August 21, 2006

perpétuo embuste

Bom, a história já saiu no Guardian e no Yahoo! News, e em três blogs bastante respeitáveis - Slashdot, Boing Boing e Futurismic. Assim, nada mais justo do que eu passar a informação adiante: uma empresa irlandesa afirma ter descoberto o moto-perpétuo, uma máquina capaz de produzir mais energia do que gasta.

Obviamente, se fosse verdade, estaríamos diante de um evento mais importante do que a revolução industrial e não seria exagero falar em uma nova era. O único inconveniente, claro, é o fato de que o moto-perpétuo é uma impossibilidade física, que muitos já tentaram provar errada e falharam miseravelmente.

E, sinceramente, ter um site que parece o projeto de um formando de publicidade, cuja única informação “científica” é uma animação com três imãs e um círculo, não me parece a maneira correta de tentar provar à comunidade científica que você provou que uma das mais importante leis da física é uma bobagem.

June 23, 2006

já ouvi essa história antes

Motoristas de algumas regiões dos Estados Unidos são obrigados a usar, durante o verão, uma versão de gasolina que utiliza 10% de etanol. No Brasil, temos uma adição de 20% a toda a gasolina do país a título de baratear a mesma. Por lá, a desculpa é ecológica: em regiões densamente povoadas, o álcool ajuda a diminuir a emissão de poluentes e tornar o ar um pouquinho mais agradável.

Pois segundo o USA Today, essa adição de etanol (lá feito a partir de milho, ao invés de cana) à gasolina está causando um efeito bastante conhecido aqui no Brasil:

Ethanol prices are hitting record levels this week, adding to the cost of gasoline as the nation heads into the peak vacation driving season. (…) With ethanol prices so high, the 10% of ethanol in reformulated gasoline, as the blend is called, could add about 30 cents a gallon to the cost of gas, [Tom Kloza, analyst for the Oil Price Information Service] says.

Acontece que o pessoal por lá gosta de tirar férias e viajar com a família durante o verão, independente do preço da gasolina. Com o aumento do consumo da tal “gasolina reformulada” nessas regiões, aumenta a demanda pelo álcool e, adivinhem? Aumenta o preço da gasolina. Onde será que eu já ouvi essa história antes?

O mais engraçado é que a idéia de usar um combustível com 85% de álcool etílico e 15% de gasolina está sendo apresentada por vários grupos no país como uma alternativa que tornaria os EUA menos dependentes do petróleo estrangeiro. O problema é que, como qualquer brasileiro está cansado de saber, um motor a álcool gasta mais combustível para andar uma mesma distância do que um a gasolina.

Se apenas com a adição de 10% de etanol à gasolina o país já passa por problemas de excesso de demanda, imaginem o que aconteceria (mesmo com as novas 33 distilarias que estão sendo aprontadas) se 50% da frota de carros novos por lá fosse de versões flex como acontece por aqui?

March 7, 2006

evolução das raças

Providing the strongest evidence yet that humans are still evolving, researchers have detected some 700 regions of the human genome where genes appear to have been reshaped by natural selection, a principal force of evolution, within the last 5,000 to 15,000 years.

The genes that show this evolutionary change include some responsible for the senses of taste and smell, digestion, bone structure, skin color and brain function.

Realmente, seria difícil imaginar, há dez anos ou mais, alguém ter coragem de fazer uma pesquisa cuja possível conclusão fosse de que diferenças raciais existem, de fato, em nível genético e forçadas pela seleção natural. E muito menos que um jornal com o New York Times faria uma matéria sobre isso em tom tão casual.

March 3, 2006

mais uma

Eu já cansei de repetir por aqui que ciclone por nossas bandas é, quase que literalmente, um fenômeno meteorológico tão comum quanto a chuva. E também não é de hoje que canto loas à seriedade e competência do pessoal da Climatologia Urbana de São Leopoldo.

Pois via e-mail eles me chamam atenção para mais uma presepada dessa nossa preparadíssima imprensa marrom. Na metade da semana passada, Argentina, Uruguai e o Rio Grande do Sul sofreram com chuvas e vento forte devido a um ciclone extra-tropical que se formou ao sul de Buenos Aires. Na Argentina, mais de mil pessoas ficaram desabrigadas, e por aqui teve ventos de até 100 km/h e suspeita de tornado em Mostardas.

Pois acontece que junto deste, surgiu outro ciclone no nosso litoral, este com características tropicais. Para os que não se lembram, ou não sabem, a Climatologia esclarece:

Um ciclone de estrutura tropical inicialmente assume a condição de depressão tropical com vento de até 60 km/h, após passa à condição de tempestade tropical com vento regular de 60 a 120 km/h e somente se o vento superar os 120 km/h estará atingido o status de furacão.

Felizmente, este ciclone tropical, o primeiro a se formar no Atlântico Sul desde o Catarina e que a partir daqui será tratado por 90L INVEST (nome recebido dos órgãos de meteorologia norte-americanos), não se desenvolveu e seus ventos não passaram de 50 km/h. Segundo o professor Eugenio Hackbart, ele se dissipou ao encontrar uma zona de grande divergência de ventos antes de poder sequer se transformar em uma tempestade tropical. Além disso, como é costumeiro em nossa região, ventos soprando majoritariamente de oeste empurraram o 90L INVEST para alto-mar, ao contrário do que aconteceu no famoso caso do Catarina.

(more…)

February 16, 2006

sono

Se isso aqui é verdade, eu preciso arranjar uma febre dessas.

February 10, 2006

cientistas malucos

It’s a question that has taxed generations of the finest minds in physics: do humans swim slower in syrup than in water? And since you ask, the answer’s no.

    (…)

Cussler’s demonstration shows that Huygens was right, at least for human-sized projectiles. The reason, explains Cussler, is that while you experience more “viscous drag” (basically friction from your movement through the fluid) as the water gets thicker, you generate more forwards force from every stroke. The two effects cancel each other out.

É o resultado que me parecia mais lógico. Mas de qualquer jeito, o importante é que dois cientistas se deram ao trabalho de arranjar 22 autorizações diferentes para poder encher uma piscina semi-olímpica com um xarope com o dobro da viscosidade da água e que, segundo um deles, parecia ranho. Eu queria muito ter assistido a isso. (via Digg)

November 14, 2005

a próxima pandemia

A Scientific American está com uma extensa matéria sobre a próxima pandemia de influenza que deve preocupar até os mais céticos. No entanto, mesmo com oito páginas (e mais de 30 mil caracteres), uma das minhas maiores preocupações em relação ao assunto não é abordada: o impacto social de uma crise dessas.

Duas informações me chamaram atenção imediatamente. Primeiro que na hipótese de um vírus como o H5N1 (responsável pela gripe do frango) tornar-se pandêmico, ainda que ele passe a ser letal em apenas 5% dos casos (contra os 50% de hoje em dia), teremos uma taxa de mortalidade duas vezes maior que a da gripe espanhola de 1918. E segundo que uma eventual pandemia de gripe deve ocorrer em duas ou três ondas globais, que podem durar alguns meses.

Agora, pelo que já li sobre a gripe espanhola, a reação normal das pessoas foi trancar-se em casa em quarentena auto-decretada. Entendo que a Scientific American é uma publicação científica e, portanto, sua maior preocupação é com o aspecto epidemiológico das ações preventivas a uma pandemia. Mas ainda assim acho que, em uma matéria tão longa, eles poderiam ter tratado sobre possíveis resultados sócio-econômicos do surto.

Por mais mórbido que possa soar, a diminuição da população mundial talvez fosse um efeito colateral benéfico para a humanidade. Mas ainda que Internet, celular e quetais permitam que muita coisa possa ser feita de casa em um caso de emergência, imagino que bilhões de pessoas mundo afora se trancando em casa não terá um efeito muito benéfico no andamento da sociedade. Me parece que preparar-se para este tipo de coisa também seria necessário como parte de um programa de diminuição dos efeitos de uma pandemia mortal de gripe.

November 7, 2005

pelo menos não é o moto-perpétuo

Randell Mills, a Harvard University medic who also studied electrical engineering at Massachusetts Institute of Technology, claims to have built a prototype power source that generates up to 1,000 times more heat than conventional fuel. (…) The problem is that according to the rules of quantum mechanics, the physics that governs the behaviour of atoms, the idea is theoretically impossible.

O jornal britânico The Guardian mantém uma coluna semanal chamada “Bad Science”, dedicada a demonstrar como se faz bobagem nesse mundo em nome da ciência. Há cerca de dois meses, a coluna fez um excelente apanhado de como a péssima cobertura de ciência em jornais e agências de notícias ajuda a proliferar essas bobagens.

Infelizmente, a matéria de onde tirei a citação acima foi publicada pelo mesmo Guardian na última sexta-feira, mas não na coluna “Bad Science”. Acabaram eles próprios dando um exemplo de tudo aquilo que haviam criticado em outros jornais e publicações.

Reza a lenda que Einstein nunca conseguiu aceitar completamente a teoria quântica, embora tenha se dobrado às evidências de um interminável corpo de experimentações que a comprovavam e, ainda hoje, comprovam. O que não quer dizer que não possa haver falhas na mesma, obviamente. Mas que tenha previsto com rara eficiência inúmeros fenômenos físicos, e que tenha sido utilizada na criação dos mais variados produtos, é boa indicação de que ela não é teoricamente impossível.

Além disso, a teoria desenvolvida pelo dr. Mills é notícia antiga. Tem sido desconsiderada desde então, por um número considerável de pessoas com todo conhecimento possível na área, como sofrendo de várias falhas em suas considerações matemáticas. O que não me espantaria, considerando o quão complicada dizem ser a matemática envolvida em física quântica. Nada disso, no entanto, quer dizer que seu protótipo não exista conforme anunciado.

Hoje em dia, a física newtoniana é tida como uma simplificação adequada para fenômenos ocorridos em nosso mundo macroscópico. Ainda assim, continua sendo utilizada para coisas razoavelmente complicadas, como calcular trajetórias de lançamento de naves espaciais ou satélites.

Em 1997, o dr. Mills dizia que sua tecnologia estava a alguns anos de poder ser posta em uso. Oito anos depois, ele diz que faltam pelo menos mais quatro anos para que isso aconteça. Parece que a NASA testou a tecnologia no início da década de 90, e os resultados “não foram conclusivos“. Ainda assim, já que ele e tantos outros parecem convencidos da viabilidade do projeto, resta-nos esperar pelo produto final.

Assim como a física newtoniana eventualmente deixou de ser capaz de explicar ou prever determinados fenômenos, o mesmo pode acontecer com a física quântica. Seria o caso, na eventualidade do dr. Mills ter um produto que funcione conforme previu. No entanto, não significaria de maneira alguma a negação de décadas de estudos e experimentações no campo, mas apenas a necessidade de rever teorias frente a novos fenômenos.

October 14, 2005

típico

Na Zero Hora:

Um ambicioso estudo científico que será lançado hoje pretende desmistificar definitivamente a idéia de que maconha é uma droga leve, inofensiva à saúde. Produzido pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), o trabalho mostra que a substância ilícita mais consumida no mundo é capaz de provocar danos graves a longo prazo, comprometendo o rendimento escolar e a saúde mental dos consumidores.

Enquanto isso, na New Scientist:

A synthetic chemical similar to the active ingredient in marijuana makes new cells grow in rat brains. What is more, in rats this cell growth appears to be linked with reducing anxiety and depression. The results suggest that marijuana, or its derivatives, could actually be good for the brain.

A interpretação é parte do teste.

October 9, 2005

snopes.com

Há pouco mais de uma semana, astrônomos descobriram um décimo planeta no Sistema Solar, com direito a lua e tudo. No mar, cientistas japoneses conseguiram filmar, pela primeira vez, uma lula gigante lépida e faceira. E ao que tudo indica, um caçador australiano conseguiu matar um grande felino, comprovando uma lenda urbana que dura mais de 50 anos.

Agora é só alguém resolver a Conjectura de Goldbach ou a Hipótese de Riemann e eu vou começar a acreditar na história de que a singularidade está próxima.

September 26, 2005

tinfoil hats

Este é o tipo de coisa que, se tivesse sido publicada em um blog obscuro ou alguma lista de discussão bizarra, seria rapidamente considerada como trabalho do pessoal dos chapéus de papel alumínio. É verdade que o Guardian, seguidamente, não é muito mais confiável do que isso, mas a notícia parece legítima.

Golfinhos treinados pela Marinha norte-americana para atirar em terroristas e detectar minas marinhas. É surreal demais pra mim. Qual o próximo passo, tubarões brancos? (via Slashdot)

September 15, 2005

bons samaritanos

Há 25 anos, dois senadores norte-americanos inventaram uma lei que revolucionou a indústria farmacêutica. A partir dali, as patentes de remédios desenvolvidos através de financiamentos federais seria das empresas que recebessem o dinheiro, e não mais do governo.

O resultado, mostra Clifton Leaf, foi um desastre: remédios cada vez mais caros, monopólios farmacêuticos com uma crescente cultura de segredo e competição, e uma diminuição sensível no avanço da ciência. Uma boa aula para quem acha que a indústria farmacêutica deve ser deixada em paz, e que qualquer tentativa de regulá-la ou quebrar suas patentes é uma maneira de desincentivar o desenvolvimento de novos tratamentos.

E também podia servir de inspiração para os fascistas do direito autoral mundo afora.

September 13, 2005

um pingüim muito louco


Quando assisti a La Marche de l’Empereur, pensei em escrever uma resenha por aqui. “Só um louco verá, por uma hora e meia, o absurdo ritual de acasalamento e reprodução dos pingüins imperadores e sairá (do filme) ainda acreditando em intelligent design“, diria o início do lead. Pois imaginem a minha surpresa ao ler isso:

At a conference for young Republicans, the editor of National Review urged participants to see the movie because it promoted monogamy. A widely circulated Christian magazine said it made “a strong case for intelligent design.”

Como é? Parece que, realmente, as pessoas usam o que está a seu alcance como forma de confirmar suas idéias pré-concebidas. Não que eu pense que este belo filme seja prova evidente da evolução “acidental” das espécies, mas imaginar que algo tão absurdo e ilógico quanto a reprodução destas aves é prova da existência de um Ente maior é muita boa vontade.

Mas, independente de crenças pessoais sobre o surgimento da vida na Terra, a Marcha é altamente recomendável. Narrado como se pelos próprios pingüins, é mais um episódio na aproximação dos documentários da linguagem do cinema de ficção. A fotografia é belíssima, e o texto capaz de nos fazer acreditar que aquelas aves de minúsculos cérebros realmente estivessem nos contando sua história.

Os mais emotivos, ou que se derretem por animais fofinhos, vão chorar e torcer enquanto os pingüins encaram meses de jejum, longas marchas pelo gelo interminável da Antártida e o absurdo malabarismo de manter um ovo entre as pernas e as penas para protegê-lo do tenebroso frio. Os menos emotivos irão ficar impressionados em como um documentário pode ser, também, uma excelente história de vida e morte.

Os conservadores irão lamentar que ainda não bateu a marca de Fahrenheit 9/11 como documentário de maior bilheteria da história. Marxistas irão reclamar da falta de menção ao impacto do aquecimento global sobre a reprodução e população dos imperadores. E chatos irão comentar sobre a falta de maiores informações sobre os mistérios que envolvem o comportamento dos simpáticos pingüins. Mas dificilmente alguém achará que não valeu o ingresso.

muita calma nessa hora

But the scientific evidence currently is too thin to blame Katrina and other hurricanes on carbon dioxide emissions. And environmentalists may risk embarrassment if they exploit the theoretical link to promote their causes. (…) Most researchers, however, think that increase (in hurricanes’ severity and frequence in the Atlantic) has nothing to do with global warming. Those who study tropical cyclones say that Katrina was part of a natural cycle of angry storms that will batter North America for decades.

A Slate relembra o que quase todo mundo já está cansado de saber: culpar o aquecimento global pela onda de furacões no Atlântico Norte é puro wishful thinking. E aqueles que realmente temem o efeito das emissões de CO2 no clima planetário, talvez encontrem consolo em saber que existe uma solução potencial para o problema, mas falta quem acredite neste o suficiente para tentar solucioná-lo.

August 23, 2005

já era tempo

Grande notícia para caminhoneiros e todos aqueles que, como eu, acham dormir uma tremenda perda de tempo.

August 15, 2005

pés pelas mãos

Além disso, o cérebro gera campos eletromagnéticos ao operar. Teoricamente, estes campos poderiam influenciar a matéria, que afinal não passa de forças eletromagnéticas em interação.

Heh. Marcelo Träsel demonstra, na prática, porque cientistas odeiam jornalistas.

strangelets

Interessante. Só queria saber o que aconteceria se um desses não só caísse em uma zona habitada, mas atravessasse uma pessoa no processo. (via InstaPundit)