2046

O Láudano disse que não é um filme para quem gostou de Lost in Translation. Já o Firpo, fã do diretor mais mala da face da Terra, diz que é o filme mais chato a que já assistiu, algo reservado para “masoquistas empedernidos“. Discordo de ambos.
Não sei quais foram as razões para a comparação do Láudano, mas também vejo semelhanças entre os temas das duas obras. Tédio, intensas paixões platônicas e relações mancas que não chegam a lugar nenhum. E enxergo, igualmente, diferenças fundamentais na maneira com que os assuntos são vistos: meiga e otimista naquele, cínica e um pouco pessimista neste. Nada disso, no entanto, me impediu de admirar e gostar bastante de ambos os filmes.
Do Firpo, então, discordo de maneira veemente. Posso concordar que o filme, em certos momentos, se parece apaixonado demais consigo mesmo, e exagera na duração de alguns takes ou situações. Mas certamente já vi coisas muito piores (a começar por Ondas do Destino, esse sim o filme mais chato a que já assisti), além de que o ritmo lento se encaixa muito bem com o clima da história e dá força à aparente falta de direção dos personagens.
No fim das contas, achei 2046 um grande filme, ainda que não compartilhe de todo o entusiasmo do sr. Ferrari. São bons personagens, e desconfio de quem disser não se importar com o destino de pelo menos um deles. A fotografia é lindíssima, e por mais pedante ou afetado que possa parecer o roteiro, tudo é costurado de maneira inteligente e agradável (bem mais do que se pode dizer de outros filmes igualmente pretensiosos).
Um ótimo tratado sobre o amor, que recomendo a qualquer pessoa que goste de um bom drama e não tenha medo de filmes lentos. Ah, sim, e a trilha sonora é das melhores que já ouvi em muito tempo.
- cinema | Time: 12:34 pm

Bom, a “diatribe” começou com uma resenha que é, no mínimo, hum, ponha seu adjetivo. Logo depois de ver o filme fui procurar as críticas - imaginava que iam ser algo no estilo raivoso - xingando de CINEASTA FRANCÊS, Caetano Veloso e coisas assim (xingar de pintor francês, caetano veloso, arnaldo jabor ou puxar o cabelo é contra as regras). E eram.
http://cinema.terra.com.br/ficha/0,,TIC-OI5708-MNfilmes,00.html
Comment by Láudano — January 23, 2006 @ 4:30 pm
pois é, não sei o que é pior, se uma agência de notícias escrevendo resenha cinematográfica, ou alguém tendo a coragem de publicar a resenha em um portal de notícias.
Comment by Solon — January 23, 2006 @ 5:41 pm
É que ninguém mais produz notícias (e, mais recentemente, nem opinião). Produzem é valor para os acionistas.
O Yahoo!, mais radical, é 100% agências. Não admira que ninguém mais leia jornais (leitores de jornal, espécie em extinção) e que a audiência dos portais tenha diminuído bastante, no percentual, nos últimos anos.
Não acho que blogs serão o caminho, mas coisas como a NoMínimo, a antiga Fraude ou a Gonzo são o que tem mais cara de, no longo prazo, acertar a mão no quesito conteúdo.
E, sim, o Lars Von Trombone é chato, mas o Tarkovski e o Eric Rohmer (esse, um HIT entre gordinhas cinéfilas) são competidores quase insuperáveis (espero que o Firpo não fique chateado com essa última).
[]’s
Comment by Láudano — January 23, 2006 @ 7:55 pm
Solaris é o segundo filme mais chato que já vi na vida. eu só mantenho um resquício de esperança quanto ao Tarkovsky por causa da afirmativa categórica do Giba Assis Brasil de que deve-se assistiar aos filmes no cinema.
ele disse que tentou assistir a filmes do Tarkovsky em VHS por três vezes, e acabou dormindo nas três, mas que no cinema os filmes são fantásticos. como respeito bastante a opinião dele, e ele ainda concordou que os filmes são chatíssimos em VHS, vou deixar a para ter uma opinião definitiva depois de ver algo numa Casa de Cultura da vida, um dia.
do Rohmer, que eu saiba, nunca assisti a nada.
e quanto à produção de conteúdo, concordo quanto às revistas eletrônicas. e pelo que já li e o pouco que fucei no tal de Newsvine, parece ser bastante promissor.
Comment by Solon — January 23, 2006 @ 7:59 pm
Sempre quis assistir Solaris e Stalker no cinema, acho que por aqui nunca passou.
Ah! Andrei Rublev é muito bom tb, tenho em DVD.
Comment by Patrick — January 24, 2006 @ 1:12 am
In love you can’t bring on a substitute
O Solon e o Ludano fizeram boas resenhas, mesmo discordando em algumas coisas. Alis, fora bobagens de agncias, qualquer pessoa que escrever um texto semelhante a outro sobre o filme no aproveitou nem um centmetro do que ele oferece….
Trackback by Big Muff — January 27, 2006 @ 11:31 am
“(…) desconfio de quem disser não se importar com o destino de pelo menos um deles”.
Bah, essa é a tagline que define tudo. Parabéns.
Comment by Bruno Galera — January 27, 2006 @ 11:35 am