August 21, 2006

segunda vida alheia

Há pouco mais de um ano, resolvi experimentar um pouco da vida em um mundo virtual, a fim de escrever uma matéria sobre o assunto para uma revista da faculdade. Queria algo que fosse gratuito, e que não envolvesse alcançar objetivos, o que acabou me levando a experimentar There e o então pouco conhecido Second Life.

Foram duas semanas de brincadeira, até que expirasse o tempo de teste (que hoje não existe mais para nenhum dos jogos, que eu saiba). Tempo suficiente para me enturmar um pouco, especialmente em There, que é muito mais voltado para a interação social e está cheio de “moradores” antigos prontos para ajudarem os novatos.

Desde então, tenho mantido algum interesse por este tipo de jogos multiplayer, acompanhando blogs e estudos dedicados ao assunto. Por algumas vezes, pensei em voltar a eles para ver o que acharia dos mundos, com o novo conhecimento sobre o assunto. Mas a verdade é que, além da depressão nerd de que já falei, sempre me pego pensando que aproveito muito mais ao ler posts e comentários de quem participa destes jogos, do que se eu mesmo voltasse a fazer parte deles.

Wagner James Au, por exemplo, é um respeitável jornalista de games, com anos de trabalho para a Wired, que há alguns anos entrou em Second Life para blogar sobre o que lá encontrava, com nítida influência do new journalism. Recentemente, ele esteve presente a uma conferência dedicada a este mundo virtual, e está contando sua história no Kotaku, já que o seu blog é dedicado apenas a coisas que acontecem in world.

Então, até mesmo a parte dos encontros em carne e osso está bem coberta, não deixando nenhuma necessidade de efetivamente gastar horas produtivas em um jogo que acaba sendo nada mais que uma enorme e complexa sala de chat. Se alguém mais aí já pensou em participar de algum desses jogos, recomendo que leiam, além do blog de Au, o Terra Nova e o SLOG.

August 20, 2006

a fazenda de buracos negros

grid wars

Sempre tive uma certa curiosidade em relação a Geometry Wars, para entender como um shmup com um visual retrô poderia ser o grande sucesso do sistema de distribuição de jogos via Internet do XBox 360. Especialmente porque vendo as telas do jogo, nunca consegui entender direito o que estava acontecendo no meio de tanta coisa.

Minha curiosidade foi renovada quando ouvi falar em Grid Wars, um clone que Marco Incitti havia feito para PC e Mac, usando um engine em Basic chamado Blitz. Mas com o envelhecimento cada vez mais agudo do meu computador, e a crescente falta de espaço em seus HDs, tenho sofrido de uma certa depressão nerd que se manifesta na falta de vontade em instalar novos jogos.

Enfim, a curiosidade acabou vencendo a depressão quando pulularam pela Internet notícias de que a Bizarre, criadora do Geometry Wars (originalmente um joguinho extra escondido dentro de Project Gotham Racing 3), tinha resolvido processar quem fizesse clones de seu jogo, a começar por Incitti. O autor tirou o download do jogo de sua página, mas outros blogueiros já haviam espalhado os arquivos e não tive grandes problemas em encontrá-lo.

Pois o jogo é tão bom que nem mesmo é preciso instalá-lo, basta descompactar o arquivo .ZIP em uma pasta, clicar no executável e sair jogando. E por “sair jogando”, entenda-se isso mesmo, porque o bichinho é tão intuitivo quando poderia-se querer de um jogo. Agora, três dias depois, posso afirmar que estou absolutamente viciado nesse simpático shmup.

Se alguém se interessar em jogá-lo, saiba que é possível usar uma combinação de teclado e mouse como controles, mas que como foi desenvolvido para ser usado com um gamepad com dois controles analógicos, este se torna quase obrigatório para apreciar melhor a jogabilidade. E quem achar que está fazendo muito poucos pontos, pode aumentar um pouco o campo de jogo (eu uso 1280x960) e deve ler o post do World of Stuart que eu linkei dois parágrafos acima, que dá algumas boas dicas de estratégia.

De qualquer jeito, fica a dica: quem gosta de um jogo que não precisa mais que cinco segundos para aprender a jogar, que não tem uma longa história ou intermináveis quebra-cabeças a serem desvendados, ou é um fã de shmups, deve experimentar este jogo muitíssimo bem pensado. Garanto que ficarão viciados como eu.

January 21, 2006

um presidente muito louco

Uma gamehouse alemã de certo renome está desenvolvendo um adventure com uma temática erótica e gráficos 3D minimamente realistas (ao contrário do visual cartunesco do jogo semelhante produzido pela Sierra), para ser lançado este ano. Como se isso já não parecesse o suficiente para, nos dias de hoje, causar certo tumulto entre legisladores mundo afora, parece que a CDV pretende distribuir o jogo digitalmente, tornando inúteis classificações de idade como da ESRB.

Neste caso, no entanto, eu torço para que o jogo gere todo o tipo de manifestações de repúdio por parte de políticos, advogados e grupos de mães. Algumas ações judiciais envolvendo mr. Jack Thompson também seriam bem-vindas. Por quê? Simples, o nome do jogo em questão é Lula 3D. Se o jogo criar polêmica e começar a virar notícia, é impossível que não surjam manchetes hilárias envolvendo o nome do excelentíssimo.

August 8, 2005

caretas

Like rock and roll in the 1950s, games have been accepted by the young and largely rejected by the old. Once the young are old, and the old are dead, games will be regarded as just another medium and the debate will have moved on. Critics of gaming do not just have the facts against them; they have history against them, too.

Amém. E quem sabe videogames e pornografia não sejam a salvação da juventude?

July 21, 2005

olho roxo

“Se a Rockstar não quisesse que [o Hot Coffee] fosse descoberto, não deveriam ter deixado as cenas de sexo no disco”. Realmente.

Leiam a coisa toda.

July 20, 2005

jogos pra crianças

Complaining that Nintendo is “too kiddy” is like complaining that The Muppets just doesn’t connect with you like it used to now that you’ve grown up.

Assino embaixo de tudo. Só que assim como eu não gosto mais de Muppets agora que cresci, também não sinto nenhuma atração pelo que a Nintendo tem a me oferecer em termos de games. (valeu, Mojo)

July 15, 2005

jobs at gizmodo dot com

Nada de currículos. Nada de anexos. Requerimentos com qualquer um serão apagadas sem serem lidas. E por favor, pelo amor de Deus, nada de IMs. Ao invés disso, escreva um parágrafo sobre você, e um parágrafo descrevendo seu gadget favorito. Nos diga quais outros sites ou publicações sobre gadgets você lê regularmente, e porque você gosta (ou não) deles. E inclua um link para o seu blog, se você tiver um.

Os sites de tecnologia da Gawker Media, Gizmodo (gadgets) e Kotaku (games), estão precisando de “escritores“. Não consigo pensar em um método de seleção que mais me agrade do que esse. Bem que podia virar moda.

July 13, 2005

você quer uma revolução?

1,000 Japanese consumers aged between 10 and 59 were questioned for the survey, with 60 per cent choosing the PlayStation 3 as the next-gen system they’re most interested in, followed by the Nintendo Revolution on 8 per cent and the X360 on just 2 per cent.

Bom, se japoneses é que entendem do que é bom em termos de video-game, acho que já temos uma boa indicação de qual será o melhor console da próxima geração.

July 6, 2005

caixas e barris

Ao comentar o Gamer’s Manifesto em um post passado, eu concordei que o uso de caixas em jogos, especialmente em FPS, era pura preguiça por parte dos programadores. Pois parece que tem quem goste dos bichos. Alguns nerds sem nada melhor para fazer resolveram criar um site para registrar, através de screenshots, as aparições de caixas e barris nos mais variados jogos do mundo. Assim, apresento-lhes o Crates & Barrels. (via Kotaku)

July 3, 2005

game fisking

Lá no blog do Cardoso, o Mojo queria saber qual minha bronca com o Gamer’s Manifesto. Resolvi que o assunto merecia um post próprio, ponto por ponto. Assim:

  • 1. Give us A.I. that will actually outsmart us now and then.

    É um bom pedido, do qual nada tenho a reclamar. Ou melhor, tenho. Quantos jogos existiam, há cinco anos, com inimigos que agem “com inteligência”? No que concerne a minha experiência com jogos, a inteligência artificial tem melhorado ao longo dos anos.

    Existem coisas impensáveis há alguns anos, como a idéia de juntar a inteligência artificial ao ragdoll physics, para que um inimigo não pareça apenas um saco de batatas ao tomar um tiro, mas tente se virar quando cai no chão ou ao menos proteja o rosto. Diabos, é só comparar as diferentes versões de Winning Eleven pra ver essa evolução.

    Mas, mais do que isso, a história de que o PS3 e o XBox 360 verão um retrocesso nesse sentido por causa da arquitetura de seus chips é absurda. Se a natureza in-order de seus CPUs deixará o código mais lento, isso será contrabalançado pela absurda velocidade dos ditos cujos. Não chegará aos pés de um Athlon64 em termos de performance, mas não haverá retrocesso em termos de inteligência artificial.

  • 2. Give us a genre of game we’ve never seen before. Something that’s not an FPS or an RPG or Madden NFL or…

    O nonsense dessa reclamação está explícito na comparação com Hollywood. Era a esse tipo de coisa que eu me referia quando reclamava do juremismo do texto. Se filmes tipicamente hollywoodianos seguem uma fórmula óbvia e nada original, é porque é isso que as pessoas compram. E é essa grana que permite que existam filmes mais alternativos, com roteiros mais desenvolvidos e experimentalismos em geral.

    Então, assim como continuarão a existir filmes independentes enquanto houver cinema, continuarão a existir os Katamari Damacy da vida. Em pequeno número, é verdade, mas existirão.

  • 3. Don’t bullshit me about your graphics

    A foto colocada no manifesto é obviamente fake. Mas algumas das imagens que vi de jogos para os novos consoles, anunciadas como in-game, são absolutamente impressionantes. Vi alguns vídeos de apresentações na E3, e não vejo razão para duvidar que esse tipo de qualidade pode ser esperada dos novos consoles.

  • 4. Nipples?
  • 5. And on the opposite side of the nipple coin…

    Pra mim, são duas reclamações absolutamente bestas. Qual a utilidade de fazer um jogo ser adult-only? Grand Thef Auto: San Andreas corre o sério risco de receber esta categorização depois de ter surgido o sex mod para o jogo, mas não sei de isso ter tornado seu gameplay melhor.

    Quanto às mulheres, o próprio autor profetiza: “Como em toda indústria, é inevitável que as mulheres eventualmente construam seu lugar na indústria do desenvolvimento de jogos“. Exato.

  • 6. All of the new consoles will have hard drives. Use them.

    Outra boa reclamação. A qual o próprio autor comenta que já está sendo implementada.

  • 7. Loading…

    Que amontoado de bobagem. Uma das pragas dos jogos multi-plataformas, no PC, é exatamente a necessidade de instalar os jogos inteiros no HD. Experimentem ver o espaço necessário para uma instalação de Far Cry ou de Star Wars: Knights of the Old Republic. E os loading times continuam existindo. Diabos, Super Mario World, no Super Nintendo, já precisava carregar os níveis.

    E também conheço pouquíssimos jogos que realmente mereçam reclamações quanto à demora para carregar níveis.

  • 8. I understand that John Madden was raised by wild boars…

    Madden NFL não é o único jogo de futebol americano que existe.

  • 9. Immersion and the invisible hand of God

    Mais uma reclamação sem procedência. Assim como a inteligência artificial, é algo que vem melhorando na mesma proporção com que os jogos evoluem. Em There, por exemplo, é possível dar uma volta completa no mundo sem nunca precisar de uma parada para loading times ou bater em paredes invisíveis ou qualquer coisa semelhante.

  • 10. And while we’re at it…
  • 11. And while we’re still at it…

    Algumas reclamações caem na categoria acima. Acho engraçada a bronca (com razão) em relação a ângulos de câmera bizarros. Ao longo de todo o manifesto, e seguindo o raciocínio de caras como o Mojo e o Cardoso, a Nintendo é tratada como a salvadora da pátria no sentido de fazer Jogos, com “j” maiúsculo. E no entanto, se existe algum culpado por ter inventado os ângulos de câmera bizarros e irritantes em jogos 3D, esse culpado chama-se Mario64.

  • 12. Don’t bullshit us on the difficulty
  • 13. Don’t bullshit us on the game’s features

    Aqui sou obrigado a aceitar todos os pedidos. São reclamações que sofrem do característico juremismo de todo o texto, porque são coisas que fazem parte de um ou outro jogo, de maneira nenhuma sendo característicos de toda a gama de jogos feitos atualmente. No entanto, são todos pontos que, de uma maneira geral, deviam ser abolidos de absolutamente QUALQUER jogo.

  • 14. Seriously, get rid of the crates

    Outra reclamação procedente. As malditas caixas são pura preguiça.

  • 15. Stop the Short-Sighted Business Bullshit

    Sounds like a commie thing to me.

  • 16. Don’t use the online capability as an excuse to release broken games

    Outro pedido justo, embora seja o mesmo caso dos pontos 13 e 14. São poucos os jogos em que os patches são realmente necessários para que ele funcione da maneira adequada. Mas, esse tipo de jogo jamais deveria existir, é verdade.

  • 17. Don’t let other features distract from gaming

    Como o próprio autor diz, a Nintendo é quem mais se ateve à idéia de gaming-only e olha o que isso fez por ela. É absolutamente natural que um video-game use Blu-Ray para ter o máximo de espaço possível em suas mídias; é absolutamente natural que queiram se utilizar da capacidade de TVs de alta definição; e é absolutamente natural que queiram se utilizar de receivers com Dolby Digital ou DTS.

    Ora, que diferença faz se, tendo todas esses possibilidades, eles se aproveitam para rodar outras coisas que não jogos?

  • 18. Don’t use online play as an excuse to bleed us dry

    É engraçado falar isso logo depois de ter elogiado a Nintendo. Pelo que eu sei, o grande atrativo do Revolution, o próximo console da empresa, será a habilidade de baixar jogos clássicos como toda a série Super Mario, Metroid, Zelda e quetais. Downloads que serão obviamente cobrados.

    E, mais uma vez, toda a reclamação recalcada de que os garotos ricos terão acesso a todas as coisas boas, assim como no mundo real, sounds like a commie thing.

  • 19. NO MORE JUMPING PUZZLES IN FPS GAMES

    De fato.

  • June 30, 2005

    jogo-rama

    Os anúncios sobre a suposta velocidade de processamento dos consoles da próxima geração, em especial o XBox 360 e o Playstation 3, têm deixado bastante gente excitada. Uns não vêem a hora de colocar suas mãos no que deve ser uma revolução no mundo dos games, outros estão preocupados que os jogos ficam cada vez mais burros.

    Os segundos, como o cara que escreveu o Gamer’s Manifesto, não têm nenhuma razão para se preocupar, na minha opinião. Eu, pelo menos, não lembro de nenhum jogo de Atari que chegasse aos pés de Medal of Honor, Battlefield 1942, Neverwinter Nights e tantos outros. É só mais um sintoma daquela nostalgia que leva o pessoal a dizer que ninguém mais faz rock de verdade.

    Os primeiros, que chegam a imaginar que os novos video-games significarão o fim do uso de computadores para jogos, também não podem estar mais equivocados. Segundo a Anandtech, tanto o console da Microsoft quanto o da Sony não chegarão aos pés de um Athlon64 ou de um Pentium 4.

    E considerando que são tecnologias feitas para durar entre 3 a 4 anos, antes da próxima geração, parece que computadores e sua facilidade de avanço em termos de hardware continuarão sendo a melhor plataforma para jogos que existe.

    P.S.: aparentemente, a Anandtech foi slashdotted e o artigo não está mais no ar. Quem quiser, no entanto, pode ler esta análise dos dois consoles (mas sem a comparação com PCs), para ver que outra previsão também vai por água abaixo: o XBox 360 e o PS3 serão praticamente iguais em termos de desempenho.

    June 9, 2005

    eu jogo plataformas

    Bendito seja o mundo da emulação. Desde que havia trocado minha placa de vídeo e voltado a poder rodar jogos no meu computador, andava com saudades de um bom jogo de plataforma. Mas nada de 3D, de ter que brigar com ângulos de câmera ou com joypads analógicos. Queria algo clássico, em 2D e side-scrolling.

    Minha primeira idéia, então, foi atacar o Home of the Underdogs atrás do melhor jogo desse estilo que me lembrava de já ter jogado em um computador: Jazz Jackrabbit 2. Foi uma ótima idéia, pois o jogo continua sendo extremamente divertido e bem feito.

    No entanto, ao ver este post no BoingBoing, sobre um cara que espalhou Power Cubes do Mario pela cidade de Windsor, no Canadá, comecei a sofrer de uma gigantesca nostalgia por Super Mario World, um dos primeiros jogos do Super Nintendo, e certamente o melhor jogo de plataforma da história.

    Como eu não tinha nenhuma intenção de comprar um SNES usado, ou de pagar uma fortuna por um GameBoy Advance, só sobrou a opção da emulação. Arranjar o emulador foi fácil, mas arranjar o ROM do Super Mario World não foi nada fácil.

    A maldita Nintendo é a mais chata das produtoras de video-game no que concerne o direito autoral de seus principais jogos. Eles vivem à caça de sites que estejam oferecendo ROMs de títulos do SNES ou do N64, especialmente das franquias Mario e Zelda. Depois de muito fuçar, quando já estava pronto para baixar um pacote com 750 jogos diferentes via BitTorrent, finalmente encontrei este link, em um blog holandês.

    Então, finalmente, sou uma criança feliz, novamente. Já tenho como gastar alguns meses da minha vida, tentando encontrar cada um dos níveis secretos desse jogo interminável, além de gastar algumas horas tentando configurar meu gamepad para ser reconhecido pelo emulador.