento Estratégico do Ministério de Minas e Energia, Márcio Pereira Zimmermann.
Na onda da energia verde, o Brasil aposta em especial no biodiesel feito a partir de óleo de soja para entrar no mercado internacional e diversificar as fontes de energia do país. Uma lei já aprovada obrigará a mistura de 2% de biodiesel ao diesel combustível a partir de 2008 e de 5% a partir de 2013. A previsão, como diz a matéria, é que a capacidade instalada atualmente não seja capaz de suprir sequer a demanda interna quando chegar 2008.
Enquanto isso, diz a New Scientist:
The drive for “green energy” in the developed world is having the perverse effect of encouraging the destruction of tropical rainforests. From the orang-utan reserves of Borneo to the Brazilian Amazon, virgin forest is being razed to grow palm oil and soybeans to fuel cars and power stations in Europe and North America. And surging prices are likely to accelerate the destruction.
Para quem não sabe, o governo Lula já alcançou o segundo lugar na história em termos de desmatamento da Amazônia, ficando atrás apenas do primeiro ano do governo de Fernando Henrique Cardoso. Maior responsável pelo desmatamento? A soja. Será apenas coincidência que a maior parte do desmatamento ocorre no estado do Mato Grosso, cujo governador Blairo Maggi é o maior produtor individual de soja do mundo?
- política (BR), ambientalismo | Time: 10:38 pm

Soja porque o custo de produção é mais barato mas também mamona, dendê e girassol. Por isso que os Rossetos também são favoráveis ao biodiesel porque vêem nele um incentivo para a agricultura familiar no Nordeste.
Agora bem que o Greenpeace poderia se dar ao trabalho de usar uma medida única no mesmo texto. Ou quilômetros quadrados ou hectare. A grande população vê com muita credibilidade as informações da ONG, mas que tem vezes que parece propositalmente deixar a informação bem confusa. Nesse caso, a responsabilidade do Maggi é mais pelo fato dele ser governador daquele estado do que por seus plantios.
Comment by Alvaro — November 24, 2005 @ 1:45 pm
Quanto ao Maggi, obviamente a responsabilidade é por ele ser o governador do Estado. mas o fato de ele ser o maior produtor individual de soja torna ainda mais suspiciosa sua inação enquanto governador, não?
E as diferenças de unidades no texto do Greenpeace não me incomodaram, sinceramente. Eles só falam em hectares nas notas, quando se referem a levantamentos alheios.
Comment by Solon — November 24, 2005 @ 4:08 pm
O segundo parágrafro abre dizendo que 12 mil Km2 foram desmatados e fecha dizendo que o Maggi tem 170 mil ha (ou 1,7 mil Km2). E estabelece uma relação direta entre os dois dados que não considera o fato de que o MT (e as áreas do Maggi) é muito mais Cerrado do que Amazônia.
Os erros dele são pelo seu governo de fato. Ele é desenvolvimentista ao quadrado e foi eleito prometendo avançar a economia do estado, mesmo que tivesse que ir pra cima das florestas. E a lei permite o “desmatamento legal” de um determinada parte da floresta (20% se não me engano). É legal, mas é uma paulada na preservação.
A briga do Greenpeace na Amazônia é boa, mas eu não gosto da forma como eles atuam. Proncipalmente nessa parte da comunicação com o público.
Comment by Alvaro — November 25, 2005 @ 4:07 am
desculpa pelo anti-spam que matou teu comentário original. depois eu dou uma conferida nos links.
quanto ao Greenpeace, também tenho minhas restrições a eles, mas eles são ótimos para chamar atenção para questões interessantes. foi por razão parecida que coloquei o link para uma matéria deles e não d’algum jornal ou instituição mais “equilibrada”, tipo a WWF.
e quanto à questão do “desmatamento legal”, bom, esse é todo o problema, não? heh. em troca de “energia verde”, se está desmatando a maior floresta tropical do mundo. não me parece algo que faça muito sentindo (independentemente de se ser favorável ao desmatamento em nome do desenvolvimento ou não).
Comment by Solon — November 25, 2005 @ 4:15 am