por que não leio mais a Slate
Há cerca de um mês, em sua coluna sobre os males do jornalismo na Slate, Jack Shafer reclamava da fixação de leitores e, por conseguinte, de editores de revistas com edições de aniversário. Ao fim do texto, no entanto, ele comenta que:
In the interest of disclosure, I must mention that the mad maw of anniversary issues events will swallow Slate this summer as it turns 10. We will venerate ourselves with a best of Slate book, imaginatively titled The Best of Slate, a hellzapoppin special 10th-anniversary issue, and a 3D forum in New York City in which a virtual Michael Kinsley will leap nude out of a real cake. We’re having a real Kinsley jump out of a virtual cake for our 11th-anniversary waltz.
Neste parágrafo está resumido todo o espírito da Slate: ser ranzinza e do contra, mas com um pouco de humor. Pois conforme ameaçava Shafer, quem for ao site da revista verá que ela está em plena celebração de seus dez anos. Uma das maneiras engraçadinhas e do contra que encontraram para celebrar a data foi convidar pundits conhecidos por serem ferrenhos críticos da publicação, para que nela publicassem artigos em que resumem sua(s) bronca(s) em relação à revista.
Particularmente, sempre me identifiquei com esse espírito ranzinza e do contra, bem como com o sarcasmo que costuma permear seus artigos e matérias. Assim, por muito tempo, conferir a Slate era uma das primeiras coisas que eu fazia ao sentar em frente ao computador no começo do dia. De um tempo para cá, no entanto, comecei a achar o clima de “do contra” exagerado, especialmente depois que a revista passou das mãos da Microsoft para o Washington Post.
Assim, acabei parando de acompanhar a revista e, não fosse por tropeçar nas indicações do Francisco, nem teria ficado sabendo dessa seqüência de críticas a ela própria. Pois fiquei bastante feliz ao ler a crítica de Jonah Goldberg, que reclama exatamente das coisas que acabaram me fazendo parar de ler a Slate:
Contrarianness is a great and good thing—when driven by reason and facts. But contrarianness for its own sake is often the very definition of asininity.
Recomendo, em especial, o parágrafo dedicado a demonstrar como Jacob Weisberg, atual editor da revista, é apenas um pirralho mimado e polemista. Só lamento que ele não tenha dedicado algumas linhas a Shafer, para mim a epítome da pessoa que é do contra só pelo prazer de sê-lo.
As críticas de Eugene Volokh também são bastante procedentes, ainda que pareçam se aplicar quase que exclusivamente à coluna dos Bushismos, editada pelo mesmo Weisberg que diz não precisar checar fatos. Já que ele falou de questões técnicas e de melhor utilização da mídia online, no entanto, não posso deixar de desejar que ele tivesse mencionado o quão ruim e cheio de bugs é o feed RSS da revista. Se esse funcionasse, mesmo não gostando mais da dita cuja como gostei no passado, eu continuaria a acompanhá-la.
- jornalismo | Time: 2:00 am

Pelo que entendo da posição de Weisberg, ele não é contra a checagem de fatos. Ele só acho que isso é uma tarefa do próprio jornalista, e não do editor — e que as falhas dos jornalistas acabam sendo corrigidas pelos próprios leitores. Isso não é a mesma coisa que dizer que fatos não precisam ser checados.
Comment by Cisco — June 20, 2006 @ 11:19 am