July 16, 2006

Dark Side of Oz

Lembram da velha história da sincronicidade do clássico “Dark Side of the Moon” e do filme Mágico de Oz? Para conseguir o efeito esperado era necessário um certo trabalho para que a primeira música começasse durante o segundo rugido do leão da MGM, e para quem tentasse a façanha com um CD era preciso apertar o pause no meio da história para simular a troca de lados do vinil. Mas todos que tentavam diziam ficar impressionados com o efeito (não sei se do disco ou da maconha que fumavam para melhor apreciar o evento).

De qualquer maneira, bendita seja a Internet, porque alguns cidadãos se deram ao trabalho de sincronizar as músicas e o filme e colocar o resultado à disposição de qualquer pessoa com acesso ao YouTube e Google Video. Portanto, curiosos, direcionem seus browsers ao primeiro para uma versão de 7 minutos, ou então para o segundo para assistir à versão completa de 43 minutos.

(via LAist)

March 24, 2006

monkemania

Os 363.735 britânicos que compraram o disco deles na primeira semana de lançamento não podem estar errados. David Bowie, Mick Jagger e Noel Gallagher, fãs declarados deles, não podem estar errados. O festival South by Southwest, com 1.400 bandas e 65 bares, reservar um galpão gigante para o show deles não podia estar errado. A banda inglesa Arctic Monkeys, no quesito “música que importa hoje”, é mesmo a tal.

Realmente, no que se trata de serem a banda do momento, a empolgação de Lúcio Ribeiro é perfeitamente razoável. No que tange a qualidade do som deles, no entanto, eu fico com a análise do pessoal da Pitchfork: “seria legal pensar que uma indústria musical democratizada significaria que a gurizada está criando alternativas para o que já estão recebendo, mas os Arctic Monkeys são, em sua essência, o mesmo tipo de rock meat’n'potatoes com guitarras que tem dominado a Grã-Bretanha desde o surgimento dos Strokes, quiçá do Oasis“.

Em especial, não consigo ouvir este “Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not” sem pensar que o Libertines fazia a mesma coisa com mais qualidade quatro anos atrás. A grande atração da juventude aos Monkeys fica por conta das letras de Alex Turner, que basicamente versam sobre a vida de um garoto em meio à cena indie britânica. Ao ouvir o disco, no entanto, fico me lembrando do comentário do Franty depois do show dos Strokes: entendo que essa gurizada se identifique com essas letras, mas eu já passei dessa fase de festa, drogas e mulheres.

No fim, o Arctic Monkeys só confirma aquela noção de que algo tão popular só pode ser uma versão requentada de algo feito antes com mais qualidade. O que não quer dizer que não sejam bons nisso, pois este disco é perfeitamente agradável (particularmente, acho bem menos monótono do que qualquer disco dos Strokes), mas nada mais do que medíocre.

February 22, 2006

puramordedeus

Se U2 e Rolling Stones não merecem tanta atenção da mídia, se são ex-bandas vivendo às custas de cover de si mesmos, se vão a Brasília fazer campanhas equivocadas contra a pobreza, se não sabem usar camisinha e acabam deixando filhos pelo caminho, aprendam crianças, o problema é deles.

Se todos aqueles que acham que as duas bandas merecem apenas o esquecimento e o silêncio lhes dessem exatamente isso, absolutamente todos estariam felizes. Quem gosta das bandas estaria se divertindo pacas em seus shows, quem não gosta estaria em casa ouvindo o que bem entende enquanto faz pouco caso do gosto alheio.

Mas não, enquanto os roqueiros enchem os bolsos de dinheiro fazendo aquilo que mais gostam, um bando de intelectuais, jornalistas e blogueiros ressentidos espalham sua bile por todas as mídias cabíveis, indignados porque o povo não tem o seu bom gosto. Ora, que vão todos para o inferno e passem lá a eternidade ouvindo apenas músicas do U2 e dos Rolling Stones.

February 6, 2006

quase boa notícia

A melhor decisão da MTV neste verão foi apostar no passado, ou melhor, nos clipes clássicos que embalaram uma geração de jovens. O “MTV Lab”, como é chamada a faixa de exibição contínua de vídeos, sem o blá-blá-blá dos VJs, deu tão certo que vai sobreviver ao fim da estação.

Seria uma boa notícia se, ao invés de continuar com o programa na madrugada, os executivos do canal se dessem conta de que sua audiência quer, mesmo, é ver clipes e ouvir música, e resolvesse inaugurar uma versão tupiniquim da MTV2.

January 6, 2006

frippsoft

Ando completamente sem motivação para postar por aqui, mas não podia deixar essa escapar: o gênio Robert Fripp será o responsável pelos soundscapes do Windows Vista, próxima versão do sistema operacional da Microsoft. Será que agora convenço o Carlo a largar aquela tranqueira de Macintosh?

November 29, 2005

teenage wasteland

Good Morning Kiss: Ao saber que seria esta a banda gaúcha a abrir o show, fui à Internet a cata de algum MP3 para saber onde estava me metendo. Descobri que tratava-se de mais um grupinho indie, com um som que parece uma versão britânica chorosa do Goo Goo Dolls. Felizmente, informava-me o Bruno, o “show” seria de três músicas, tocadas apenas com guitarra.

No fim, poderia ter sido pior (se tivessem botado o Reação em Cadeia pra tocar, por exemplo), mas é impossível não ficar irritado com quem quer que tenha inventado essa lei idiota de obrigar bandas regionais a abrir shows internacionais. É um incentivo ao jabá e uma garantia de hostilização da pobre banda que acabar escalada (aconteceu com o Acústicos & Valvulados no show do Strokes, e aconteceu ontem de novo).

==

Mudhoney: Antes de ontem, acho que já tinha ouvido duas músicas deles na vida. Sabia que eram barulhentos e que eram os vovôs do grunge. O show foi excelente, tanto por seus próprios méritos como por preparar os ânimos pro que viria a seguir. Barulheira infernal, instrumentistas excelentes e empolgados, e músicas incrivelmente boas. Já até botei algumas coisas pra baixar no SoulSeek.

É impossível não ter pelo menos respeito por quatro coroas (o baterista, com uma camiseta branca e um coletinho, parecia que tocava em alguma banda de rock progressivo) metendo pau nos instrumentos, fazendo muito barulho. E Touch Me, I’m Sick é, como eu bem me lembrava, uma baita música.

Também foi legar ver a absoluta falta de frescuras dos integrantes da banda. Depois do “show” dos gaúchos, subiram ao palco com todas as luzes acesas, afinaram instrumentos, acenaram para alguns fãs (sim, havia fãs do Mudhoney, armados de camisetas e faixas) e voltaram para o backstage, onde ficaram até as 20h em ponto.

==

Pearl Jam: É preciso dizer que não sou um fã da banda. Acho Yield e Vs. dois discos excelentes, é verdade, mas nunca comprei nenhum deles. Várias músicas extremamente conhecidas tocadas ontem (como State of Love and Trust e Yellow Ledbetter, que fechou o show) são quase estranhas para mim. Mas ainda assim, consigo imaginar que muitos fãs tenham tido uma experiência próxima do transcendental.

De minha parte, só consegui aproveitar o show depois de transcorridos cerca de 30 minutos. Estava na pista, grudado à grade que a cortava no meio e muito próximo ao palco. Hoje estou com escoriações no braço por ficar agarrado à dita grade, tentando conter a turba de imbecis que ficava empurrando para todos os lados possíveis na esperança de chegar um pouco mais próxima da banda. Somente depois de meia hora dessa briga, e quando a banda começou a tocar músicas mais calmas, o pessoal se acomodou e pude, finalmente, prestar atenção ao que acontecia no palco.

A performance do quinteto (ou sexteto, se contarmos o simpático Kenneth “Boom” Gaspar) foi segura mas, para meu gosto, um pouco fria. Eddie Vedder tem uma conexão emocional invejável com a platéia, mas durante a maior parte do tempo a banda parece estar fazendo uma jam. Me lembrou o show do Cake, no Opinião, em que o John McRea passou o tempo inteiro conversando com a platéia, contando histórias, enquanto a banda parecia estar lá apenas para seguir o roteiro e lhe acompanhar.

Ainda assim, consigo imaginar que, para os fãs de carteirinha do Pearl Jam, a experiência de ontem deve ter beirado o transcendental. Um show de duas horas e meia, Eddie Vedder pedindo a um intérprete que escrevesse em folhas o que ele gostaria de dizer à platéia, um “parabéns a você” cantado por 14 mil pessoas para o baterista Matt Cameron, participação de Marky Ramone em I Believe in Miracles, e pedidos da platéia atendidos (State of Love and Trust e I Got ID).

Meu momento particular de emoção, no entanto, ficou por conta do segundo bis. Depois que saíram do palco ao fim de Alive cantado em coro por todos os presentes, eu fiquei imaginando o que diabos eles poderiam tocar para superar aquilo. Fiquei pensando em um convite para o pessoal do Mudhoney subir ao palco, junto com uma aparição surpresa de Chris Novoselic e Dave Grohl para tocar Smells Like Teen Spirit (ei, eu estava cansado e começando a delirar, me deixem).

Para minha surpresa, eles fizeram coisa melhor e tocaram uma música que nem me lembrava que fazia parte de seu repertório: Baba O’Riley. Provavelmente uma de minhas músicas prediletas de todos os tempos, ainda mais quando tocada ao vivo sem aqueles milhões de sintetizadores do Who’s Next.

No fim, foi um grande show. Não superou minhas expectativas, não foi nada fora do sério, nem um exemplo do que deve ser um show de rock. Não foi nem mesmo o melhor show do ano, para mim (Arcade Fire e Cake, nessa ordem, ainda são meus prediletos). Mas valeu cada centavo gasto no ingresso, cada minuto que fiquei parado na fila para entrada preferencial no estádio (nada como ter uma namorada que faz parte do fã-clube oficial), e até mesmo minhas dores musculares e arranhões no braço. Para os verdadeiros fãs, então, deve ter sido uma experiência realmente soberba.

UPDATE:

O show já está disponível para download (MP3, 192 kbps) no site da banda, por módicos US$ 9,99. Junto vêm algumas fotos da performance e ilustrações para fazer a capa do CD. O setlist, para os interessados, é o seguinte:

    01. Long Road / Last Exit (8:01)
    02. Animal (2:41)
    03. Do the Evolution (3:46)
    04. Green Disease (2:47)
    05. Jeremy (6:29)
    06. Grievance (3:17)
    07. Cropduster (4:00)
    08. Even Flow (7:44)
    09. Better Man (4:28)
    10. State of Love and Trust (4:16)
    11. Daughter (7:16)
    12. Habit (3:51)
    13. Given to Fly / Immortality (9:30)
    14. Save You / Rearview Mirror (11:16)
    15. Encore Break 1 (1:48)
    16. I Got ID (4:13)
    17. Crazy Mary (10:29)
    18. I Believe in Miracles (3:46)
    19. Alive (7:25)
    20. Encore Break 2 (1:12)
    21. Elderly Woman (…) in a Small Town (3:22)
    22. Corduroy (4:59)
    23. Blood (5:45)
    24. Baba O’Riley (5:12)
    25. Yellow Ledbetter (6:40)

November 19, 2005

love + pain

Clor (2005)

Eu tinha passado mais de uma hora escrevendo um longo post recomendando a todos que ouçam o disco dos britânicos do Clor. Tinha falado sobre como odeio a música dos anos 80 mas tenho me surpreendido pela qualidade de algumas das bandas atuais que fazem referência à época (Franz Ferdinand, Arcade Fire e Stars, entre outros), e como este disco era mais um pra lista.

No entanto, eu sou um mongolão e, enquanto pensava em possível título para o post, acabei fechando a tab em que o estava escrevendo e foi-se tudo para o éter físico. Embora me lembre de boa parte do que tinha escrito, falta-me o ânimo para repetir a empreitada. Melhor deixar que vocês leiam a resenha no Pitchfork que, afinal de contas, é bem melhor do que qualquer coisa que eu pudesse dizer.

E ouçam o disco. É bom. Mesmo.

November 17, 2005

ground zero

Continuando o meme, agora resolvi parar para prestar atenção no vídeo da campanha da Virgin Digital, que havia comentado em um post anterior. Como bem notou o Inagaki, o site da agência responsável por fazer o vídeo diz que nele há referências animadas a cinqüenta músicas dos últimos cinqüenta anos. Apelando pro Google e pra comentários alheios, consegui fazer uma lista de 40 plausíveis. São eles:

  • In Bloom - Nirvana
  • Hummingbird - Wilco (ou B.B. King, ou qualquer outro)
  • I Shot the Sheriff - Bob Marley
  • Butterfly - Mariah Carey (ou Bullet with Butterfly Wings - Smashing Pumpkins)
  • Eye in the Sky - Alan Parsons (ou NOA)
  • Angels - Robbie Williams
  • Tears in Heaven - Eric Clapton
  • Purple Rain - Prince
  • Message in a Bottle - Police
  • Surfin’ Bird - Ramones
  • Sitting on the Dock of the Bay - Ottis Redding
  • Free Bird - Lynyrd Skynyrd (ou Free as a Bird - Beatles)
  • P.I.M.P. - 50 Cent
  • Magic Carpet Ride - Steppenwolf
  • Another Brick in the Wall - Pink Floyd
  • Seven Nation Army - White Stripes
  • Where the Streets Have no Name - U2
  • Dancing Queen - ABBA
  • God Save the Queen - Sex Pistols
  • Like a Rolling Stone - Bob Dylan
  • Bulls on Parade - Rage Against the Machine
  • Rodeo Clowns - Jack Johnson
  • Me, Myself and I - Beyonce
  • Hotel California - Eagles
  • White Rabbit - Jefferson Airplane
  • Smoke Two Joints - Sublime
  • Tiny Dancer - Elton John
  • Piano Man - Billy Joel
  • Blue Suede Shoes - Carl Perkins
  • Murder on the Dancefloor - Sophie Ellis Bextor
  • Eggman - Beastie Boys
  • American Woman - Guess Who
  • Atomic Dog - George Clinton
  • Police & Thieves - The Clash
  • Video Killed the Radio Star - The Buggles
  • Werewolves of London - Warren Zevon
  • Parachutes - Coldplay
  • Everybody - Backstreet Boys
  • Pink Moon - Nick Drake
  • Paint it Black - Rolling Stones

Verdade que ainda tenho outras suspeitas, tipo “Birdcage” do Wallflowers, “Rose Garden” (várias pessoas) e “I See Three Ships”, um clássico do róque. E algumas das acima podem ter sido um acidente de percurso e não estão lá intencionalmente. Mas a brincadeira é deveras divertida, de qualquer jeito.

November 15, 2005

do you see music?

Via e-mail, me chega este meme deveras divertido da loja de música digital da Virgin. O nome da campanha de lançamento do serviço é “exercise your music muscle“, composta por esta imagem com referências às mais variadas bandas e um vídeo com inúmeras citações de músicas famosas. Com este ainda não perdi muito tempo (só vi uma vez, o suficiente para reconhecer “The Wall”, “God Save the Queen” e “Hotel California”), mas estou há algumas horas tentando desencavar as bandas referenciadas na foto.

No blog Brainstorm #9 tem um monte de gente dando pitaco sobre suas suposições. O site da Virgin, até agora, não parece ter nenhuma lista oficial das bandas referenciadas. Por enquanto, ainda estou me divertindo tentando descobri-las sozinho. Algumas não tenho certeza, outras é puro chute, mas vou me divertindo. Minha lista até agora está assim:

  • Guns n’ Roses
  • Dead Kennedys
  • White Zombie
  • Seal
  • Madonna
  • Yellow Man
  • 50 Cent
  • Sex Pistols
  • Queen
  • Prince (descoberta da Mirella)
  • Roots
  • Manic Street Preachers
  • Radiohead
  • Scissor Sisters (esse foi dica de um amigo)
  • Smashing Pumpkins
  • Eels
  • Eminem
  • Matchbox 20
  • Jewel
  • Whitesnake
  • Rolling Stones
  • Gorillaz
  • Korn
  • Blind Melon
  • Alice in Chains
  • Blur
  • Talking Heads (e Television)
  • Crowded House
  • Eagles
  • Spoon
  • Beach Boys
  • Garbage
  • Hole
  • Black Crowes
  • Red Hot Chilli Peppers
  • Black Flag
  • Led Zeppellin
  • B-52’s
  • Cars (Fabulous Thunderbirds, diz um amigo)
  • Pixies
  • Modest Mouse (única coisa com rato que me ocorreu)
  • U2 (e Double U)
  • Cowboy Junkies
  • Phish (única com peixe)
  • Dinosaur Jr.
  • Pavement
  • White Stripes
  • The Doors
  • Nine Inch Nails
  • Deep Purple
  • Bush
  • The Killers
  • Bee Gees (descoberta da Mirella)
  • The Police
  • Iron Maiden
  • Green Day (dica de um amigo)
  • Kiss (dica de um amigo)
  • Cornershop
  • Cypress Hill


Algumas são puro chute, como o Modest Mouse ou Phish. Outras são o que costumamos chamar uma forçação de barra, como o Deep Purple. Mas o mais irritante é enxergar o que obviamente são referências e não conseguir pensar do que se tratam, como as laranjas (limões, limas, grapefruits?) com carinhas sorridentes, o calendário (terça-feira, 21 de agosto de 2006), os contorcionistas (Spandau Ballet?), os gordinhos em cima do telhado, as meninas se agarrando na esquina e assim por diante.

Além de tudo isso, a imagem que está no site da Virgin tem um pouquinho mais de desenho para os lados. Especialmente na esquerda, podemos ver mais algumas referências óbvias, como Cake e Pet Shop Boys. Há um cachorro magrelo e algum bicho no chão (Beatles? Scorpions?). Clicando na foto no início do post, dá pra ver a imagem no seu maior tamanho (1280x960) mas com os cantos cortados. Enfim, diversão interminável.

October 31, 2005

jovem é uma merda

De algumas audições de seu último trabalho de estúdio e do repertório do mesmo, chego à conclusão: Maria Rita virou uma genérica da MPB. Os arranjos leves, a voz empostada, tudo que cresci ouvindo em variados bares boêmios a que meus pais me levavam quando eu era criança.

O que não é, exatamente, uma coisa ruim quando se está em um desses bares. Mas também não é o suficiente para merecer o desembolso de uma média de R$30,00 por seu disco. Parece-me que Maria Rita tem andado demais com esse pessoal da “nova MPB”, como o Lenine que produziu Segundo.

A primeira e inevitável crítica é quanto ao repertório. Quando ouvi sua versão para “Minha Alma”, do Rappa, rapidamente me veio à memória aquela inexplicável versão de “Proibida pra Mim” feita pelo Zeca Baleiro. E quando, logo depois, sem nem dar tempo de recuperar o fôlego, ela engatou uma versão para lá de sem sal de “Sobre Todas as Coisas”, minha vontade foi de erguer as mãos aos céus e perguntar “por quê?”.

O que não é dizer que o disco é de todo insuportável, nada disso. Se a secretária do seu dentista resolver tocar o CD enquanto você espera pelo fim do tratamento de canal do paciente anterior, é mais provável se pegar batendo o pé ao ritmo (moroso) da música do que irritado com aquela fantástica voz que sai das caixas de som.

Inclusive, é a voz de Maria Rita que merece os maiores elogios neste segundo (e Segundo, hein, hein?) disco. Concordo com o que disse Mauro Ferreira, um dos acusados do jabá do iPod, que a cantora “tirou o peso de sua voz”. Infelizmente também ficou pelo caminho o peso dos arranjos do primeiro disco, que só dão o ar de sua graça na faixa-bônus do disco, a versão ao vivo de “Conta Outra”.

Pra piorar, não pode-se esperar um retorno do casamento Maria Rita-Tom Capone, já que este faleceu em um acidente de moto pouco depois de ver sua produção render um mar de Grammys para a cantora. Minha esperança é que ela, eventualmente, deixe de lado essa necessidade de se mostrar moderna com versões bizarras de músicas fora de sua praia, e que busque uma identidade própria para seu som (na direção que seu primeiro trabalho indicava). Se seguir o atual formato, vai acabar relegada à irrelevância de todos seus amigos da nova MPB.

October 28, 2005

mel e geléia

Via comentários em um post do Bruno, vejo que está tão confirmada quanto possível a vinda do Mudhoney para Porto Alegre, para abrir o show do Pearl Jam. Verdade que ainda estou sentindo dores de ter que desembolsar R$ 144,00 por um show, mas desse jeito periga valer cada centavo. Ainda mais se uma certa fã de carteirinha conseguir descolar pulseirinhas para entrar mais cedo no Gigantinho.

em tempo: é bom lembrar aos que não sabem que há uma cobrança de 20% de “taxa de conveniência” sobre o preço do ingresso, prática costumeira da Ticketmaster. E aos que se sentirem indignados, é bom lembrar que não há nada a fazer, exceto não ir ao show.

UPDATE: parece que Porto Alegre foi poupada da taxa de conveniência, pelo menos nos pontos de venda (na Internet tem que pagá-la). comprei meu ingresso ontem, em um Zaffari, e custou “apenas” os R$ 120,00 anunciados.

October 26, 2005

now the neighbors can dance

Como comenta o Bruno, o show do Arcade Fire foi sensacional. Tudo que eu esperava e um pouco mais. Só poderia ser melhor se eu tivesse chegado dois minutos antes e pudesse ter acompanhado o coro no início de Wake Up. Como foi, tive que ouvir o início do show enquanto me desviava de fãs do Strokes que caminhavam morosamente pela calçada.

Como nunca tinha visto uma performance do septeto canadense, fiquei particularmente impressionado com sua presença de palco. É contagiante a emoção de todos, que não param nunca de cantar, pular e trocar de instrumentos (praticamente um grupo de terapia ocupacional, como notou o Franty). Não estranhamente, o show terminou com Will Butler pendurado nas grades da antiga fábrica Condor, batendo freneticamente em um tambor, enquanto a banda cantaralova a melodia de Rebellion.

Por falar nisso, o final apoteótico do show, engatando a barulheira de Neighborhood #3 (Power Out) com Rebellion é literalmente de chorar, ainda mais quando se pensa que a banda está deixando o palco depois de pouco mais de uma hora, tendo tocado míseras 13 músicas, e que não voltará para um bis, já que a estrela da noite ainda está por se apresentar.

E os Strokes? Bom, minha opinião rápida é que melhor seria se, em seu lugar, tivessem trazido o Wilco ou Kings of Leon. De preferência para fazer um show de abertura de duas horas, seguido de mais duas horas de Arcade Fire (é difícil imaginar uma banda que evite uma sensação anticlimática tocando depois dos canadenses).

É preciso notar que nunca fui muito fã do som dos nova-iorquinos. Is This It, para mim, parece uma só música tocada do início ao fim, fórmula repetida no Room on Fire (exceto por um reggae extremamente dispensável). Ao vivo, é impossível negar que sabem o que estão fazendo já que as músicas soam exatamente iguais aos discos.

Mas, sinceramente, aquela interminável repetição de uma mesma fórmula, combinada ao estoicismo poseur que eles demonstram no palco, me deixaram com sono e me lembraram da dor que sentia nas pernas depois de ficar de pé por tanto tempo. Quando comparado com a performance teatral e toda a variação musical do Arcade Fire, então, a sensação realmente foi de que se estava vendo uma banda de garagem.

No fim das contas, fazia tempo que não sentia que R$ 32,00 tinham sido tão bem gastos. Sem querer parecer babão, mas há que se cantar loas à Tim por permitir a oportunidade de assistirmos ao show de uma banda “iniciante”, que sequer tinha disco lançado no Brasil quando confirmaram sua vinda ao país. Especialmente, como comentou o Bruno, sendo esta a cidade do revival e do heavy metal.

October 17, 2005

being Bruno Galera

Uma de minhas grandes restrições ao iTunes como MP3 player é ter um dos piores algoritmos de shuffle jamais inventados. No entanto, hoje o bicho me deixou tão surpreso que eu resolvi ter um surto bigmuffeano e compartilhar a listagem com vocês:

    1. Depeche Mode - Just Can’t Get Enough
    2. MC Hammer - Pray
    3. Pretenders - Back on the Chain Gang
    4. Bob Dylan - Iris
    5. Boards of Canada - Dandelion
    6. Interpol - Slow Hands
    7. Guns n’ Roses - Rocket Queen
    8. Pantera - Fucking Hostile
    9. Los Hermanos - Cara Estranho
    10. Glenn Branca - Lesson No. 2
    11. Daedalus - Aplomb
    12. Garth Brooks - Two of a Kind (live)
    13. Nirvana - Aneurysm

October 4, 2005

gotham

Nada Surf, Beck, U2, Keane, Robbers on High Street, King of France, Paul McCartney, Social Distortion, Zap Mama, David Gray, East Village Opera Company, Sufjan Stevens, Sons & Daughters, The Raveonettes, Radio 4, The Working Title, and even Jethro Tull are ALL playing two shows each in or around town this week.

Não adianta, existe o resto do mundo e existe Nova York.

September 29, 2005

fale com um gênio

Você tem alguma dúvida sobre os Beach Boys que até hoje não foi respondida? Sempre achou que faria uma entrevista bem melhor com Brian Wilson do que qualquer repórter metido a besta de publicações especializadas em música? Ou então tem um sonho de longa data de simplesmente bater papo com um dos maiores compositores de rock ainda vivos?

Seus problemas acabaram. Por apenas U$ 100 a serem doados para o fundo de recuperação dos afetados pelo furacão Katrina, você estará recebendo uma ligação de Mr. Wilson no seu telefone a qualquer momento. Ele diz que estará pronto a responder uma pergunta sua, ou simplesmente dar um alô.

Nenhuma informação, no entanto, se ele fará ligações internacionais ou se estará disposto a cantar trechos de alguma música sua. Mas quem tiver US$ 100 sobrando e quiser tentar, a chance é essa.

September 8, 2005

today I am a boy

Finalmente, um prêmio que merece reconhecimento. Basta conferir os vencedores de anos passados para ver que não se trata, aqui, de festejar os queridinhos do público, mas de premiar a boa música.

E põe boa nisso. Confesso que só fui ouvir I Am a Bird Now depois de divulgado o resultado do Mercury Prize, mas antes tarde do que nunca. Afirmo, sem medo: é o melhor disco do ano.

Reza a lenda que Antony, um andrógino britânico radicado em Nova York, fez Lou Reed chorar como uma criancinha quando este ouviu sua música pela primeira vez. Com suas letras cheias de tristeza e uma voz seguidamente (e merecidamente) comparada à de Nina Simone, fica difícil duvidar da história.

O ex-Velvet Underground, um dos maiores incentivadores da carreira de Antony, participa do disco com uma guitarra em “Fistful of Love” e com uma leitura na introdução de “I Was Lying in My Bed Last Night”. Além dele, Devendra Banhart faz alguns cantos folclóricos em “Spiralling” e Rufus Wainwright divide os microfones no quase cool jazz de “What Can I Do?”. Mas é Boy George, com seu dueto em “You Are My Sister”, o único que consegue quebrar momentaneamente o encanto da voz de Antony.

Com essa premiação, espero que I Am a Bird Now receba maior atenção mundial. O unico porém é que, neste momento, Chris Martin deve estar trancado em algum lugar, chorando a falta de sensibilidade da crítica e compondo mais um disco insuportável. Que isso sirva de exemplo para ele, Keane e todos seus imitadores baratos.

August 28, 2005

frantics

Recentemente, a Mirella fez um post sobre todos os shows que terá a oportunidade de assistir em sua estada de um mês por Los Angeles. Não foram poucos os que, prontamente, disseram que o show da Interpol era imperdível. Pouco depois o Gabriel fez post parecido, sobre o que poderá ver em Montréal nos próximos dias, e mais uma vez vieram os comentários sugerindo que não perdesse o show dos nova-iorquinos.

Há cerca de dois anos, lembro de ouvir o Turn On the Bright Lights e não entender o por quê de tanto frenesi. Com tamanha pressão por parte da ala indie, resolvi ir ao Soulseek e baixar o Antics, para tirar a dúvida. Agora, até entendo a razão do frenesi, mas não entendo que parta das pessoas de quem parte.

Interpol é apenas mais uma banda na interminável série de revival dos anos 80 que, sinceramente, já deu o que tinha que dar. O acorde de teclado que abre o disco, em “Next Exit”, me fez achar que eu havia colocado “Walk of Life”, do Dire Straits, por engano. Quando entraram os vocais, achei que Brett Anderson tinha virado vocalista do Hoodoo Gurus.

Depeche Mode, Duran Duran, R.E.M. e muitos outros já trilharam o mesmo caminho da Interpol, muito antes destes. A melhor banda que este revival criou - e pro meu gosto a única que merece ser ouvida - é, sem sombra de dúvida, o Franz Ferdinand. E da próxima vez que ver o Bruno instando alguém a ir a um show da Interpol, direi que ele é um fã enrustido de Bloc Party.

August 25, 2005

only the strong survive

Se não fosse tão caro, ou se eu fosse mais rico, iria.

August 22, 2005

justiça seja feita

Fazia muito tempo que eu não via alguma produção decente por parte da MTV Brasil, mas esse Acústico Ultraje a Rigor foi digno de nota. Recomendo a todos que gostam de róque que assistam. Dependendo do preço, vale até comprar o DVD quando sair.

August 21, 2005

set yourself on fire

Bendita seja a Internet. Se, assim como na minha juventude, a MTV ainda fosse a única grande fonte de informação sobre novas bandas à minha disposição, eu provavelmente pensaria que não há nada de bom sendo feito em termos de música pop atualmente.

No entanto, se hoje conheço e gosto tanto de Starlight Mints ou The Shins, foi por ter tido a felicidade de ouvir falar sobre eles em algum site como o PitchFork ou, atualmente, em bons blogs de cidades. Sim, blogs como o Gothamist ou Londonist são, para mim, a melhor fonte de informação sobre bandas novas e legais por aí afora.

Foi graças a um post no primeiro que resolvi ouvir o belo CD ali em cima. Imaginei que uma banda que acompanha Arcade Fire e Death Cab for Cutie não podia ser de todo ruim. Estava coberto de razão: Stars é o que de melhor ouvi em termos de música pop em muito tempo. Vocais excelentes, belos arranjos de cordas a acompanhar guitarras distorcidas e melodias grudentas.

É uma pena que o pessoal do Metroblogging Montreal não seja dado a fazer posts sobre shows da cidade. Uma cidade com tamanha diversidade cultural, em um país de onde saíram Arcade Fire, The Decemberists e Stars, há de ter uma série de outras boas bandas a serem descobertas. Pelo menos teremos um espião por lá, em breve.