June 22, 2006

invejinha

Já avisei lá no PAlegre: o grupo de blogs -ist chegou ao Brasil com o Sampaist, tratando da terra da garoa. Espero que seja apenas o primeiro de muitos blogs “profissionais” dedicados a cidades brasileiras. Quem dera eu tivesse como fazer algo remotamente parecido sobre nossa capital gaúcha.

24 dias em Brasília

Brasilia has always been a city of opportunity, and while its creation has undoubtedly helped open up the interior, it remains engagingly bizarre.

É engraçado como esta matéria no Telegraph poderia ter sido escrita por um brasileiro de qualquer parte do país em sua primeira visita à capital federal. Não falo isso como um elogio à capacidade do repórter em questão de entender a cidade, mas sim como uma crítica à população em geral pelo aparente desinteresse em conhecer a única cidade moderna a ser considerada Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco.

Mas, mesmo tendo sido esta minha quarta e mais duradoura ida à cidade, ainda assino embaixo da frase acima: Brasília é uma cidade bizarra. O primeiro estranhamento, claro, são o trânsito e os endereços. Quem ler a matéria verá que o sr. Nigel Tisdall ficou em um hotel no SHN Q 02 Bl E, o que parece linguagem de máquina ou algo assim. Ele esquece de mencionar, no entanto, que trata-se de uma abreviação: Setor Hoteleiro Norte, Quadra 02, Bloco E.

As abreviações mais importantes aprende-se rapidamente, por uma questão de necessidade: SHS e SHN (Setor Hoteleiro), SCS e SCN (Setor Comercial), SBS e SBN (Setor Bancário), SQS e SQN (Superquadra - as Asas), SHIS e SHIN (Setor de Habitações Individuais - os Lagos) e por aí afora. Como pode-se notar, tudo em Brasília é separado por setores, portanto há o Setor de Autarquias, Setor de Áreas Isoladas, Setor de Mansões, Setor de Embaixadas, Setor de Indústrias Gráficas (onde ficam todos os jornais da cidade), mas essas coisas descobre-se o lugar conforme a necessidade.

O segundo passo para se começar a entender Brasília, e que mereceria um post especial, é o trânsito. Trata-se de uma cidade com pouquíssimas sinaleiras, ruas muito largas (entre elas a mais larga do mundo, segundo o Guinness) e engarrafamentos quase inexistentes. Para isso, no entanto, existe um sistema de viadutos e retornos conhecido como “tesourinhas” que, para iniciantes no assunto, parece ter sido bolado especificamente para fazer o motorista se perder.

Imagino que qualquer pessoa concorde comigo que conhecer minimamente a geografia de uma cidade, e saber nela locomover-se, são os pré-requisitos básicos para se começar a pensar em conhecer a dinâmica de vida na dita cuja. Em Brasília, pode-se demorar uma semana inteira até se angariar confiança suficiente para sair com o carro na rua sem medo de se perder.

Sendo persistente e vencendo esta barreira inicial, começa o verdadeiro processo de amor e ódio pela capital. O normal, especialmente de pessoas vindas de cidades mais tradicionais e cosmopolitas como Rio ou São Paulo, é gastar todo o salário no fim do mês para fugir de lá e passar um fim de semana com a família. Outros, como eu, chegam ao ponto de achar que trata-se do melhor lugar para se morar no Brasil.

Morar em Brasília, como em São Paulo, significa ganhar minimamente bem. Mas ao invés de ter que se preocupar em morar perto do trabalho, para evitar o trânsito ao máximo, é preciso pensar em conseguir morar na cidade (ao invés de alguma cidade satélite) e sustentar um carro (pois a vida de pedestre por lá é um martírio).

Afora moradia e o gasto com gasolina, no entanto, o custo de vida em Brasília não é muito maior que o de Porto Alegre. Há duas grandes diferenças, apenas: primeiro, que o mercado é muito mais promissor e pode-se arranjar empregos que pagam muito melhor; e segundo que como trata-se da cidade com a maior renda per capita e o melhor nível de vida do país, se tem uma variedade de comércio, gastronomia e cultura “de luxo” bem maior.

Trata-se de uma cidade com amplos espaços verdes, que ainda pode crescer muito mesmo antes de começar a se tornar um lugar desagradável. Embora sua orla pudesse ser melhor utilizada, o lago Paranoá também garante que a cidade terá belas vistas por muito tempo. Há muito comércio, de todos os tipos e coisas que se pode imaginar. E há uma vida cultural ativa que, creio, só não se compara à de São Paulo e Rio de Janeiro.

Além disso, trata-se de uma cidade muito mais segura do que qualquer outra de seu porte no país. E, como disse o repórter do Telegraph lá em cima, é um lugar de oportunidades. Em nenhum outro lugar, nem mesmo em São Paulo, tive a impressão de fazer parte da engrenagem do país, de estar em meio a quem faz o Brasil ir pra frente, mesmo que aos trancos e barrancos. E em nenhum outro lugar tive a nítida sensação de que com um mínimo de qualidade e vontade, é possível se dar bem na vida.

Para algumas pessoas, como minha mãe ou a Nara, no entanto, falta uma coisa a Brasília: povo. Verdade que a cidade parece estar precisando de uma operação de limpeza e pintura generalizada, mas ainda assim é difícil se ter impressão de pobreza ou de abandono. Existe a feira na volta da Torre da TV, os camelôs e pedintes na volta da rodoviária e o Conic (ou Setor de Diversões Sul), todos na região central. Mas mesmo estes são cercados de civilização, muito policiados (há um batalhão da PM dentro do Conic) e parecem não pertencer à ordem do resto da cidade.

De minha parte, não sinto falta alguma de ter que andar por ruas abarrotadas de gente como na minha rápida e traumática passagem pela 25 de Março, em São Paulo, ou mesmo em idas à Andradas, aqui em Porto Alegre. Uma cidade com amplos espaços vazios, verdes, muitos animais silvestres, pouquíssima gente na rua e em que se precisa ter um carro soa como música para meus ouvidos.

E não tem nada ruim? Óbvio. Se há tanta oportunidade para trabalho, é porque há muito pouca mão-de-obra de qualidade, em qualquer área. Assim, exceto por burocracias federais (estar na matriz tem suas vantagens), a parte de serviços em lojas, restaurantes ou onde quer que seja é muito abaixo do esperado. Além disso, a secura e o calor no inverno podem ser difíceis de agüentar, especialmente para quem está acostumado com nosso clima frio e úmido (mas ao menos o verão é incomparavelmente mais ameno).

Por último, ao mesmo tempo em que estar no centro do Brasil significa ter muito mais contato com pessoas dos quatro cantos do país, Brasília é uma cidade no meio do nada. Então, pegar o carro num fim de semana para conhecer algum lugar novo é uma opção bem mais complicada.

Enfim, ainda espero morar por lá. Talvez demore um pouco, talvez se torne uma necessidade em muito breve. Mas é um lugar onde eu gostaria de viver por algum tempo. E quem quiser ter uma idéia de como se parece a cidade, pode se divertir com esta lista de fotos.

May 24, 2006

politicagem na capital federal

“Congressistas só trabalham de terça a quinta-feira”. Segundo a simpática moça responsável pela visitação ao Congresso Nacional, na última segunda-feira, esta máxima é falaciosa. Ocorre que o regimento interno estabelece que, nestes dias, ocorrem sessões não deliberativas, ou seja, não há votação de nada. Assim, deputados e senadores aproveitam os dias para ajustar a agenda das inúmeras comissões a ocorrer pelos vários anexos do prédio.

Os poucos que vão ao plenário participar das sessões, o fazem para discursar. Não para tentar convencer ninguém de nada, obviamente, porque apenas meia dúzia de gatos pingados estão presentes. Mas sim para falar a seus eleitores, que podem acompanhar sua participação tanto pela TV como pelo rádio, na Hora do Brasil.

Se nossos legisladores estavam em comissões, fazendo campanha país afora ou simplesmente flanando em algum recanto do país, eu não sei. Mas os plenários estavam, como esperado, às moscas. Sei apenas que, na segunda-feira, já terminada a anêmica sessão não deliberativa, um conhecido senador da República permanecia no plenário, aparentemente em reunião com assessores.

Politicando

May 11, 2006

suquinho de limão

É necessário confessar: é muito divertido ouvir a transmissão do depoimento de Sílvio Pereira pelo rádio do carro, estacionado no desembarque de parlamentares do Congresso Nacional. Para quem perdeu o momento mais psicodélico da política brasileira nos últimos anos, não deixe de ver a cobertura da Nova Corja.

March 22, 2006

conflito armado

A megaoperação do Exército no Rio não diminuiu a ousadia de criminosos nem impediu novas tentativas de roubos de armas em instalações militares. No sábado, 11 de março, oitavo dia de ocupação de favelas da cidade por tropas, a Base Aérea de Santa Cruz sofreu uma tentativa de invasão de criminosos que procuravam armamento.

Sou só eu, ou mais alguém tá preocupado com o caminho que esse negócio tá seguindo?

February 7, 2006

brinquedo novo

Da última vez que fiz isso, o projeto acabou relegado ao esquecimento. No entanto, repito a possível bobagem de tornar público um blog coletivo antes que tenha um mínimo de conteúdo ou participação alheia. Trata-se do PAlegre, cuja temática deve parecer meio evidente.

Por enquanto, apenas dois autores: eu e dna. Mirella, uma das maiores incentivadoras do projeto, plantonista de Zero Hora e, por isso, encarregada de suprir o blog com um mínimo de conteúdo noticioso. Desnecessário dizer que absolutamente toda ajuda será bem-vinda, ainda mais agora que o Blogsome voltou a aceitar blogs com múltiplos autores.

Quem quiser entrar pro staff (uiuiui), pode deixar o formulário neste guichê. Os que quiserem fazer contribuições esporádicas, mesmo que sejam posts publicados em seus blogs pessoais, também estão mais do que incentivados a fazê-lo. Vou criar um e-mail específico pro blog mais adiante, mas por ora podem usar o que está ali no meu blogroll (só não estranhem se eu demorar um pouco para responder, pois não é minha conta principal). Espero que este, ao menos, dê certo.

January 16, 2006

amém, weather channel

Eu espero que, por tudo que é mais sagrado, estas previsões do Weather Channel sejam corretas. Para aqueles que não conhecem o maravilhoso clima sub-saariano que se abate sobre Porto Alegre pelos últimos sete dias, acho que basta informar que neste momento, às 11h07min no horário de verão, a sensação térmica indicada pelo mesmo Weather Channel é de 38°C. À sombra, por supuesto.

adendos:

  • 14h30min - 36°C / 42°C. Pela janela vejo duas formações de TCUs que parecem indicar a possibilidade de chuva ainda hoje, mas só acredito na hora que a tormenta começar.
  • 16h15min - 35°C / 40°C. Depois de a sensação térmica ter chegado a absurdos 45°C, segundo o AccuWeather, enfim começa a chover nas imediações da av. Goethe. A esperança é de que a temperatura baixe e a avenida alague, já que daqui tenho visão privilegiada de seu trecho mais periclitante.
  • 16h35min - 35°C / 40°C. Não sei se os canais de meteorologia ainda não atualizaram seus dados mas, de qualquer jeito, pela região do bairro Moinhos de Vento a chuva já acabou, voltando a dar lugar ao Sol inclemente. Rápida conferência confirma que o meio milímetro de precipitação só serviu para aumentar a umidade relativa e piorar a sensação de calor. Era torcida demais, não tinha como dar certo.
  • 17h30min - 31°C / 38°C. A segunda formação de instabilidade, que estava ao Sul daqui, acaba de estacionar sobre o Moinhos de Vento, com ventos respeitáveis e um visual bem mais ameaçador do que a primeira leva. Não deveria ser diferente, considerando que está quase na hora de eu ir pra casa. Mas tudo indica que, dessa vez, chove de verdade.
  • 18h00min - 31°C / 36°C. O forte vento já faz seu papel em diminuir um pouco a sensação de calor, embora a temperatura em si pareça não ter caído ainda. A cor do céu não é das mais bonitas, e com esse calor não duvidaria que os temores da Defesa Civil se confirmem e tenhamos a desagradável companhia do granizo nesta noite. De minha parte, estou indo pra casa, para não ter que encarar a cacaca em plena Goethe.
  • 00h05min - 25°C / 27°C. Choveu bastante, mas de maneira clemente (até onde sei, não houve alagamentos pela cidade). A temperatura voltou a um patamar supostamente normal para este horário e época do ano, mas os 89% de umidade relativa fazem com que a situação ainda seja desagradável. Os sites especializados ainda prometem que a temperatura vai continuar baixando até os 18°C, por volta das 5h. Não estarei acordado para conferir, mas espero que a promessa de temperatura máxima entre 22° e 23°C para amanhã se concretize. Agora, boa noite, crianças, foi um prazer.

November 22, 2005

Porto Alegre, 22 de novembro, 16 horas

Esquina da av. Göethe com av. Mostardeiro. Um pouco antes, estava marcando 39°. E ainda falam do frio porto-alegrense.

UPDATE: Está marcando 40°C agora, às 17h40. O AccuWeather está apontando temperatura real de 36°C, com sensação térmica de 38°C. O Terra aponta 37°C.

November 6, 2005

enfim, a feira

Como dna. Mirella faria uma oficina de jornalismo literário, tive a primeira oportunidade de ir à feira do livro deste ano dispondo do tempo que ela merece. Reclamar da qualidade dos saldos é de praxe por parte de quase todo mundo desde que me conheço por leitor, mas este ano tive a real impressão de que havia menos coisas interessantes por lá do que em edições passadas.

Infelizmente, mesmo com largo tempo (a oficina estendeu-se das 18h às 19h45), não consegui olhar todas as bancas com a devida atenção, tendo faltado exatamente a ala onde ficam Ventura, Bamboletras e outras, de onde costumam sair as melhores compras. Ainda assim, saí da praça da Alfândega deveras satisfeito com minhas três compras que quase foram cinco. Em uma sacolinha aqui ao meu lado estão:

O livro de Nabokov é uma edição de 1976, traduzida do inglês (língua para a qual foi traduzida do russo pelo próprio autor), o típico livro que encontramos em saldos de feira do livro. Ainda assim, pareceu-me um preço mais que justo e adequado.

Já o Pavements… é um tipo de livro que jamais esperava encontrar em saldos da feira. Um livro em formato de coffee table, capa dura, com 125 páginas praticamente só de fotos. Publicado em 1976, mostra uma Nova York suja, de bairros pobres e muitos prédios velhos, brechós, lojas de penhores, cinemas pornô. De semelhante à cidade que costumamos ver hoje, em filmes e noticiários, só a profusão de propagandas.

Junto deste, haviam outros livros “de arte”. Um pequeno compêndio das obras de Cézanne que, pelo baixo preço, até cogitei comprar, mas definitivamente não gosto das obras do francês. Um livro sobre a obra de Michelangelo na tumba dos Médici. Um guia da década de 20 sobre a ala Americana do MoMA em Nova York. Tudo pelos mesmos míseros R$ 10,00.

E o clássico de Bellow foi encontrado no saldo da M&F, livraria especializada em livros de língua inglesa, que fica na área internacional da feira. A edição é exatamente a que está no link acima, e está tão nova quanto se pode querer. Neste mesmo saldo, pelos mesmos R$ 15,00, estava um pocket antigo de Money, do Martin Amis. Fiquei praguejando por alguns minutos por ter comprado uma versão brasileira do livro na feira do ano passado.

Além do livro de Amis, a outra compra que deixei de fazer foi Crash, Estranhos Prazeres, do J.G. Ballard, que estava em um saldo de R$ 5,00. Cheguei a ficar com o livro na mão, até que me convenci que 1) eu não gosto tanto assim das histórias do Ballard, e 2) eu achei o filme feito a partir deste livro bem chatinho. Como minha filosofia nesta feira é de só comprar o que absolutamente valha a pena, acabei colocando-o de volta na caixa de saldos.

October 4, 2005

gotham

Nada Surf, Beck, U2, Keane, Robbers on High Street, King of France, Paul McCartney, Social Distortion, Zap Mama, David Gray, East Village Opera Company, Sufjan Stevens, Sons & Daughters, The Raveonettes, Radio 4, The Working Title, and even Jethro Tull are ALL playing two shows each in or around town this week.

Não adianta, existe o resto do mundo e existe Nova York.

September 17, 2005

em tempo

Depois de uma semana de um firmamento plúmbeo, chuvas incansáveis e frio de renguear cusco, cadê aquele bando de gente reclamando que Porto Alegre não tem mais inverno de verdade?

September 14, 2005

Bento XVI vs. the United States of America

The architectural auteur is expected to be self-contained, untainted, sui generis. It’s OK to find inspiration in a common sponge, as Steven Holl is said to have done for a recent building, or in the shards of a broken teapot, as Daniel Libeskind confessed, but seeking inspiration from one’s contemporaries, let alone from the past, is forbidden. Thus, instead of architectural conversations, we increasingly have self-absorbed mumblings or soapbox oratory. And lawsuits.

A idéia de plágio levada às últimas conseqüências. Tão idiota que provavelmente nem o Francisco consegue defender.

September 4, 2005

enough, already

So those stranded in New Orleans are insurgents? And this doesn’t sound good, either:

Fear ratcheted up the tension, with disturbing reports of mistaken identity emerging from the chaos. Police and national guardsmen were accused of killing innocent people.

“They killed a man here last night,” Steve Banka, 28, told the Reuters news agency before he left on Sunday.

A body lies face down in water next to the Superdome “A young lady was being raped and stabbed. And the sounds of her screaming got to this man and so he ran out into the street to get help from troops, to try to flag down a passing truck of them. He jumped up on the truck’s windscreen and they shot him dead,” Mr Banka said.

To me, it looks like the government and the military are treating what may be the worst natural and humanitarian disaster in the history of the USA as though it was a civil war. I have to agree with Andrew Sullivan: if the US had a parliamentary system, Bush would deserve a vote of no confidence by now.

September 3, 2005

at large in LA

Mirella está indo passear. De 9 de setembro a 8 de outubro ela troca nossa bela capital gaúcha por Los Angeles, com uma breve passagem por Tokyo. Estudos, trabalho e falta de dinheiro me impedem de acompanhá-la. Como nerd que sou, no entanto, resolvi elaborar um pequeno roteiro de coisas que gostaria de fazer, visitar ou comer, caso pudesse ir junto dela.

Lugares

Pensar em Barcelona, para mim, é pensar em Gaudí. Do mesmo jeito, não consigo pensar em Los Angeles sem pensar nas obras de Frank Gehry. Visitar o maior número possível de seus prédios estaria no topo da minha lista de coisas por fazer na cidade dos anjos.

Sabendo o quanto minha namorada é criança, às vezes, tenho certeza que a Disneyland está entre suas paradas obrigatórias nessa viagem. No entanto, como sou mais fã da turma de Peanuts do que de ratos e patos falantes, tentaria dar um jeito de visitar, também, o Knott’s Berry Farm e aproveitar o “all you can eat BBQ”.

E já que se fala em parques de diversão em Los Angeles, o nome Six Flags sempre me traz um misto de curiosidade e terror. Sim, eu tenho medo de altura e, embora adore montanhas-russas, duvido que fosse conseguir angariar coragem para me enfiar na Kingda Ka. Mas não ia deixar de visitar o parque de jeito nenhum.

Ao contrário do que parece, no entanto, não sou muito fã de agir como turista em uma cidade. Assim, descobrir (ou fazer) amigos e conhecidos que morem na cidade há algum tempo é sempre uma boa saída. Além disso, eu faria uma visita ao tag Los Angeles no Flickr. E tentaria fazer pelo menos uma das walking tours do pessoal da Los Angeles Conservancy.

Informações

Sou um nerd. Como tal, antes e durante a viagem, eu estaria sempre me mantendo informado em alguns locais. Afora o óbvio de acompanhar minimamente o noticiário local, visitas freqüentes ao LAist, Metroblogging LA, e Gridskipper. Uma vasculhada pelo Craigs List e o LA Wiki também me pareceriam uma boa idéia na hora de procurar algo mais específico, como alugar um carro, por exemplo.

Se conseguisse ter cara de pau suficiente para tanto, também tentaria dar um jeito de ir até a University of California LA para conseguir um autógrafo do Bruce Sterling na minha cópia de Schismatrix Plus, além de pedir-lhe algumas dicas sobre a cidade.

Comida

No que se refere à culinária angelena, a primeira coisa que me vem à cabeça é sorvete, sorvete, sorvete, sorvete, sorvete, sorvete, sorvete. Ah, e (quase) sorvete. Pelo que me disse, a Mi pretende emagrecer durante sua estada em LA. Posso dizer que, com tantas opções de sorvetes que parecem deliciosos, eu voltaria de lá com vários quilos a mais na barriga.

Sendo ela dona de um blog de nome Cafeína, imagina-se que café seja uma de suas paixões. Por isso, eu julgaria que uma visita a uma loja do Coffee Bean & Tea Leaf seria necessária. E mesmo sendo meio óbvio, o Starbucks ficaria com alguns dólares nossos.

Quando se vai a outro país, provar a culinária típica também é sempre uma obrigação. Portanto: burguers and more burguers. Estamos falando da cidade que tem o mais antigo restaurante do McDonald’s em atividade, o primeiro Taco Bell e o primeiro Fatburguer, afinal de contas.

Por falar em antigos, o Musso & Frank Grill, e o Barney’s Beanery parecem locais extremamente agradáveis e dignos de se visitar.

Mas, acima de tudo, eu não perderia de ir ao Lincoln para uma das noites de “Dinner & Jazz”, nos domingos, segundas e terças-feiras.

Compras

Dinheiro serve pra se gastar, afinal de contas. Então, que melhor jeito de fazê-lo senão em compras e mais compras? Eu, particularmente, teria que me conter em vários lugares. Por exemplo, imaginem o desespero de entrar na Game Dude. Este LA Bargains, por sinal, tem um monte de dicas interessantes para alguém que gosta tanto de roupas, bolsas e, principalmente, sapatos, como a srta. Nascimento.

Como este não é exatamente o meu departamento, eu poderia deixá-la vasculhando araras e ir à loja mais próxima da Borders. Também teria que fazer um longo roteiro a partir desta lista de sebos e deste artigo sobre lojas de CD em Los Angeles. Ah, e uma visitinha ao McCabe’s Guitar Shop também seria mandatória.

Se não ficasse satisfeita com as dicas do Bargain LA, a Mirella poderia tentar um destes outlets, mas só depois de ler este comentário do pessoal do LAist. E por falar em LAist e shopping centers, este parece um bom aviso e este parece um lugar bem interessante e não-turístico para se conhecer.

E como a ida para Tokyo (que receberá um post próprio ainda esta semana) só acontece no dia 26, teríamos tempo de sobra para passar o dia 25 inteiro perambulando pelas bancas do Abbot Kinney Festival, que parece um festival bem divertido.

Shows e noite

Por fim, chegamos ao ponto crucial de uma estada de um mês em Los Angeles. Embora pareça unanimidade que a vida noturna da cidade é uma porcaria no que se trata de lugares para dançar e fazer festa, estamos falando de uma cidade onde o termo “cena musical” não é um anacronismo. Este lugar, no entanto, parece interessante para quem é do ramo.

Eu, no entanto, garantiria uma visita ao The Derby, enquanto não dão um jeito de transformar o dito cujo em um monte de prédios ou coisa que o valha. Infelizmente, os tempos de ressurgimento do swing já passaram, então não devem existir outras grandes opções para quem gosta do estilo. Por isso, a visita ao Derby parece ainda mais necessária.

Afora isso, temos os shows, que merecem atenção especial. Primeiro vamos à lista de oportunidades que estarão dando as caras em LA durante o período:

Dia 09/09:
- Beach Boys @ Harra’s Rincon Casino;
- Living Colour @ Knitting Factory;
- Crosby, Stills and Nash @ Greek Theatre;

Dia 12/09:
- Oasis @ Hollywood Bowl;
- Sahara Hotnights @ Club Spaceland (grátis)

Dia 13/09:
- Tori Amos @ Santa Barbara Bowl;
- The Decemberists @ Henry Fonda Theatre;
- Phosphorecent @ Club Spaceland;
- George Thorogood @ House of Blues Sunset;

Dia 14/09:
- The Decemberists @ Henry Fonda Theatre;

Dia 16/09:
- Paul Weller @ The Wiltern LG;
- The Decemberists @ Glass House;
- Feist @ The Troubador;

Dia 17/09:
- Tori Amos @ Greek Theatre;
- The Woggles @ Club Spaceland;

Dia 18/09:
- Live @ House of Blues Anaheim;

Dia 20/09:
- Interpol @ Greek Theatre;

Dia 22/09:
- Matisyahu @ House of Blues Sunset Strip;
- Fishbone @ The Scene Bar;
- The 88 @ The Troubador;
- Presidents of the USA @ House of Blues Anaheim;

Dia 23/09:
- The Kills @ El Rey Theatre;
- Presidents of the USA @ Key Club;
- Papillon @ Tangier Room;
- Willy Porter @ McCabe’s Guitar Shop;

Dia 24/09:
- Audioslave @ Rabobank Arena;
- The Kronos Quartet @ Royce Hall - UCLA;
- North Mississippi All Stars @ The Troubador;

Dia 27/09:
- Apocalyptica @ House of Blues Sunset Strip;
- Blackalicious @ The Troubador;

Dia 29/09:
- The Fiery Furnaces @ The Troubador;

Dia 30/09>:
- Supergrass @ The Troubador;
- Keane @ Greek Theatre;
- Steve Miller Band @ Harrah’s Rincon Casino;

Dia 01/10:
- Nine Inch Nails @ Hollywood Bowl;
- Robert Plant @ The Wiltern LG;
- Brad Paisley @ Gibson Amphitheatre;

Dia 02/10:
- Robert Plant @ The Wiltern LG;
- Brad Paisley @ Gibson Amphitheatre;

Dia 03/10
- Mando Diao @ The Troubador;

Dia 05/10:
- The Killers @ Long Beach Arena;
- Sigur Rós @ Hollywood Bowl;

Dia 06/10:
- Adrian Belew @ Coach House - Capistrano;
- Boubacar Traore @ Skirball Cultural Center;
- El Capitan @ Tangier Room;

Dia 07/10:
- Franz Ferdinand @ Greek Theatre;
- Adrian Belew @ Key Club;
- Devendra Banhart @ Club Spaceland;
- The National, e Clap Your Hands Say Yeah @ The Troubador;

Nem tudo foi dito neste post, mas agora tenho que sair. Deixo para terminar minhas considerações finais acerca de quais shows eu iria e quais deixaria de ir em outro momento. Grato pela sua atenção.

proper efforts

Today, I saw my country favorably compared to Indonesia and Thailand, (always our traditional benchmarks of infrastructural success) while the elderly die of thirst in the street. We sneered at France when this happened during a heat wave. No more.

Ouch. Looks like the Bush administration will be remembered for its war on hurricanes, rather than the war on terror.

UPDATE: According do this F.A.Q. on their website, the American Red Cross is forbidden to enter the city of New Orleans. I believe other aid groups have been facing similar restrictions. And if you think they’re being kept out because of safety issues, think again:

The state Homeland Security Department had requested–and continues to request–that the American Red Cross not come back into New Orleans following the hurricane. Our presence would keep people from evacuating and encourage others to come into the city.

This must be beyond even Mike O’Hare’s dreams. Not only is the government not doing enough to protect and evacuate these people, they’re actively prohibiting aid efforts to come into the city.

UPDATE: Those looking for first-hand accounts either from NO or relief areas, like Houston, must check Boing Boing. Just keep scrolling.

August 31, 2005

who’s to pay?

I intended to write a long explanation to answer Cisco’s comment on the post below. Thankfully, Slate has published two articles that should make my job a whole lot easier.

Here, Ari Kelman recalls some of New Orleans history and explains how a city that is 70% below sea level ever came to be. It shows how a significant part of the country has depended on its existence in times past, and why so much money has been spent to protect the city.

Also, I blamed O’Hare for not taking cultural and sociological aspects into consideration. A third of New Orleans’ population lives below the poverty line. I’m pretty sure next to none of them live there “in order to make a quick buck in real estate or enjoy the view and a nearby swim for a few or many years“.

Josh Levin’s family has lived there for over a century, and he is now mourning the city’s demise. It shouldn’t be hard to understand that spontaneously leaving your hometown for fears of something that might happen sometime in the next 40 years is not an easy feat. Buying/renting a new place, finding a job without knowing anyone in town, leaving your friends and family behind, is not something you do without expecting something rather good in return.

Now, I agree with O’Hare that it remains to be seen whether there’s any sense in trying to rebuild a city once the destruction has reached a certain point. But I strongly believe that people who live in such places have “a claim on everyone else’s purse” to make their living as safe as possible.

When you consider that 1) these cities’ existence is, or was, of great importance to the country, and 2) that lots of people have lived in these places for generations, I think the government has a moral obligation to protect these cities in every way they can. And if at some point they decide the cost of protecting it is not worth it, just walking off and leaving people to their fate is not a reasonable conduct.

has it been three days already?

Bob Kennedy Jr. says Bush is to blame for Katrina. Daily Kos says Bush is to blame for deploying National Guard troops in Iraq, therefore undermining the relief effort.

On the other hand, Riding Sun, Instapundit, Andrew Sullivan, James Glassman, EU Rota and The New York Times (of all places), among many others, say it’s nonsense. As mr. Sullivan noted, “when the New York Times is debunking the idea, partisan liberals might want to reassess it.”

UPDATE: Mark Kleiman Mike O’Hare says:

The people of Bangaladesh have to live in a river delta because their whole country is one. Americans, by contrast, inhabit a roomy country and do not have to put themselves in the path of catastrophes that are completely predictable except as to date and time in order to make a quick buck in real estate or enjoy the view and a nearby swim for a few or many years. We need to have a serious think about whether it’s the duty of the rest of us to subsidize these choices.

I think that’s nonsense. First, if such reasoning were to be applied to the whole US, cities along the Tornado Alley, as well as pretty much all of California (where mr. Kleiman admitedly lives, despite it being “completely loony by the standards of reasonable people”), would obviously have to be considered first.

Also, one must take history into account. New York, Boston, Seattle, San Francisco, Los Angeles, Miami, Charleston (as well as major cities throughout the continent) are all by the sea for obvious reasons. Most of New Orleans now sits below sea level because it grew beyond the wetlands, and it made no political or economical sense to transfer the city somewhere else.

Finally, I’m quite certain there’s a lot of people who live in New Orleans out of necessity. Why would someone who was born there, who has family and history in the city, consider going through all the difficulties of moving to another town because of something that might happen, one day, someday?

August 30, 2005

hurricane porn

No wonder Fox’s hurricane coverage won the news-channel ratings sweepstakes: They know what the people want, and the people want news correspondents subjected to life-threatening winds and debris. There’s actually a clip reel on the Fox News site that is nothing but wet whipped men. It’s like weatherporn bukkake, only with less dignity.

Indeed. It was also kind of depressing to see FOX use such an event to praise the existence of the Department of Homeland Security. Apparently, we have terrorism to thank for New Orleans’ successful evacuation.

This, on the other hand, is absolutely hilarious.

Oh, and yes, I’m back to posting in english. Ocasionally, at least.

P.S.: as noted by Mirella and Parada, the New York Times has some pretty amazing photos of the disaster.

UPDATE: Be sure to check Slate’s cartoon roundup.

August 29, 2005

the shit hits the fan

É coisa demais para linkar por aqui. Basta conferir o seu portal de notícias predileto, mas façam um favor ao bom jornalismo: se quiserem notícias sobre o Katrina em português, vão à Folha Online, única que deu devida atenção ao fenômeno e fez uma cobertura à altura do que deve se desenrolar nas próximas horas. De resto, ficam meus votos para que esta bela cidade sobreviva ao dílúvio com o mínimo de danos possível.

Quem quiser relatos mais “diretos”, aqui tem um bom roundup de blogs que estão cobrindo o evento. O InstaPundit também está com bastante coisa boa, keep scrolling. E isso me fez pensar em uma coisa:

Let’s hope things go differently. If not, I put the over/under at three days before a Christian Right type comes forth with the idea that God destroyed New Orleans because it’s a den of sin.

E eu não dou três dias para que a esquerda e ambientalistas mundo afora culpem a destruição na mudança climática e na postura anti-Kyoto da administração Bush.

UPDATE: segundo a CNN, a parte Leste da cidade está submersa em 5 a 6 pés (em torno de 2 metros) de água, devido às bombas que pararam de funcionar. Parece que as piores previsões podem se provar corretas e a cidade de New Orleans corre o risco de virar o Lago New Orleans.

August 28, 2005

ciclone extra-tropical

“It’s going to look like a massive shipwreck,” says Maestri. “Everything that the water has carried in is going to be there. It’s going to have to be cleaned out— alligators, moccasins and god knows what that lives in the surrounding swamps, has now been flushed -literally—into the metropolitan area. And they can’t get out, because they’re inside the bowl now. No water to drink, no water to use for sanitation purposes. All of the sanitation plants are under water and of course, the material is floating free in the community. The petrochemicals that are produced up and down the Mississippi river—much of that has floated into this bowl… The biggest toxic waste dump in the world now is the city of New Orleans because of what has happened.”

Essa foi a previsão de um cientista, em 2002, para o que aconteceria na possibilidade de um furacão de categoria 5 atingir New Orleans. As estimativas de mortos variam entre 10 ou 20 mil, até impensáveis 100 mil. Ao que tudo indica, em cerca de 24 horas, todas estas previsões serão postas a prova.

P.S.: no momento em que escrevo este post, apenas a Folha Online parece ter se dado conta do desastre que está por acontecer, e resolveu chamar a história de manchete do portal. Terra, Ig, Estadão e UOL, entre outros, preferem noticiar a saída do Corinthians da liderança do campeonato brasileiro. Quero ver se, depois de a cidade ser obliterada e uma dezena de milhares de pessoas morrerem, não terá cobertura especial em todos os meios, à tsunami na Ásia.