August 23, 2006

se você é pedófilo, disque 1

Enquanto notícias da briga do Ministério Público de São Paulo com o escritório brasileiro da Google chegam ao Slashdot, o blog da empresa faz questão de lembrar de seu compromisso em combater a pedofilia. Já a Microsoft, anuncia uma inovação no MSN Messenger: um botão para denunciar pedófilos ou pessoas com atitudes suspeitas no programa de chat.

Acho a medida louvável, claro, mas não consigo deixar de imaginar o quanto crianças e jovens - que pelo menos no Brasil são importante parcela de usuários do programa - não vão usar método para sacanear algum amigo. No Orkut, não são poucas as histórias que já ouvi falar de pessoas indicando o perfil de amigos como sendo bogus apenas pela sacanagem.

Pelo que entendi, por trás do botão do MSN estará toda uma equipe de pessoas, inclusive policiais, especializada no combate à pedofilia. Talvez a possibilidade de ter um policial batendo à sua porta com uma gorda multa pelo trote possa servir para diminuir o ímpeto engraçadinho dos jovens. Mas, ainda assim, tenho minhas dúvidas sobre a eficiência do método.

links [23/08/06]

  • O site de Kevin Mitnick, talvez o mais famoso hacker do mundo e hoje consultor de segurança, foi hackeada;
  • ‘Weird Al’ Yankovic lançou o possível hino desta geração: Don’t Download this Song;
  • Bob Dylan diz que, nos últimos 20 anos, música é tudo uma merda;
  • Depois de recusar prêmio de US$ 1 milhão de dólares, matemático que demonstrou a conjectura de Poincaré também recusa a Fields Medal;
  • Tribunal Regional da Paraíba multa radialista por ter opinião;
  • Ministério Público de São Paulo agora quer multar Google Brasil em R$ 130 milhões.

ministro do trabalho das comunicações

O grande projeto de vida do ministro Hélio Costa é a definição da Lei Geral da Comunicação de Massa, que unificaria a legislação que trata de telefonia, Internet, televisão e rádio. Aparentemente, o assunto lhe preocupa tanto que ele está disposto a simplesmente impedir qualquer novo avanço tecnológico no país até que isto esteja resolvido, sempre evitando decisões puramente técnicas e garantindo o lado social do desenvolvimento.

Primeiro, demonstrou profunda preocupação sobre a hipótese de o governo começar a utilizar software livre em seus sistemas, dizendo que, devido a algumas preocupações, precisava de mais tempo para ponderar o assunto. Depois foi a TV Digital, que também precisa ser discutida em intermináveis painéis públicos, para que ninguém se esqueça da inclusão digital, ou use a tecnologia para enriquecer.

Mais recentemente, Costa se mostrou profundamente incomodado com a decisão da Anatel de fazer leilão para a exploração de Internet em banda larga através de redes sem fio de 3,5 GHz e 10,5 GHz (vulgo WiMax).

A agência, criada exatamente para que este tipo de coisa não ficasse à mercê dos interesses duvidosos de ministros e congressistas completamente ignorantes, manteve a decisão de fazer o leilão. Alegando, como sempre, a necessidade de discutir melhor o assunto, o ministro ameaça impedir o dito cujo através de uma portaria.

Hmm, tem mais alguma tecnologia nova na área de telecomunicações que ainda não foi implementada no Brasil? Ah, claro, redes de celular de terceira geração, ou apenas 3G. Não se preocupem, nosso sempre atento e preocupado ministro já está pronto para defender a sociedade, e garante que qualquer decisão sobre o assunto “não será apenas técnica“.

August 22, 2006

não assino embaixo

Dave Winer é uma figura um pouco controversa no mundo da tecnologia. Por um lado, é respeitadíssimo como programador, seu nome indissociável de coisas como o MS Office e o padrão RSS. Por outro lado, é tido por arrogante e pronto para chamar de ignorante qualquer pessoa que não concorde com suas opiniões. Um pouco como o Mark Cuban, é um cara que todos gostam de odiar.

Seu trabalho atual é com o uso de OPML para criar blogs como o dele, onde ao invés de um post atrás do outro temos uma série de pequenas notas, organizadas da maneira que o autor bem entender. Confesso que nunca entendi quais as grandes maravilhas que isso possibilita, mas a maneira com que Winer defende o formato demonstra que ele acredita se tratar de algo possivelmente tão importante quanto o RSS. Sendo ele quem é, eu não duvido.

Como todo bom programador, no entanto, ele gosta de achar outras coisas para fazer em seu tempo livre. Especialmente, ele gosta de criar programas para fazer algo que ele precisa e ninguém ainda pensou em fazer. O que tem me incomodado, é que suas duas últimas grandes batalhas envolvem duas tecnologias que eu não consigo achar que merecem muita atenção.

Primeiro foi a ressurreição de um diretório de podcasts, obviamente utilizando OPML. Eu sei que muita gente baixa podcasts, e que há até quem os ouça. Mas para algo que deveria ser revolucionário, que deveria ameaçar o rádio da maneira com que os blogs ainda metem medo em grandes jornais, eu não consigo ver muita gente adotando o formato e/ou fazendo coisas particularmente importantes com ele.

A outra coisa é o tal River of News, a idéia de um agregador que, ao invés de separar posts em grupos e ítens - como se fossem mensagens de e-mail - coloca tudo em seqüência, conforme a data, em uma só janela que o usuário vai lendo conforme bem entende.

O agregador que eu uso e recomendo para todo mundo até mostra posts agrupados em uma só página, como se fosse um jornal, ao invés de transformá-los em ítens. Mas, sinceramente, como alguém que assina 145 feeds que rendem uns 3000 posts por dia, eu jamais conseguiria lidar com um agregador puramente no estilo River of News. Inclusive, esta foi uma das razões para eu parar de usar o Bloglines.

Ultimamente, Winer tem se preocupado em tornar mais fácil a vida de quem quer ler notícias em aparelhos como o Blackberry. Sua solução? Claro, mostrar os sites em uma versão River of News. Por enquanto, já fez isso com o NY Times e a BBC. O próprio Dave Winer e outros já estão dizendo que este é um turning point na utilização de celulares e quetais para a leitura de notícias.

Agora, sinceramente, pra que ler notícias em um Blackberry, um Treo, um Motorola Q ou o que quer que seja? Que tal utilizar um PDA com uma tela decente ou, melhor ainda, um notebook? Verdade que nunca usei um destes smartphones - se a Tim quiser me dar um para resenhar, estou à disposição -, mas realmente não consigo ver graça nenhuma em usar um aparelho desses para surfar na web, ler blogs e sites de notícia. Mandar e receber e-mails já me parece um pouco absurdo.

Considerando o currículo de Winer, não me sinto capaz de dizer que ele está apenas puxando a sardinha para o seu lado. Mas, ainda assim, não sou capaz de dar a suas últimas cruzadas a mesma importância que ele costuma propagandear.

browser talks

Uma mensagem em um fórum de desenvolvedores da Mozilla deixou a comunidade de tecnologia em polvorosa hoje: trata-se de um convite oficial da Microsoft para que o pessoal da Mozilla participe de seus laboratórios a fim de melhor integrar Firefox e Thunderbird à nova versão do Windows. Não são poucos achando que o convite é um reconhecimento oficial do pessoal de Redmond em relação à qualidade do browser de seus competidores.

Curiosamente, hoje mesmo encontrei no Digg uma excelente comparação entre o Internet Explorer 7.0 e o Mozilla Firefox 2.0, que conclui que com todos os avanços no browser da Microsoft, dificilmente alguém que ainda não o fez irá se sentir tentando a experimentar o produto da Mozilla. Conclusão que me parece bem razoável, e que me deixa tão feliz quanto os autores em saber que o usuário padrão do Windows terá um programa muito melhor e mais seguro em suas mãos.

Tudo isso para dizer que, de maneira alguma, imagino que a idéia de pessoas como o Charles seja plausível. O desenvolvimento do Internet Explorer pode ser caro e não trazer grandes dividendos à Microsoft. Mas se fosse para se unir a outra empresa, a fim de “terceirizar” a produção de seu browser, já teriam feito isso nos tempos do Netscape. E se fossem fazer agora, tenho certeza que mais provável seria comprar o Opera.

Acho, sim, que este é só mais um passo na recente mudança de filosofia a acontecer em Redmond, que já rendeu a adoção do ícone padrão do RSS no Vista, a implementação de um formato de documento aberto no próximo Office, e a preocupação de dar suporte correto aos standards da W3C nas novas versões do IE. A Microsoft não chegou onde está hoje por ser incapaz de reconhecer as vontades de seus usuários.

De minha parte, mesmo positivamente impressionado pelos avanços do Internet Explorer, devo continuar a usar o Firefox por algum tempo. Estou acostumado demais com a maravilha das extensões criadas por seus usuários para me imaginar usando outro browser - e se o fizesse, provavelmente seria com o Opera, o mais adequado de todos aos padrões W3C. Mas também espero que a “reação” da Microsoft leve o pessoal da Mozilla a não se jogar nas cordas, e continuar fazendo o possível para melhorar seu produto.

links [22/08/06]

haja paciência

Depois de não sei quantos anos de discussões absolutamente infrutíferas, o governo brasileiro decidiu, este ano, adotar o já famoso “padrão japonês” para a TV digital a ser implantada no país. Assim, teremos uma espera de até 10 anos para finalmente termos acesso às vantagens que o sistema já leva para moradores de lugares como Japão, Inglaterra e Estados Unidos.

Ou não. Primeiro, há notícias pouco encorajadoras sobre a capacidade do mercado de alcançar o nível de produção previsto por lei. Além disso, todo mundo quer um pedaço do bolo e vive a reclamar que quer mais espaço na discussão da implantação do sistema no Brasil.

Mas pode ser que toda esta gritaria, no fim das contas, não sirva para nada. Afinal de contas, agora o Ministério Público - sempre ele - está querendo anular a escolha do padrão japonês, por uma série absurdamente grande de razões. Obviamente, a sanha regulatória de nossos três digníssimos poderes vai acabar é fazendo com que, quando a discussão tiver um fim, a tal “TV digital” já será algo do passado.

Poucos assuntos me deixam mais irritados com a incompetência e a ânsia de poder de nossos governantes e legisladores como este da TV digital. Cada vez que ouço falar em “transmissões de alta definição”, “interatividade” ou coisa que o valha, minha vontade é de fazer as malas e ir virar hamburguer em algum lugar minimamente civilizado, onde governantes estão mais preocupados em evitar que se leve pasta de dente em aviões.

August 21, 2006

Glauber Rocha do silício

Conheço várias pessoas que acham que têm idéias geniais sobre algum produto ou programa de computador, que lhes renderia uma fortuna se eles apenas soubessem como torná-los reais. Pois para quem acha que tem uma idéia original e genial para um software, Phillip Ryu está pronto para tornar seus sonhos realidade.

Resumindo, My Dream App é um concurso para eleger a melhor e mais original idéia de software que qualquer pessoa no mundo puder criar. Em uma primeira fase, três reconhecidos desenvolvedores de programas para Mac irão escolher as 24 idéias que acharem mais dignas de verem a luz do dia. Daí em diante, cabe aos participantes fazer o que acharem necessário para convencer os leitores do site de que sua idéia deve ser levada a cabo.

No fim, quem ganhar verá um grupo de desenvolvedores trabalhar para transformar sua idéia em um shareware para o Mac, e receberá uma participação nos eventuais lucros que ele gerar. Uma idéia na cabeça e um computador na mão, e você pode estar ao lado de Steve Jobs na próxima WWDC.

links [21/08/06]

  • Japoneses dançam a polka do Pokémon. Melhor país, já diria o Mojo;
  • Adam Sandler vai doar 400 playstations para crianças israelenses que sofreram com bombardeios durante a recente guerra com o Hezbollah;
  • Especialistas dizem que uma versão Linux do MS Office é “inevitável“. Duvido e faço pouco;
  • Parece que acharam o matemático que demonstrou a conjectura de Poincaré, pobre e morando com a mãe em um subúrbio de São Petersburgo. Sua humildade, no entanto, o impede de aceitar o prêmio milionário pela conquista;
  • Por falar em achar, um produtor australiano encontrou um rolo de filme do pouso da Apollo 11 na Lua, que a Nasa anda procurando desesperadamente, entre seu gigantesco acervo pessoal.

fala sério

Da Folha Online:

O governo chinês acusa a internet de provocar aumento no número de casos de assédio sexual no país.

Faltou completar com um “até o fechamento desta edição, a Internet não foi encontrada para responder às acusações”.

August 18, 2006

Orkut, o comedor de criancinhas

Não é incomum ouvir ou ler alguém, aqui no Brasil, fazendo pouco do puritanismo do povo norte-americano, ainda mais considerando o presidente e o grupo de homofóbicos fundamentalistas cristãos a ocupar a Casa Branca atualmente. Quando o mesmo tipo de irracionalidade e provincianismo acontece por aqui, no entanto, é muito improvável que o assunto renda um editorial em jornal de prestígio, ou uma coluna de opinião que seja.

A edição desta sexta-feira do Jornal Hoje noticiou, com algum atraso, um destes casos que ainda está a se desenrolar em salas e tribunais do Legislativo e Judiciário brasileiros: a briga do Ministério Público e da patrulha anti-pedofilia contra a Google por causa do uso do Orkut para a prática de crimes.

Como em todos os casos do tipo, a preocupação dos bastiões da moral e dos bons costumes começou assim que a rede de relacionamentos se tornou quase que unanimidade no Brasil. Em maio de 2005 a Folha de S. Paulonoticiava a ação da polícia de São Paulo contra o fundador de uma comunidade racista no Orkut.

Este ano, como se podia esperar, a coisa passou da esfera de processar e prender estes criminosos, para cobrar explicações do escritório brasileiro da empresa sobre como pode deixar pessoas cometerem este tipo de crimes. A Google Brasil explicou - e continua a explicar, cada vez que o assunto volta a ser levantado - que os servidores com as informações que a polícia e o MP querem ficam nos EUA e que, para acessá-los, deveriam encaminhar as ordens à Google Inc.

Bom, mas aí a coisa complica, porque trataria de processar uma empresa norte-americana, em país onde existe aquela inconveniente Primeira Emenda que protege até mesmo discursos racistas. Não, o procurador regional dos Direitos do Cidadão no Estado de São Paulo, Sérgio Gardenghi Suiama, arranjou uma saída melhor: utilizar o “modelo chinês”, isto é, transferir os servidores e os dados relacionados ao Orkut para o Brasil, para que possam ser facilmente acessados cada vez que o judiciário brasileiro assim julgar conveniente.

Sim, um procurador de “direitos do cidadão” sugeriu a implantação de um acordo com a Google que se pareça com aquele feito na China, aquela ditadura comunista que obriga o serviço de busca a não listar nenhum site relacionado ao Tibete, por exemplo. Isso para não entrarmos na questão de quanto dinheiro estaria envolvido neste tipo de operação.

Agora, segundo a matéria do Jornal Hoje, o Ministério Público está cogitando solicitar o fechamento do escritório da Google Brasil, por não cooperar com a Justiça. Claro, porque nada melhor para conseguir sua ajuda e boa vontade do que chutá-los para fora do país - mesmo depois de eles explicarem algumas centenas de vezes que os pedidos devem ser encaminhados para os EUA - e garantir que tudo relacionado ao Orkut continue em Mountain View, bem protegido pelas leis norte-americanas.

Antes de alguém dizer que estou fazendo uma tempestade em copo d’água, que o Ministério Público está correto e legalmente amparado em ir atrás de racistas e pedófilos, pensem no que aconteceria se fosse o sr. Alberto Gonzáles a pressionar a empresa para que divulgasse IPs de usuários de seus serviços. Algo me diz que o caso receberia um pouquinho mais de atenção.

links [18/08/06]

play it again, sam

Quase todo mundo que eu conheço que já ouviu falar no TiVo, gostaria que existisse coisa parecida no Brasil. Muita gente não sabe, mas existe: Sky +. Tem todos os recursos de gravação, pular comerciais ou pausar programas ao vivo que todo mundo quer, e ainda com som Dolby Digital 5.1 e algumas transmissões em widescreen.

A razão pela qual pouca gente conhece o serviço, creio eu, é o fato de que, ainda que a mensalidade seja quase a mesma do serviço comum da Sky, o equipamento necessário custa R$ 1.299, contra R$ 399 da versão normal.

Outra coisa que muita gente, por aqui, parece não saber é que o TiVo é um equipamento independente do serviço de TV por assinatura. A grosso modo, é um vídeo-cassete digital que fica no meio do caminho entre a televisão e o decodificador da Net ou coisa que o valha. O segredo todo está no software do bicho, e no fato de ter acesso a um banco de dados com as programações atualizadas de todas as operadoras de TV por assinatura.

E é este último quesito que me deixa puto da cara, porque é ele que torna inútil, aqui no Brasil, algo como esses media centers que usam MythTV para fazer as vezes de personal video recorder. Obviamente, a Sky não teria interesse nenhum em cooperar neste sentido, porque correria o risco de estar perdendo clientes de seu serviço premium. E a Net, sua única competidora, parece estar meio atrasada demais para se preocupar com esse tipo de coisa.

No fim das contas, espera-se, é tudo questão de tempo até que este serviço da Sky+ fique mais barato, ou que algo semelhante ao TiVo apareça por aqui. Ou não, já que em 2003 o Terra noticiava que “TiVo e Replay TV estão chegando ao Brasil“.

August 17, 2006

links [17/08/06]

o poder das pontas

Nos velhos tempos em que esponja de aço era o supra-sumo da tecnologia para conseguir imagens de alta definição, a gente teve uma dessas antenas Plasmatic aqui em casa. A diferença é que a antena UHF era um pouco mais redonda e os riscos eram vermelhos, e não brancos.

Hoje em dia, antenas internas passaram a ser peça de museu e não há mais uma desculpa razoável para se ter uma pirâmide como parte de um sistema de entretenimento qualquer. Quer dizer, não havia. Parece que algum brasileiro fã do produto da Plasmatic acabou virando designer de computadores nos EUA e ajudou a criar o Maingear Prisma Entertainment PC.

Segundo um leitor no Gizmodo, por lá tem apenas o gabinete neste formato para vender, também. Você, que passou um dia inteiro emburrado ao ter que jogar sua Plasmatic fora depois que passou a ter TV por assinatura, pode tentar convencer a loja de produtos de informática mais próxima da sua casa a importar uma dessas belezuras para você.

August 16, 2006

caveat emptor, indeed

Esse é o Brasil: graças a preços exorbitantes e à presença em qualquer projeto de design de interiores que se preze, as televisões de plasma rapidamente se transformaram no símbolo de status que todo brasileiro rico almeja. Agora, os consumidores estão recorrendo ao Ministério Público porque a imagem em seus aparelhos novos é pior do que em antigos.

Uma das reclamações é sobre um problema mais do que notório em se tratando de televisões de plasma: burn-in. Mas o mais engraçado é reclamarem do fato de a imagem transmitida por serviços analógicos não ser em widescreen, como seus aparelhos, resultando ou em uma imagem distorcida ou com barras pretas na lateral. Mas, também, não podemos culpá-los por terem imaginado que uma televisão de R$ 10 mil fosse fazer mágica.

Agora, estou só esperando começarem a surgir os aparelhos de HD-DVD e Blu-Ray por aqui, para essas mesmas pessoas voltarem ao Ministério Público para reclamar do fato de que suas supostas televisões de alta-definição na verdade não têm capacidade de lidar com sinais de 1080p. Só não consigo decidir se o problema está na choradeira dos consumidores incapazes de fazer um mínimo de pesquisa sobre o produto que querem comprar, ou no absurdo de o Ministério Público resolver agir como babá deste bando de crianças.

novidades Google

Beta Blogger: aparentemente, a competição do serviço oficial da Wordpress fez efeito em Mountain View, e uma nova versão do mais popular serviço gratuito de blogs ganhou um upgrade.

Há novidades excelentes, como o uso de tags e o melhor editor WYSIWYG para templates que eu já vi. Mas há uma novidade, que segue uma tendência de todos os produtos da Google e que me irrita profundamente: o acesso através de sua Google Account. Assim, é impossível, por exemplo, estar logado no GMail com uma conta, e querer entrar no Blogger com outra.

Google Talk: no aniversário de um ano, o mensageiro da empresa também passa por uma renovação. Agora, é possível trocar arquivos com seus amigos, deixar mensagens de voz para quem não está online, e compartilhar uma lista de músicas que você está ouvindo. Falta pouco para virar o MSN.

WiFi gratuito: sempre sedentos por informação, o pessoal em Mountain View resolveu utilizar sua cidade como laboratório. Eles fornecem acesso gratuito à Internet, e os usuários deixam a Google monitorar seus hábitos de busca e navegação. Privacidade zero, claro, mas tem quem ache que isso pode ser algo bom.

Copyright: esta história de querer processar pessoas por usarem o verbo “to Google” em relação a buscas feitas com outros sites que não o próprio é de uma estupidez e mesquinharia dignas de RIAA, Sony e Apple. Não só pega mal para a imagem da empresa, que já viu dias bem melhores, como é uma batalha tão perdida quanto aquela contra a pirataria de discos e filmes.

UPDATE: o Google Analytics, serviço de medição para sites, que funcionava no mesmo sistema de convites do GMail e Orkut, agora é livre para qualquer um. Para abobadinhos das estatísticas, parece uma grande pedida.

RFID comanda minha oitava

Parafraseando uma folclórica professora fabicana, há uma monografia a ser escrita sobre o momento em que a intelligentsia midiática brasileira resolveu que, frente ao imediatismo dos noticiosos internéticos, a saída para publicações impressas era apelar às matérias de comportamento. Ou seja, “se com notícia corremos o risco de ficar defasados, vamos publicar apenas coisas de gaveta”.

Há exceções, claro (Carta Capital e, em tempos de governo Lula, Veja me vêm à cabeça), mas servem proverbialmente para confirmar a regra. O fato é que, com essa mudança de cenário, jornalistas em geral viram seu trabalho reduzido a reconhecer tendências e à famosa caça de cases, especialmente em áreas minimamente ligadas à cultura.

Em tempos de mais de 35 milhões de blogs, e em um país de terceiro mundo profundamente influenciado pela cultura norte-americana, este trabalho fica um pouco facilitado. A mania do iPod, por exemplo, foi telegrafada com pelo menos um ano de antecedência, para quem tivesse um mínimo de bom senso - ainda mais que, por aqui, o bicho é caro e acaba virando símbolo de status.

O segredo acaba sendo identificar aquele momento exato em que um determinado produto ou assunto vai virar inevitável, ao mesmo tempo em que ele ainda não ganhou muita atenção por parte da grande mídia ou formadores de opinião. Pois aposto que estamos exatamente neste momento com relação a uma sigla aparentemente inofensiva: RFID.

Vão ao Google News Brasil, e procurem notícias sobre isso: 56 hits, quase tudo relacionado à aplicação da tecnologia em passaportes na Inglaterra e EUA. Vão ao seu irmão norte-americano e repitam a busca: mais de 2 mil hits, incluindo notícias sobre problemas de segurança, e artigos de opinião sobre a questão da privacidade.

Agora, apelem para os mais de 35 milhões de blogs do Technorati e o número vai chegar perto de 100 mil. Entre eles, nomes deveras respeitáveis como Cory Doctorow ou Bruce Sterling - que inventou o termo arphid para prever seu futuro, e tratar das inúmeras possibilidades de uso artístico da tecnologia.

Seja como for, ainda mais em tempos de über-vigilância e paranóia desenfreada como o que vivemos hoje, parece impossível que a tal Radio Frequency ID não se torne algo tão comum em nosso dia-a-dia quanto, digamos, códigos de barra. A questão, agora, é quanto tempo irá demorar até que nossos “formadores de opinião” fiquem sabendo sobre a dita cuja, suas possibilidades e perigos, e comecem a discutí-la em publicações de grande público.

August 11, 2006

para internação

Alguém me explica como é que uma pessoa em plena sanidade mental é capaz de dizer que um computador compacto que mais parece uma panificadora é “elegante”, “belo” ou “simpático”? É por causa de aberrações como essa que os PCs acabam conhecidos por sua feiúra.

August 9, 2006

sinal…

…de que se está trabalhando demais:

Solon diz: tá, repete em HTML, porque em português eu não entendi