Randell Mills, a Harvard University medic who also studied electrical engineering at Massachusetts Institute of Technology, claims to have built a prototype power source that generates up to 1,000 times more heat than conventional fuel. (…) The problem is that according to the rules of quantum mechanics, the physics that governs the behaviour of atoms, the idea is theoretically impossible.
O jornal britânico The Guardian mantém uma coluna semanal chamada “Bad Science”, dedicada a demonstrar como se faz bobagem nesse mundo em nome da ciência. Há cerca de dois meses, a coluna fez um excelente apanhado de como a péssima cobertura de ciência em jornais e agências de notícias ajuda a proliferar essas bobagens.
Infelizmente, a matéria de onde tirei a citação acima foi publicada pelo mesmo Guardian na última sexta-feira, mas não na coluna “Bad Science”. Acabaram eles próprios dando um exemplo de tudo aquilo que haviam criticado em outros jornais e publicações.
Reza a lenda que Einstein nunca conseguiu aceitar completamente a teoria quântica, embora tenha se dobrado às evidências de um interminável corpo de experimentações que a comprovavam e, ainda hoje, comprovam. O que não quer dizer que não possa haver falhas na mesma, obviamente. Mas que tenha previsto com rara eficiência inúmeros fenômenos físicos, e que tenha sido utilizada na criação dos mais variados produtos, é boa indicação de que ela não é teoricamente impossível.
Além disso, a teoria desenvolvida pelo dr. Mills é notícia antiga. Tem sido desconsiderada desde então, por um número considerável de pessoas com todo conhecimento possível na área, como sofrendo de várias falhas em suas considerações matemáticas. O que não me espantaria, considerando o quão complicada dizem ser a matemática envolvida em física quântica. Nada disso, no entanto, quer dizer que seu protótipo não exista conforme anunciado.
Hoje em dia, a física newtoniana é tida como uma simplificação adequada para fenômenos ocorridos em nosso mundo macroscópico. Ainda assim, continua sendo utilizada para coisas razoavelmente complicadas, como calcular trajetórias de lançamento de naves espaciais ou satélites.
Em 1997, o dr. Mills dizia que sua tecnologia estava a alguns anos de poder ser posta em uso. Oito anos depois, ele diz que faltam pelo menos mais quatro anos para que isso aconteça. Parece que a NASA testou a tecnologia no início da década de 90, e os resultados “não foram conclusivos“. Ainda assim, já que ele e tantos outros parecem convencidos da viabilidade do projeto, resta-nos esperar pelo produto final.
Assim como a física newtoniana eventualmente deixou de ser capaz de explicar ou prever determinados fenômenos, o mesmo pode acontecer com a física quântica. Seria o caso, na eventualidade do dr. Mills ter um produto que funcione conforme previu. No entanto, não significaria de maneira alguma a negação de décadas de estudos e experimentações no campo, mas apenas a necessidade de rever teorias frente a novos fenômenos.