August 21, 2006

o fim do jornalismo

Quando trabalhava como redator no Terra, um de meus trabalhos quase que diários era fazer matérias sobre a lentidão do trânsito em São Paulo ao final da tarde. A função se resumia a conferir o mapa de fluidez da CET a cada meia hora, e fazer um update na matéria com os novos dados, a partir de um template já consagrado.

Não poucas vezes, eu reclamava à Larissa que isso era trabalho para macaco, ou que poderia ser substituído por algum script que gerasse os dados automaticamente. Obviamente, esta não era a única de minhas funções que podia ser entregue a um robô, e nem sou eu o único jornalista a já ter passado por situação semelhante.

Pois o pessoal da Thomson Financial, um grupo especializado em informações de negócios, se deu conta de que estava desperdiçando o talento de seus repórteres na criação de matérias contendo apenas dados básicos a partir de relatórios públicos de grandes empresas. Solução? Criaram um programa de computador capaz de escrever as mesmas matérias menos de um segundo depois de os relatórios serem publicados.

Fico imaginando o tipo de gritaria que isso causaria no sindicato dos jornalistas se alguém aplicasse o método aqui no Brasil. Eu, como sou sempre “do contra”, achei a idéia genial e espero, do fundo do meu coração, que a moda pegue mundo afora e este tipo de tecnologia se torne barato e popular entre grupos de comunicação.

August 3, 2006

bananão

Sou só eu que acho irônica a declaração do senador Renan Calheiros sobre uma suposta tendenciosidade na edição da Voz do Brasil da última terça-feira? Falar em “atentado à democracia e à liberdade de expressão” em se tratando de um programa de veiculação obrigatória por todas as rádios do país, herdado dos tempos da ditadura é, no mínimo, engraçado, por mais que sua reclamação seja procedente.

July 17, 2006

novo fôlego

Por um tempo, pareceu que o Insanus seguia os passos de tantas outras comunidades de blogs, sendo abandonado por antigos membros e minguando em atividade. Mas tudo indica que o Gabriel estava apenas curtindo umas férias e, agora, resolveu voltar com força total.

Primeiro, trouxe o Mondo Estudo para baixo de sua asa, onde parecia lógico que deveria ter nascido. Adicionou uma cartunista à trupe, e parece estar em processo de angariar as participações do Antenor e do Tiago Dória (coloco seus endereços atuais porque os blogs no Insanus estão em fase de testes e, se forem abortados antes de seu efetivo nascimento, não seria a primeira vez). Ah, sim, e a capa passou por um belo processo de modernização.

Como ex-colaborador do coletivo, e amigo de vários de seus participantes e do Mr. Insanus himself, deixo aqui meus votos de que o projeto mantenha-se firme e forte ainda por muito tempo, dando serviço invejável e espaço de razoável visibilidade a um bando de gente competente.

June 20, 2006

por que não leio mais a Slate

Há cerca de um mês, em sua coluna sobre os males do jornalismo na Slate, Jack Shafer reclamava da fixação de leitores e, por conseguinte, de editores de revistas com edições de aniversário. Ao fim do texto, no entanto, ele comenta que:

In the interest of disclosure, I must mention that the mad maw of anniversary issues events will swallow Slate this summer as it turns 10. We will venerate ourselves with a best of Slate book, imaginatively titled The Best of Slate, a hellzapoppin special 10th-anniversary issue, and a 3D forum in New York City in which a virtual Michael Kinsley will leap nude out of a real cake. We’re having a real Kinsley jump out of a virtual cake for our 11th-anniversary waltz.

Neste parágrafo está resumido todo o espírito da Slate: ser ranzinza e do contra, mas com um pouco de humor. Pois conforme ameaçava Shafer, quem for ao site da revista verá que ela está em plena celebração de seus dez anos. Uma das maneiras engraçadinhas e do contra que encontraram para celebrar a data foi convidar pundits conhecidos por serem ferrenhos críticos da publicação, para que nela publicassem artigos em que resumem sua(s) bronca(s) em relação à revista.

Particularmente, sempre me identifiquei com esse espírito ranzinza e do contra, bem como com o sarcasmo que costuma permear seus artigos e matérias. Assim, por muito tempo, conferir a Slate era uma das primeiras coisas que eu fazia ao sentar em frente ao computador no começo do dia. De um tempo para cá, no entanto, comecei a achar o clima de “do contra” exagerado, especialmente depois que a revista passou das mãos da Microsoft para o Washington Post.

Assim, acabei parando de acompanhar a revista e, não fosse por tropeçar nas indicações do Francisco, nem teria ficado sabendo dessa seqüência de críticas a ela própria. Pois fiquei bastante feliz ao ler a crítica de Jonah Goldberg, que reclama exatamente das coisas que acabaram me fazendo parar de ler a Slate:

Contrarianness is a great and good thing—when driven by reason and facts. But contrarianness for its own sake is often the very definition of asininity.

Recomendo, em especial, o parágrafo dedicado a demonstrar como Jacob Weisberg, atual editor da revista, é apenas um pirralho mimado e polemista. Só lamento que ele não tenha dedicado algumas linhas a Shafer, para mim a epítome da pessoa que é do contra só pelo prazer de sê-lo.

As críticas de Eugene Volokh também são bastante procedentes, ainda que pareçam se aplicar quase que exclusivamente à coluna dos Bushismos, editada pelo mesmo Weisberg que diz não precisar checar fatos. Já que ele falou de questões técnicas e de melhor utilização da mídia online, no entanto, não posso deixar de desejar que ele tivesse mencionado o quão ruim e cheio de bugs é o feed RSS da revista. Se esse funcionasse, mesmo não gostando mais da dita cuja como gostei no passado, eu continuaria a acompanhá-la.

May 19, 2006

dúvida

Alguém aí, além de mim, viu a entrevista do Guilherme Fiuza no Jô Soares na quarta-feira e ficou com muita vontade de ler seu livro, 3000 Dias no Bunker, sobre o governo FHC?

April 12, 2006

tudo errado

O gigantismo da internet tem porém pés de barro. Se ganha no alcance, perde no poder de concentração e análise. Qualquer pessoa, medianamente informada ou sem informação alguma, pode manter uma fonte de notícias ou comentários com responsabilidade zero, credibilidade zero, coerência zero.

Carlos Heitor Cony, em coluna para a Folha, entendeu tudo errado. Para começo de conversa, esta mania de arrogar à imprensa o monopólio da verdade e credibilidade é tão equivocado quanto pressupor que apenas políticos de esquerda podem ser honestos e bem intencionados. Mas o pior é que, em sua análise, ele dá à imprensa exatamente o poder que, cada dia mais, pertence a blogs e fontes de mídia alternativa.

Sua confusão talvez se explique pelo fato de Cony ser escritor e pelo perfil dos grandes blogs brasileiros. Mas se há algo em que blogs jamais conseguiram ou conseguirão competir com grandes jornais e conglomerados de mídia é na cobertura de fatos, especialmente de coisas tão grandes como o mensalão. A quantidade de material e gente necessários para este tipo de empreitada são algo que só uma grande empresa midiática é capaz de agregar em um só lugar, ao mesmo tempo.

Por outro lado, blogs são a mídia perfeita para que especialistas falem sobre aquilo que entendem, coisa em que jornalistas são notoriamente incompetentes. Um jornalista normalmente não entende mais de direito do que qualquer cidadão comum, e quando precisa noticiar algo essencialmente jurídico, muitas vezes deixa passar informações que lhe pareciam bobas, mas de fato são muito importantes. Algo que pode facilmente ser apontado por um advogado em seu blog.

Agora, pensem em blogs brasileiros famosos. Ou são blogs de piada, como o Kibe Loco, ou são blogs de jornalistas fazendo clipping do que sai na imprensa durante o dia, como Ricardo Noblat, Josias de Souza e Jorge Moreno. Com esta realidade, não parece tão improvável que Cony pense que blogs possam competir com a grande imprensa na produção de notícias. Noblat, em especial, ficou famoso ao ser citado pelo então deputado Roberto Jefferson ao depor na CPI dos Correios.

Noblat é um jornalista experiente, ligado a um grande jornal, e certamente com vários contatos em Brasília e nos bastidores da política nacional. Não é de se estranhar que seu blog tenha, ao longo do escândalo do mensalão, ajudado a pautar grandes jornais brasileiros. Ainda assim, 90% do seu espaço é dedicado a simplesmente citar passagens de notícias publicadas em grandes jornais ou portais de notícia brasileiros.

Acompanhasse blogs, de fato, e Cony veria que nestes produz-se muito pouco daquilo que costumamos chamar de hard news, notícias sobre acontecimentos cotidianos e de alguma maneira relevantes para um grande público. Ao contrário, a maior parte dos blogueiros costuma se dedicar ao que estou fazendo neste momento: emitir opinião.

E quando se aventuram na terra do que alguns chamam de jornalismo cidadão, blogueiros produzem exatamente a visão de um cidadão comum em relação a algum evento bem específico. Sem contatos de pessoas importantes, quase sempre com empregos que nada têm a ver com o assunto do blog, é muito difícil imaginar que alguém vá ser capaz, ou mesmo que terá vontade, de fazer alguma grande investigação sobre alguma coisa. Quem gosta de fazer essas coisas acaba dando um jeito de virar jornalista.

Quanto à questão da credibilidade, me parece um no brainer, algo que não precisa de mais que um neurônio manco para se entender. Hoje em dia, em muita parte graças a estes mesmos blogueiros em quem Cony não confia, a imprensa tem passado por uma das maiores crises de credibilidade em sua história. Jayson Blair, Stephen Glass, Dan Rather, Eason Jordan, James Frey, Ben Domenech, são apenas alguns que, mesmo ligados às maiores corporações midiáticas dos EUA, tiveram suas falcatruas expostas por blogueiros.

No Brasil, a Istoé teve sua credibilidade bastante abalada devido a críticas de seu antigo editor de Política. E também tivemos o episódio da suposta entrevista exclusiva feita com Woody Allen, muito bem desmascarada pelo Parada. Obviamente, o fato de algo sair na grande imprensa não é garantia de credibilidade, e nem é pelo fato de ser um jornal ou revista de grande circulação que um veículo garante sua credibilidade. Normalmente, é exatamente o contrário que ocorre.

March 27, 2006

vitória para o jornalismo

Um dos melhores blogs que conheço a falar sobre jornalismo é o PressThink, mantido pelo jornalista e professor da NYU, Jay Rosen. Consegue ser quase tão crítico quanto Jack Shafer, da Slate, sem parecer um velho chato e resmungão, e fala com desenvoltura sobre as novas mídias sem o ranço conspiratório que envolve boa parte da blogosfera que jamais pisou em uma redação.

Em seu último post, Rosen fala sobre a vitória para o jornalismo, para o Washington Post e para esta blogosfera, que significou a demissão de Ben Domenech. Para quem não sabe, Domenech é um jovem ativista republicano, que vem de um dos red states, e que foi contratado pelo WaPo para manter um blog com esse perfil, a fim de dar aos leitores do jornal a visão de um defensor do governo Bush. No entanto, logo que sua contratação foi anunciada, surgiu uma avalanche de denúncias sobre plágio envolvendo o blogueiro (ele não se considera um jornalista, ainda que seja sua formação).

De qualquer jeito, recomendo o post de Rosen por duas razões. Primeiro, pela sua sugestão de como o Jim Brady, o editor executivo do WaPo, pode aproveitar esta situação para fazer algo ainda melhor do que o blog que o jornal iria fazer originalmente. E segundo por seu comentário final:

But in fact there is no MSM. No one answers for it. It has no address. And no real existence independent of the dreary statements in which it is bashed. Therefore it is not a term of accountability, which is one reason it’s grown so popular. No one’s accountable; therefore all rants can be right. If you’re a blogger, and you write things like, “The MSM swallowed it hook, line and sinker,” you should know that you have written gibberish. But you probably don’t, for to keep this knowledge from you is the leaden genius of MSM.

Nada como ver alguém falar sobre algo que entende, ao contrário de certas pessoas.

March 17, 2006

da paranóia de direita

Eu tinha escrito este post como um comentário para este post do Paulo, lá no F.Y.I. No entanto, o sistema de comentários está temporariamente fora do ar (inclusive, tenho notado o Blogger extremamente instável nos últimos dias) e o dito cujo ficou tão grande que eu resolvi colocá-lo por aqui mesmo. Mas recomendo a quem se interessar que leia o post original.

Também aproveito o maior número de leitores do meu blog que, de fato, entendem alguma coisa de teoria da comunicação, e que têm bem mais experiência do que eu com o dia-a-dia em uma redação.

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cisco:
Solon, óbvio que há a tendência de relatar notícias ruins. Sobre qualquer assunto. Boas notícias recebem pouca atenção independentemente de quem tem a ganhar com elas.

fato. isso também explica, de maneira simples e sem conspiracionismos, a manchete que o Paulo rapidamente taxou de “sofismo da esquerda” num post anterior.

paulo:
Vai la na pesquisa do new media e veja a secao sobre blogs. O numero de liberais ainda eh maior.

desculpa a preguiça, mas ela leva em conta o quão influentes são os blogs? entre os grandes blogueiros (Glenn Reynolds, Eugene Volokh e cia.), a minha impressão nada científica é de que são a maioria conservadores. fenômeno comentado pelo próprio Reynolds uma vez, como sendo uma natural contraposição ao domínio liberal na grande mídia.

paulo:
E dai? Dai que se vc tem um ponto de vista mais difundido (e vc pode argumentar que personal belief nao influi mas eu acho que influi) vc tera um bias maior daquela lado. As consequencias disso sao muitas, de formador de opiniao a formador de policies“.

aí a coisa começa a descambar demais para um discurso ACLU. me desculpe, mas formadores de opinião e, especialmente, formadores de policies não têm que se preocupar com o que pensa esta ou aquela facção da população, têm que se preocupar com o que consideram certo e errado. cabe a quem os elege e os lê garantir devida representatividade.

cisco:
todos vão ter viéses, mas se há um desequilíbrio notável, isso é interessante e pode influir no produto final.

concordo, novamente. a questão é que, como já respondi antes, o jornalista (assim como o político) não deve estar só preocupado com o que seu leitor quer ler, mas com o que ele considera a interpretação correta de um evento.

não é o número de pessoas contra o casamento gay que irá mudar a opinião de um jornalista (ou de quem quer que seja) sobre o assunto. serão os méritos das opções. e esse jornalista, naturalmente, terá um viés pró-casamento gay, e no caso de ser diretamente dirigido a ser anti-casamento gay, ele provavelmente se recusará a fazê-lo.

paulo:
O primeiro passo eh entender e admitir que o problema existe. (…) identificar que existe uma proporcao muito maior de esquerda e assumindo que o bias eh independente da orientacao politica prova por A+B que o bias de esquerda eh maior.

jamais neguei isso. mas é bom lembrar que boa parte da discrepância entre o número de conservadores no público em geral e entre jornalistas fica com aqueles que se consideram moderados. especialmente na mídia local, o número de auto-proclamados liberais é praticamente o mesmo que entre o público em geral, enquanto há muito mais moderados.

paulo:
Acho que o fato desse bias nao ser assumido (pelo menos oficialmente pelos jornais/tvs) mostra que a intencao nao eh somente avancar um ponto de vista e sim avanca-lo por debaixo dos panos, disfarcado de neutro.

desculpa a franqueza, mas isso é bobagem. o problema todo reside no fato de que, em 90% dos casos, ninguém quer avançar ponto de vista nenhum. mesmo que alguém quisesse fazer esse controle, não seria possível devido ao caos que é o processo jornalístico, especialmente no jornalismo diário ou online.

o bias existe, indubitavelmente. e certamente é um produto da formação das pessoas. o problema é que ele existe SEMPRE, e exatamente porque pessoas é que tomam todas as decisões do processo, e precisam fazer escolhas baseadas em suas crenças não só políticas como do que é jornalismo, como se faz jornalismo, para que serve o jornalismo etc.

paulo:
O mercado vai aos poucos deixando isso evidente, como por exemplo, o sucesso da Fox News.

eu acho hilário que tu, o Cisco, o Cláudio e tantos outros críticos conservadores conseguem se dar conta disso e, ainda assim, repetem o mantra marxista da manipulação da população. vocês não podem defender a eficiência do livre mercado, de sua capacidade de premiar as “boas escolhas” e ao mesmo tempo dizer que as pessoas não são capazes de reconhecer o bias e ler apenas aquilo que lhes interessa.

paulo:
Se o povo em geral pelo menos soubessse do bias e deixasse claro que nao concorda, quem sabe a situacao melhoraria no geral.

heh, se o povo não sabe, como é que tu me explica o sucesso da FOX News, o fato de a maioria dos leitores do NYT e do LA Times serem liberais e dos leitores do WSJ ou da Economist serem conservadores? que diabos de conservador tu é que não dá crédito para a capacidade de discernimento do cidadão? o próximo passo é defender uma política de cotas, hehe.

paulo:
Isso partindo do principio que as pessoas querem ser informadas sem bias.

eu achei que já tínhamos concordado que é impossível não haver bias no jornalismo. no momento em que tu realmente acreditares nisso, o mundo do jornalismo vai começar a fazer muito mais sentido.

paulo:
O problema eh que a news reporting media nao consegue ser imparcial. Algumas pessoas acham isso incompetencia ou ma fe. Eu acho que eh algo tao intrinsicamente humano que nao pode ser evitado.

mas, tchê, dá pra se decidir, faz favor? ;)

paulo:
O que eu queria entao, eh somente que isso fosse exposto. Porque sendo assim, o NYT teria que contratar quem sabe reporteres de backgrounds/belief systems diferentes para poder realmente tentar ser imparcial“.

do mesmo jeito que tu acha que a FOX News deveria contratar repórteres de histórico diferente para poder realmente tentar ser “fair and balanced”? deixa explicar-te uma coisa, no jornalismo existe um princípio fundamental do qual tu certamente já ouviu falar que chama-se “linha editorial”.

a idéia da linha editorial é estabelecer certos padrões para que o jornal (revista ou o que quer que seja) tenha uma identidade. a idéia é exatamente permitir que o leitor se identifique ou não com aquela publicação.

ninguém lê só O Globo porque não tem outras opções. é porque não vê necessidade de buscar outras informações. são pessoas que ficariam irritadas em ler as mesmas coisas abordadas por outro viés. assim como tenho certeza que existem milhões de conservadores nos EUA que assistem apenas à FOX News porque não têm interesse algum na maneira com que a CNN, CBS ou outra faz a cobertura de determinado evento.

lembrem-se do livre mercado. ninguém é obrigado a ler este ou aquele jornal, muito menos um jornal caro como O Globo. quem quiser ler outro jornal, ou quem como nós gosta de ter a visão de um lado e de outro, vai seguir as duas coisas. eu não leio só o FYI ou só o Smart, eu leio ambos. eu não vejo só a Fox News ou só a CNN, vejo ambas.

se tu acha que fazer uma cobertura meio a meio é ser imparcial, é só ler um jornal de cada ou ver uma rede de cada (sempre lembrando que é bobagem imaginar que o cidadão comum não é capaz de fazer essa identificação do bias). eu, particularmente, acho coisas como Hannity & Colmes, ou como o antigo Crossfire, uma estupidez sem tamanho. prefiro muito mais ver o O’Reilly Factor e depois assistir ao Daily Show.

cláudio:
Bem, eu creio que o bias existe e não é tão acidental, mas também creio que não é combinado numa salinha. Acho que decorre mais de má formação e da ânsia de querer “fazer a diferença” ou “mudar o mundo”. Ou seja, o jornalista realmente acha que está agindo em prol do bem comum ao divulgar um memorando falso ou omitir notícias que possam de alguma forma favorecer o “inimigo“.

este tipo de coisa não é um problema de bias, é um problema de desonestidade. isso não tem nada a ver com ser liberal ou conservador, isso tem a ver com ser mentiroso.

neste caso, Cláudio, tu estás fazendo algo que o Olavo de Carvalho faz com freqüência e que, novamente, é apropriação de uma manobra típica da esquerda: sugerir que a hegemonia da moralidade está de um lado da moeda. mau caratismo é um mal distribuído igualmente entre canhotos e destros, jornalistas e economistas, policiais e advogados, e assim por diante.

quanto a achar que está fazendo o certo, certamente. mas isso acontece, novamente, em qualquer profissão. o médico que não conta para o paciente que ele vai sentir dor acha que está lhe fazendo um grande favor. o cientista que forja dados para continuar recebendo dinheiro para sua pesquisa, acha que está fazendo um bem para o mundo em manter seu importante trabalho. o político que estabelece barreiras econômicas para proteger o mercado local acha que está fazendo um grande bem ao mundo e à sociedade. e por aí vai.

paulo:
Quanto ao bias ser totalmente indireto, nao acho que seja o caso. Logicamente nao eh combinado em salinha e muito menos coordenado por forcas misteriosas. Mas eu posso te citar casos como o do LA Times, que circulou uma nota interna alertando os jornalistas a tomarem potos de vista mais neutros porque o jornal estava perdendo leitores que reclamaram do bias.

é uma mudança de linha editorial com o intuito de angariar novos leitores. se o que eles quiseram foi diminuir a quantidade de opinião e aumentar a quantidade de informação nas matérias, é uma decisão ótima. jornalismo hard news não é lugar para análise e opinião. agora, se eles quiseram manter a opinião e apenas dar uma pequena guinada para a direita, é uma decisão burra porque, como eu disse, o bias não é uma coisa pensada e matutada, é um negócio automático.

ou tu vais me dizer que, quando tu escreve teus posts, fica pensando “hmmm, a cartilha conservadora diz isso, então para me encaixar dentro deste padrão e manter o Artur e o Smart irritados, preciso dizer tal coisa”? claro que não, tu simplesmente analisa e interpreta as coisas conforme teu frame político e moral. jornalistas são pessoas iguaizinhas a ti.

paulo:
Alias, tudo isso que eu estou falando ja meio que esta acontecendo. Todos os grandes jornais (novamente a unica excecao eh o WSJ) esta cortando gastos e reestruturando. O LA Times eh novamente um bom exemplo.

bom, aqui entramos em um processo do qual eu não posso falar. conheço muito pouco de jornais norte-americanos para poder analisar suas restruturações ou o que quer que seja. mas o simples fato de cortar gastos e restruturar o jornal não significa, de maneira nenhuma, uma mudança de linha editorial.

paulo:
A teoria que a imprensa influencia o povo nao eh exclusiva dos marxistas. E na minha opiniao pessoal, eh muito provavel que o povo seja influenciado em um certo nivel.

cláudio:
É Paulo, nem acredito que estamos discutindo a influência da imprensa na formação de opinião, principalmente das classes baixa e média. Muitas das pessoas que trabalham comigo têm como ÚNICA fonte de informação o “Globo Online”. Entre as que lêem alguns livros, boa parte só lê os best sellers recomendados… Pelos meios de comunicação.

influenciados, são. manipulados, de maneira nenhuma. quem fala em manipulação da opinião pública por parte da mídia são frankfurtianos que, não preciso dizer, são marxistas. é uma teoria da comunicação absolutamente de esquerda. e eu acho muito engraçado conservadores (alguns libertários, ainda por cima) dizerem esse tipo de coisa

agora, teorias como o agenda setting dizem, e aí eu concordo inteiramente, que a mídia é tão incapaz quanto qualquer outra instituição em decidir O QUE as pessoas pensam, mas é exímia em dizer SOBRE O QUE elas pensam. o papel da mídia acaba sendo, indiretamente, o de pautar as discussões e preocupações da opinião pública.

e isso basta ver o blog de QUALQUER um dos que estão participando dessa discussão (especialmente o Cláudio, que é praticamente um ombudsman do Globo, hehe) para se ter certeza de que é verdade.

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em suma, a bronca de vocês, como eu tenho dito desde o começo, é que vocês gostariam de ver uma maior representação do bias conservador na grande mídia. assim como boa parte da população norte-americana (e por que não dizer mundial) gostaria de ver uma maior representação de defensores do Intelligent Design na academia.

infelizmente, a não ser que vocês comecem a defender uma política de cotas (que seria, enfim, o cúmulo do ridículo), acho que vocês têm que dar um pouco mais de crédito à capacidade das pessoas de tomar decisões por si mesmas. e ajudar, sempre, a apontar profissionais desonestos, sejam eles jornalistas ou o que quer que seja.

March 3, 2006

mais uma

Eu já cansei de repetir por aqui que ciclone por nossas bandas é, quase que literalmente, um fenômeno meteorológico tão comum quanto a chuva. E também não é de hoje que canto loas à seriedade e competência do pessoal da Climatologia Urbana de São Leopoldo.

Pois via e-mail eles me chamam atenção para mais uma presepada dessa nossa preparadíssima imprensa marrom. Na metade da semana passada, Argentina, Uruguai e o Rio Grande do Sul sofreram com chuvas e vento forte devido a um ciclone extra-tropical que se formou ao sul de Buenos Aires. Na Argentina, mais de mil pessoas ficaram desabrigadas, e por aqui teve ventos de até 100 km/h e suspeita de tornado em Mostardas.

Pois acontece que junto deste, surgiu outro ciclone no nosso litoral, este com características tropicais. Para os que não se lembram, ou não sabem, a Climatologia esclarece:

Um ciclone de estrutura tropical inicialmente assume a condição de depressão tropical com vento de até 60 km/h, após passa à condição de tempestade tropical com vento regular de 60 a 120 km/h e somente se o vento superar os 120 km/h estará atingido o status de furacão.

Felizmente, este ciclone tropical, o primeiro a se formar no Atlântico Sul desde o Catarina e que a partir daqui será tratado por 90L INVEST (nome recebido dos órgãos de meteorologia norte-americanos), não se desenvolveu e seus ventos não passaram de 50 km/h. Segundo o professor Eugenio Hackbart, ele se dissipou ao encontrar uma zona de grande divergência de ventos antes de poder sequer se transformar em uma tempestade tropical. Além disso, como é costumeiro em nossa região, ventos soprando majoritariamente de oeste empurraram o 90L INVEST para alto-mar, ao contrário do que aconteceu no famoso caso do Catarina.

(more…)

March 2, 2006

vinhas da informação

Pois o Newsvine foi, enfim, lançado. Agora é esperar para ver se 1) os servidores agüentam o tranco, e 2) se os scripts de moderação e a equipe de “censores” são capazes de dar conta do volume de conteúdo.

Para quem não sabe do que se trata, o Newsvine é essencialmente um portal de notícias. Mas além do conteúdo “sindicalizado” da Associated Press, ele agrega artigos escritos pelos seus usuários (como se fossem blogs), e também links sugeridos por estes (parecido com o método do StumbleUpon). Minha experiência até agora tem sido muito positiva.

Eu gostaria que o Newsvine se tornasse, enfim, um centralizador de blogueiros e “jornalistas cidadãos” brasileiros escrevendo em inglês. Mas, como já falei antes, meu medo é que os compatriotas invadam o bicho com artigos em português e intermináveis links para bobagens, como acontece com o Orkut. Até agora, a participação tupiniquim não tem me dado razões para otimismo.

De qualquer jeito, este é um dos produtos mais legais a levar a alcunha de Web 2.0 que eu já tive a oportunidade de testar. E o melhor de tudo: não é mais um beta, ao contrário de Flickr, GMail et al.

January 31, 2006

estupidez a galope

“They’re building a new medium on the backs of our industry, without paying for any of the content,” Ali Rahnema, managing director of the association, told Reuters in an interview.

“The news aggregators are taking headlines, photos, sometimes the first three lines of an article — it’s for the courts to decide whether that’s a copyright violation or not.”

Agora são as agências de notícias e jornais internacionais que estão brabinhos porque alguém ousa deixar as pessoas mais interessadas em seus produtos. Eu queria ver o Leibniz falar em melhor dos mundos possíveis se tivesse nascido na nossa época.

January 25, 2006

bruster

A decisão da Google de inaugurar uma versão chinesa de seu serviço de buscas, se sujeitando a todas as censuras impostas pelo governo comunista chinês, tem dado o que falar entre a ala conservadora da blogosfera. Especialmente por que, alguns dias antes, ela foi a única entre a negar uma requisição do Departamento de Justiça norte-americano para que serviços de busca entregassem dados sobre comportamentos de usuários.

Em seu blog, o Cláudio diz que “uma coisa é peitar o Tio Sam, com toda a Constituição para dar suporte. Outra é encarar os chineses“. Sinceramente, uma declaração pouco feliz, digna de alguém que, embora talvez não saiba, ainda é vítima da aura de inocência que envolve a gigante californiana.

Para começo de conversa, censura não é novidade para a Google. Eles já demitiram funcionário por colocar comentários em seu blog sobre o ambiente de trabalho na empresa. Já disseram que vão passar um ano sem falar com repórteres da C|Net por estes terem usado informações pessoais (conseguidas através de buscas no próprio Google) do CEO da empresa em uma matéria sobre privacidade digital. E também já estão acostumados a censurar sites anti-semitas e pro-Nazismo na Alemanha e França, por causa de leis federais que regulam este tipo de material.

Além disso, aceitar a censura chinesa não é uma questão de “não peitar” o governo comunista. Assim como nos casos alemão e francês, eles simplesmente estão se submetendo previamente a leis federais em troca de poder fazer negócios no país (sempre lembrando que, quando censuram páginas, eles colocam alertas informando o fato para o usuário). “Não peitar” o governo chinês seria no caso de este exigir que a empresa ajudasse a identificar e prender um jornalista e a Google obedecesse.

January 11, 2006

“autoritário? eu?”

Auxiliar que elabora crítica diária da imprensa para Luiz Inácio Lula da Silva desde 1998, Bernardo Kucinski disse em entrevista ao site “Agência Repórter Social” que “o governo Lula decepcionou” porque “não foi capaz de mudar o país como prometeu”. Afirmou que o presidente “eliminou a necessidade da imprensa” e que o petista “não se submete a questionamentos” de jornalistas, com quem teria tido relação “sempre muito ruim”.

E esse é o cara cujos livros e textos sobre jornalismo são largamente sugeridos por professores em faculdades de jornalismo (ou, pelo menos, na Fabico, mas creio que não apenas nela). Fico só imaginando o tamanho do rebuliço se esse amontoado de bobagem tivesse sido dito nos EUA pelo Karl Rove ou algum outro assessor do Bush.

December 15, 2005

blogueiros brasileiros…

É em horas como essa que eu sinto falta de que a blogosfera brasileira seja pelo menos parecida com o que a grande mídia gosta de pintá-la.

Alguém vá olhar no blog do Noblat a explicação da lei que permite ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro afastar os controladores de uma empresa porque estes aprovaram a venda da empresa sem apresentar a proposta a seus credores. Nada? Quem sabe algo sobre por que, primeiro, as matérias falavam que os credores só teriam poder sobre os planos apresentados por Tanure, e agora não têm uma explicação sequer sobre como a Justiça decide que o plano só será aceito depois de avaliado na reunião de credores da próxima segunda-feira? Também não, né?

Pois é, acontece que os grandes blogs brasileiros são feitos por jornalistas que, obviamente, não sabem de nada. Porque se soubessem, as informações estariam nas matérias. Mas não, as matérias não citam nem ao menos quais são as leis evocadas pelos juízes, para que seus leitores possam tentar, eles próprios, interpretá-las. Alguém conhece um bom blog de um advogado?

December 9, 2005

brincadeira de criança

A juíza federal substituta Margarete Morales Simão Martinez Sacristan, da 5ª Vara Federal Criminal de São Paulo, determinou à Folha Online que não divulgue reportagens da Folha sobre o processo criminal que apura a contratação da empresa Kroll, pela Brasil Telecom, para investigar a concorrente Telecom Italia.

Vamos fazer um exercício. Eu digo que isto é um absurdo. Agora, você leitor entra nos comentários e deixa o adjetivo que lhe parece mais apropriado.

December 3, 2005

Ctrl+C / Ctrl+V

With intellectual property such a hot issue, and with a new army of bloggers chomping at the bit to tear a strip off the “mainstream media”, you might have thought that journalists would be a lot more careful about playing nice with the web.

But those pesky column inches still need to be filled. And Google’s sitting there, as are all those blogs, and cutting and pasting is just as easy as it always was.

E assim um grupo de blogueiros resolveu criar um prêmio para o jornalista plagiador do ano. Tendo virado notícia na BBC, periga se tornar algo suficientemente vergonhoso para que os “profissionais” comecem a pensar duas e três vezes antes de fazer coisa parecida. (via Slashdot)

December 1, 2005

reality check

Digamos que você se considera um libertário. Você também acha que a mídia liberal (ou comunista, no caso brasileiro) tem tamanho viés em suas reportagens que tornam as notícias praticamente inúteis, especialmente no que concerne a cobertura da guerra no Iraque e a política norte-americana.

Diante das notícias de que o exército norte-americano está comprando jornais no Iraque para publicar propaganda, no intuito de melhorar a opinião dos iraquianos sobre o andamento da guerra, você decide que em uma guerra este tipo de coisa é desculpável. E, afinal de contas, não é nada pior do que o que faz a grande mídia.

Se por um acaso você se encaixa nessa categoria, Matt Welch tem algumas coisas para lhe dizer sobre o quanto você é idiota. E mesmo que você não se identifique com caras como Glenn Reynolds, acompanhar o Hit and Run, em especial os posts de Welch e Julian Sanchez, certamente irá lhe trazer mais benefícios do que qualquer outra coisa.

November 27, 2005

Vietnam do avesso?

In Vietnam, the brass talked happy-talk, the press talked to grunts and reported that the war was going worse than we were told.

(…)

It’s not surprising, then, that the more connection people have to the war, the better they think things are going. That’s precisely the opposite of what we saw in Vietnam, of course.

Eu já li este post três vezes, e continuo não conseguindo entender onde está a diferença óbvia que leva Glenn Reynolds a dizer que o Iraque é o oposto do Vietnam. Os militares dizem que está indo tudo bem e a imprensa diz que tudo está indo muito pior do que parece. Se isso não é uma descrição da guerra atual, é melhor eu desistir de me formar.

P.S.: e se o que ele está sugerindo é que, off the record, os militares diziam que tudo estava indo mal no Vietnam, ao contrário desta guerra, então eu gostaria de ver os números sobre o Vietnam, como já disse anteriormente.

November 23, 2005

tsc, tsc, tsc

O caderno de informática da Folha de S. Paulo desta quarta-feira traz uma matéria sobre o Open Source Media, nova roupagem do Pajamas Media, um portal de blogs políticos e de opinião. Logo depois do lançamento, na semana passada, o pessoal ligado à comunidade de tecnologia reclamou que o termo era um oxímoro, ainda mais devido à existência de uma cláusula proibindo o uso indevido ou cópia do conteúdo do portal, o que vai contra a idéia de open-source.

Além disso, Christopher Lydon, que mantém um programa de rádio chamado Open Source, reclamou do uso do nome e o que isso significaria para seu produto, devido à semelhança de finalidade de ambos. Nada disso, no entanto, consta da matéria da Folha.

Tá, e daí? Daí que hoje a Open Source Media informa que voltará a se chamar Pajamas Media devido às inúmeras críticas que recebeu de todos os lados pela sua escolha de nome. O pessoal no Slashdot acha que é só um publicity stunt. Mas o mais interessante é que a matéria ficou completamente obsoleta no dia em que foi publicada, pela pura falta de bom senso (ou de conhecimento) de quem a escreveu, que não citou uma vírgula sequer da controvérsia em torno do nome do portal.

militares dizem “sim” à guerra

Max Boot, no L.A. Times, fala sobre a diferença de opinião da “mídia apocalíptica” e dos soldados que estão efetivamente lutando, sobre os resultados da guerra do Iraque.

American soldiers are also much more optimistic than American civilians. The Pew Research Center and the Council on Foreign Relations just released a survey of American elites that found that 64% of military officers are confident that we will succeed in establishing a stable democracy in Iraq. The comparable figures for journalists and academics are 33% and 27%, respectively.

Ele segue o argumento com várias explicações sobre as razões que levariam a essa disparidade entre as impressões dos soldados que lá estiveram e os civis que só sabem o que está acontecendo através da visão da mídia. A única diferença para o que já vi em inúmeros blogs conservadores, nas mais variadas oportunidades, é que este artigo tem os números de uma pesquisa para comprovar a tendência.

Agora, toda vez que eu vejo este tipo de argumento como demonstração de que, talvez, as coisas no Iraque não estejam indo tão mal quanto a tal mídia liberal nos faz acreditar, me ocorre uma dúvida que nunca pesquisei mais a fundo, mas que nunca vi alguém comentar: durante a guerra do Vietnã, quais eram os níveis de aprovação da guerra entre militares?

A comparação, obviamente, não é na tentativa de equiparar as duas guerras per se. Mas saber como pensavam os militares que estavam lutando uma guerra que, hoje sabemos, foi um desastre. Eu sei que mais para o fim do Vietnã haviam vários veteranos, como John Kerry, atacando a guerra e a maneira como esta estava se desenrolando. Mas me pergunto se, durante os primeiros anos da mesma, não havia cerca de 64% de militares que julgavam que a guerra iria ser vitoriosa para os EUA e a democracia.

Enfim, sou cético à opinião de militares em relação a uma guerra. Não tenho razão alguma para achar que sua opinião é menos enviesada do que a de jornalistas e acadêmicos, ainda que o viés seja claramente oposto.